Não bebo a solidão, ela é quem me toma, me possui em tudo: sentido... tato... olfato... paladar... Nada está fora do seu alcance.
Algoz do meu mundo, que em medo me enche, o que nada desafia na fria escrita que rompe o silêncio. Tempo sombrio.
Tudo o que faz sentido está longe de ser revelado. O que faz sentido não se explica: observa, sente e observa, sente até sentido fazer.
No meu mundo é difícil sentir, porque o sentido se desfaz na ilusão do meu entendimento. Meu caro, devo lhe dizer: o Invisível é quem te guia, na escuridão ou na iluminação.
Em nada posso confiar. Tudo me parece raso demais. Estúpido! Na profanação desses versos me esqueço.
O que precisamos entender desta vida? O que é profanar os versos inversos? Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma e liberar a nossa dignidade?
O que devo esperar de uma alma libertada? Alma que vagueia sem sentido, desligada de todas as emoções, vagueia assombrada.
É primavera, as borboletas renascem. Conflitos sangram no calor das emoções. O silêncio reivindica. Tudo se destrói.
Tudo persiste como um incômodo, um inverno em plena primavera. É a condição de uma alma presa ao corpo humano, humano que profana versos o dia inteiro.