
Autor: propolispoemas@gmail.com
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Janela do Olhar
Janela do Olhar
Um olhar que observa
No fundo da alma
De uma alma inquieta
Solitária.
Consumida pelo cansaço
Fadigada por tantos problemas
Quer chorar e nem isso consegue
Perdida é como se sente.
Preciso de uma pausa
Sou apenas mais uma peça
Da enorme engrenagem capitalista
Na minha ausência,
Tudo continuará normalmente
Vou relaxar.
Olhe a natureza
Os passarinhos fazem somente o necessário
Cantando, fortalecem o espírito
Quando foi a última vez que você cantou?
Cantar só pelo prazer de cantar.
Tua alma precisa voltar a ser criança
Viver a vida com mais leveza
Rir, dançar e namorar
O segredo é viver o agora.
Carlos de Campos
Foto por Monique Laats em Pexels.com -
Momentos finais de um suicida
Momentos finais de um suicida
Era durante a madrugada, o silêncio pairava. Não se entendia por que Aline pensava em suicídio. Sem sinais aparentes, mergulhou em busca de uma possível solução que nunca viria. Não existe suicídio que não venha acompanhado de sinais abundantes ou fluxos enormes de conversas embutidas em metáforas e simbologias carregadas de fortes pedidos de ajuda. Não saia fazendo julgamentos precipitados sem antes conhecer todo o contexto. Somente o contexto que envolve a história da pessoa é capaz de oferecer conteúdo que indique se algo está errado ou não.
Na vida, nem sempre é como esperamos. Estamos constantemente saindo do nosso controle. Normalmente, olhamos para tudo isso e simplesmente redirecionamos, buscando novas estratégias ou soluções. Somos naturalmente mais resilientes em nos adaptarmos aos acontecimentos. No entanto, não foi isso que aconteceu com Aline naquele dia. Foi difícil para ela admitir que nada ia bem consigo mesma. Como reconhecer que se está com um problema mental e que se precisa urgentemente de ajuda? Como Aline poderia saber que, naquele exato momento, poderia não ter mais volta caso não buscasse ajuda? As vidas dos especuladores de vidas alheias parecem fáceis agora. Naquele momento, tudo o que ela precisava era de apoio.
Quando suas crises de ansiedade se tornaram frequentes, ninguém estava lá para ajudá-la. Julgavam-na e a condenavam como se tudo fosse uma mera vadiagem, como se suas alegações de estar enferma fossem aberrações para obter um simples atestado médico. Enquanto isso, o problema só crescia. Sentindo-se mal o tempo todo, os remédios já não faziam bem; seus efeitos eram nulos. Pelo contrário, contribuíam ainda mais para ideias perturbadoras. Tudo estava completamente fora de controle, e o terrível dia se aproximava rapidamente. Todos à sua volta seguiam suas vidas, supostamente felizes. Aline, por sua vez, estava há muito tempo sequestrada por sua mente doente. Ela, por si só, nada mais poderia fazer para salvar-se dessa situação.
Era de madrugada, estava frio lá fora, fazia uns 10 graus. O clima de angústia era ainda pior do que já tinha sido normalizado. Aline morava sozinha no 8º andar. Suas lágrimas de desespero percorriam seu rosto; a dor interior era imensa. Ela estava profundamente impactada por seu próprio sofrimento.
Em meio a toda aquela angústia, suas células davam os últimos suspiros, levando-a ao seu último e crucial instante de lucidez. Esse momento de pequena lucidez a fez ligar para o porteiro. Ao ouvir a voz de Aline, em meio a choro, desespero e dor, o porteiro tomou ciência da gravidade do momento. Sem perder tempo, colocou o telefone próximo ao rádio que tocava uma música e saiu correndo até o 8º andar. Chegando na frente da porta de Aline, sem demora, meteu o pé na porta, arrombando-a. Seus olhos buscaram por Aline, que ainda estava com o telefone ao ouvido, ouvindo a música. O porteiro se aproximou dela e a acolheu com um abraço forte, transmitindo segurança, enquanto pedia ajuda médica pelo celular.
Carlos de Campos

Foto por Steve Johnson em Pexels.com -
O Peso da Espera
O Peso da Espera
Solidão
Espero o movimento
Do jogo dos dados, a meu favor
Sozinho e no frio, espero
Espero, espero e espero.
Solidão!
De quem não sabe por que espera tanto
Nem imagina
O convenceram a esperar
Espera, sem saber quando terminará.
Imagem de um processo
Que nos convenceu a esperar
Enquanto de várias maneiras vão surrupiando
Nos fazendo acreditar
Que um dia chegará a nossa vez
Espero, sem questionar.
Um dia estava me perguntando:
Por que espero tanto?
O que espero tanto?
Quando foi que decidi esperar tanto?
Foi quando se aproximou de mim
Um ser místico
Dizendo baixinho: “a espera é solitária.”
Quem, em sã consciência, espera desse jeito?
Estaria louco?
Confuso?
Com medo?
Confiante?
Esperando, sabe-se lá o quê, sozinho.
Íntimo dos demônios.
Em noites frias
Sou acolhido pela solidão
Embriago-me com as minhas tristezas
Copulo com os meus fracassos
A cada momento dessa vida.
É desafiador levar essa existência para frente
Quando existem forças reunidas jogando contra
Quando os únicos amigos são imaginários
Quando a única chance que tenho
Está sendo pautada, justamente pelo que não tenho.
Tenha sempre em mente
Até os cadáveres adubam o solo
Dê tudo o que você tem, agora
Seja o adubo de sua própria história.
A solitária de uma existência
Tem duas janelas
Com duas paisagens diferentes
Em uma, os olhares são convidados
A olharem só o que se perdeu
Em outra, os olhares são convidados
A olharem o silêncio que trabalhou a terra
A escolha ao abrir as janelas de como vai olhar
É sua.
Carlos de Campos
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Assista e deixe a poesia fluir em você! 🌟🎥 -
Bomba?
Bomba?
Rendido pelo teu olhar,
Não tenho como resistir.
É ilusão qualquer tentativa
De declinar desse olhar.
Devo me apressar,
Persistir ao máximo que posso.
Permaneço inflexível em sua presença,
Diante do amor.
Quero me render ao amor,
Só não sei se é o que devo fazer.
Não sei se sei amar.
Há quem diga que o amor não existe,
Que são interações do ego e nada mais.
O silêncio se faz em minha razão.
Carlos de Campos
Bomb
Surrendered by your gaze,
I cannot resist.
Any attempt to decline this gaze
is an illusion.
I must hurry,
Persist as much as I can.
I remain unwavering in your presence,
Facing love.
I want to surrender to love,
I'm just not sure if it's what I should do.
I don't know if I know how to love.
Some say love doesn't exist,
That it's merely ego interactions and nothing more.
Silence prevails in my reason.
Bomba
Rendido por tu mirada,
No puedo resistir.
Cualquier intento de declinar esta mirada
es una ilusión.
Debo apresurarme,
Persistir tanto como pueda.
Permanezco inflexible en tu presencia,
Frente al amor.
Quiero rendirme al amor,
Solo que no estoy seguro de si es lo que debo hacer.
No sé si sé amar.
Algunos dicen que el amor no existe,
Que son solo interacciones del ego y nada más.
El silencio prevalece en mi razón.
बम
तुम्हारी निगाहों द्वारा आज्ञाकारी,
मैं सह नहीं सकता।
इस निगाह से इनकार करने का कोई प्रयास
एक भ्रम है।
मुझे जल्दी करना होगा,
जितना मैं कर सकता हूँ, विराम नहीं।
मैं तुम्हारी मौजूदगी में अटल रहता हूँ,
प्यार के सामने।
मैं प्यार में समर्पित होना चाहता हूँ,
बस मुझे यह नहीं पता कि क्या मैं ऐसा करना चाहिए।
मुझे यह नहीं पता कि मैं प्यार करने का तरीका जानता हूँ या नहीं।
कुछ लोग कहते हैं कि प्यार मौजूद नहीं है,
कि यह केवल अहंकार की अंतर्क्रियाएँ हैं और कुछ नहीं।
मेरे तर्क में शांति है। -
Água que nasce das pedras
Água que nasce das pedras
Nasce das entranhas do Alto Tietê,
Já em teu berço, mostras-te cheia de desejo,
De todo o entusiasmo.
Em tua simplicidade, escondes teu potencial,
Gigantesca é tua ação na vida humana,
Acolhendo a todos.
Rio Tietê, eis o teu nome, eis tua vocação,
Imperioso, corres livremente,
Entre morte e vida, segues o teu rumo.
Fizeste do Estado de São Paulo a tua casa,
Com teus afluentes, buscas ir ainda mais longe,
Desistir de existir, jamais!
Carlos de Campos



