Tag: poesia existencial brasileira

  • Já é tarde

    Já é tarde

    Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.

    Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.

    Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?

    Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.

    De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.

    Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.

    Carlos de Campos
  • Ossos escondidos


    Ossos escondidos

    No terreno abandonado,
    ossos foram escondidos.
    Investigações mal feitas
    dão conta do que querem esconder.
    Ossos enterrados em um terreno abandonado.
    O que precisam esconder?
    A quem pertencem esses ossos?

    Todas as manhãs perdidas,
    evitando ser descobertas,
    perdidas em pensamentos.
    Que pensamentos são esses
    que nos fazem descuidar da própria vida?
    Uma vida negligenciada pelo ciúme.

    Os dias passam depressa,
    lentos quanto o meu sucesso.
    Os ossos escondidos nos apavoram.
    Tudo não passou de um sonho,
    sonho acordado, sem direção,
    sem êxtase…
    sem verdade…
    Tudo não passou de uma fantasia
    de um sonho escondido em um terreno baldio,
    instante antes de ser descoberto,
    de estar livre,
    enquanto existir um novo amanhã.

    Carlos de Campos