Categoria: O Dado e o Divino

O Dado e o Divino reúne poemas que percorrem as regiões mais ocultas da alma humana, onde razão e instinto, luz e sombra, acaso e transcendência se encontram. Cada poema é um convite ao autoconhecimento, à reflexão filosófica e ao enfrentamento das contradições que moldam nossa existência. Uma jornada poética pelas câmaras secretas da consciência, em busca da verdade que habita entre o humano e o divino.

  • O assombroso encontro com meu eu

    Livro 9: A Profecia (Poema 03/20)

    O assombroso encontro com meu eu

    O que esperar do amanhã?

    De um dia sombrio,

    Um tempo frio,

    Suficientemente fútil.

    O que sonhar nessas noites tranquilas?

    Uma noite fria,

    Sem esperança

    Para um novo amanhecer.

    O sonho passa a ser realidade,

    Distante realidade.

    O sonho passa a ser sonho,

    Só mais um sonho.

    O distante é espetáculo aos nossos olhos,

    Aos sonhos disfarçados de ironia,

    Um sonho distante do amanhã,

    Um sonho ferido de insônia.

    Quem, sonhando, resistirá à fantasia?

    Em sono profundo sucumbirá aos seus devaneios?

    Quem, sonhando acordado, pensou: estou acordado?

    Amanhã chegará. Que fazer?

    O que dirá para si

    Quando as travas da realidade forem retiradas?

    O que pensar se o sonho não se realizou?

    Há quem diga que tudo é só ilusão.

    Carlos de Campos

  • Livro 8: O dado e o divino (Poema 02/20) Mão em apuro

    Mão em apuro

    A mão desocupada para que serve?
    Para sair da operação sigilosa?
    Para resgatar a própria integridade?
    A mão que nunca fala para que serve?

    https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/enquanto-a-solidao-me-abraca/

    Adquira seu exemplar aqui

    Livro 8: O dado e o divino (Poema 02/20)

    Mão em apuro

    A mão desocupada para que serve?
    Para sair da operação sigilosa?
    Para resgatar a própria integridade?
    A mão que nunca fala para que serve?

    Detritos amontoados em lago
    Saudoso era o tempo sem a tecnologia
    Em que a mão operava sem questionamentos
    A mão que é proibido invocar.

    O vento do sul nos traz a esperança
    orquestrada pela mão forte e invisível
    Que no estalar dos seus dedos nos coloca de joelhos
    E nos julga por seu tato decadente.

    Olhe para essa mão pesada
    Que extermina essas pobres formiguinhas
    Que não poupa nem as plantinhas
    Por puro ódio de sua própria existência.

    O que esperamos ainda de suas mãos?
    Dessas mãos que manipulam os resultados?
    Que ainda puxa arma para extorquir?
    O que essa mão tem de tão especial além de sujeira?

    A mão que abençoa
    É a mesma mão que violenta
    A mão que dá carinho
    É a mesma que silencia-se diante dos seus crimes.

    Carlos de Campos
    Reações no Fediverso