A morte
dos versos ao longo da história
Silêncio interrompido
Ouço um suspiro.
Carlos de Campos


O que existe, agora, dentro de você é angústia
E a não organização mental
O que existe dentro de você é vazio
É vazio preenchendo vazio.
O que existe dentro de você é deserto
Terra arrasada
Fome
Um frio existencial.
O que você busca?
Eu posso te oferecer.
Quer ser uma nova pessoa?
Quer sentir o seu peito repleto de felicidade?
Mas você precisa guardar esse segredo
Tudo o que vou te revelar
Nem todo mundo é capaz de administrar
Você está preparado para essa revelação?

Tudo o que contém este poema
Tem como último objetivo
Te fazer sorrir
Te encher de sentido existencial.
Leia quantas vezes for preciso
E deixe as palavras fazerem sentido
E nada mais te incomodará
Enquanto existirmos, ainda há esperança.
Carlos de Campos
Saio pelas ruas na esperança de me encontrar com você. Caminho observando atentamente; quem sabe não possa ser você que mexa com esse meu coração de pedra, um coração resistente que, incrédulo, vive em busca de um sentimento do qual nem acredita e que, mesmo sem acreditar, se põe no caminho.

Adquira seu exemplar aqui
O que me faz resistir ao amor? Além dos frequentes fracassos? Quem nunca fracassou quando precisou amar ou ser amado? O amor é aparentemente simples e complexo ao mesmo tempo. O amor é um belo jardim repleto de inúmeros bonsais, pequenos, belos, sensíveis e exigentes bonsais.
Uma pessoa, quando decide experienciar o amor, precisa ter duas coisas muito importantes em mente. Ela precisa buscar o entendimento de que está “mortamente” ferida, em um contínuo processo de mutilação por suas próprias dores existenciais. E saber que essa carga emocional, quando você menos esperar, sempre virá à tona. É aqui que mora o enorme perigo, é nesse ponto em que os mais belos bonsais que foram cultivados por anos se vão de uma hora para outra. É onde tantos nobres amores morreram. Quando permitimos que os nossos medos subterrâneos falem mais alto.
Por enquanto, esse é o meu primeiro passo: me encontrar com você. Você que compartilha do mesmo antídoto de cura, para que assim possamos nos curar mutuamente. Por enquanto, prossigo por essas ruas, expurgando de minha alma essa dolorosa realidade, para que, nesse dia, o amor possa sobreviver em nós. Antes de qualquer coisa, eu preciso me encontrar e me curar interiormente.
Carlos de Campos

O desejo que tive ontem
No último dia
Os passos estavam pesados
Estavam petrificados
No último dia eu estava assim.

Perdido em minhas ideias
Nas vazias ideias
Estava ali pensando
O que você diria sobre mim.
Longe da máxima verdade
Estou vendo mentira
O que você diz?
Além do que o bom senso dita.
Sou uma mistura de pedra
Lançada no lago da imoralidade
No passo em que tudo parou
O que vejo não é o mesmo que sinto.
No fosso desse angustiante dia
Me debato em plena mentira
No lodo do ódio que me intriga
Me desfazendo em completa ilusão.
Veja outros poemas aqui

Tudo é o puro desejo de poder
Fujo desse sujo desejo pelo podre poder
Na infâmia de me levar para junto de você
Sou a sujeira refletida nesse tempo difícil.
Carlos de Campos

Você sou eu
Morrer é necessário para que a vida tenha força,
para que o tempo não te congele na história.
Percebe que ficar parado não te movimenta?
Que os movimentos são calculados?
Que a insistência é o remédio para a vida?
O mar é feito de movimento,

de sonhos que estão nas profundezas do seu interior,
no mais profundo do profundo que você possa alcançar.
Toca a alma, a tua alma.
Teu toque que toca o teu tocar,
no movimento do teu andar,
andar no estado mais puro da minha alma.
Morrer para tudo o que te faz mal.
Morrer para o que não te eleva.
Precisamente, a mente entende
que a saída é sair todo dia
e deixar-se tocar pelos raios da vida,
pelo simples caminho que caminho.
O que vejo é visto por todos.
O que sinto é sentido só por mim.
No caminho que caminho, eu caminho só,
solitário por entre as paredes
que barram os raios do sol.
Um dia a mais de desejos,
de vontade de estar com você.
Você sou eu.
Nossos caminhos se cruzam o dia inteiro.
No caminho, desejo estar contigo.
No barco da vida, estou afundando,
gemendo sem ser ouvido.
E, quando ouvido, somos simplesmente ignorados.
No barco da vida, quem sou eu, afinal?
No barco da minha vida, sou eu,
impulsionado pela paralisia,
comprimido por minhas escolhas.
No barco da vida, eu sou a escolha?
No barco que afunda,
quem sou eu nesse barco?
O barco da solidão.
O barco do amor não correspondido.
Na triste escolha que fazemos pelo caminho,
caminho que vamos descobrindo,
que vamos observando tudo ao nosso redor.
Oh, destino destilado de incoerência,
de irracionalidades racionais,
de sexo sem cumplicidade,
de êxtase sem percorrer o caminho,
da vida eterna sem a morte,
da mudança sem o transtorno da transformação.
A vida é um fragmento,
um pedacinho de uma pedra preciosa.
A vida somos nós buscando, dia e noite,
por esse pedacinho de pedra preciosa.
De ilusão em ilusão,
chegamos ao equilíbrio primordial,
e, ao mesmo tempo, somos nada.
Porque, no final,
é o caminho quem nos ensina.
Carlos de Campos

Enquanto o esquecimento me rondar, eu estarei aqui
Estou cada dia mais esquecido de quem eu sou
Eu sou um beija-flor beijando os seus doces lábios
O que não sou é alguém que se recorda da própria vida
É a vida passando pelas minhas retinas
Preparo o meu chá cotidiano
Só não estou preparado para morrer.
Carlos de Campos

Sou só mais um infeliz
Os loucos dias que não voltam mais
Na curva dessa estrada
Sei o que passou e não voltará mais
Nunca mais retornará
Resta saber quando tudo isso aconteceu
O horizonte se desfaz diante de mim.
Carlos de Campos

Vi quando você me olhou
Quando os nossos sentimentos se colidiram
Sozinho me encontrei aqui
Lá fora percebi que você caminha livre.
Carlos de Campos

Eu vejo o passado me assombrando
Uma sombra recai sobre mim
Quem sou eu nessa batalha terrível?
Sou nada além de um abismo.
Carlos de Campos
