Categoria: Poesia Geral

  • Um cara normal

    Um cara normal

    Para que ninguém fique de fora,
    Uso e abuso
    Do tempo.

    Carlos de Campos

    Um cara normal
    Um cara normal
  • Chega

    Chega

    Um passo de cada vez,
    Delírio constante,
    A paz não se compra.

    Carlos de Campos

    Chega
    Chega
  • Infiel, 22,10%

    Infiel, 22,10%

    Problema de qualidade,
    Desejos insalubres,
    Tortura do pensamento,
    Infiéis em nossa rotina.

    Carlos de Campos

    Infiel, 22,10%
    Infiel, 22,10%
  • Adaptação

    Adaptação 

    Ocorre um acidente,
    Dentre os envolvidos está Nanda,
    A minha melhor amiga.
    Busco no local maiores informações: nada.

    Vou até o hospital,
    Ninguém quer falar comigo.
    Fico ali, inerte,
    Sem saber como.

    Não existe coisa pior
    Do que a preocupação sem perspectiva,
    Mãos vazias.

    A vida sempre estará nos surpreendendo
    Com momentos bons e ruins.
    Precisamos nos adaptar.

    Carlos de Campos


    Adaptação
    Adaptação
  • Não me toque

    Não me toque 

    Ouço
    Silêncio total
    Gritos seguidos de tapas
    Nenhuma comoção no dia seguinte.

    Sozinha, pela madrugada fria,
    Espera o tempo conter-se,
    Sem ter para onde ir,
    E a ninguém recorrer.

    "Marias", são tantas,
    As abandonadas e esquecidas,
    Usadas e descartadas.

    Ser forte,
    "Marias", em busca de proteção,
    Sonham em viver num mundo seguro.

    Carlos de Campos
    Não me toque
    Não me toque
  • Mover-se

    
    
    
    
    
    Mover-se

    Em uma nova vida,
    O sonho é o combustível.
    Dependências que nos levam adiante,
    Precisamos estar em movimento.

    Movimento que nos faz ir longe,
    Passos que, neste momento, fazem a diferença.
    A vitória só existe por causa do movimento,
    Seja brusco ou leve, tanto faz.

    As pessoas se sentem presas,
    São mais angustiadas,
    Uma vida triste.

    Um desses dias irei sorrir,
    Serei feliz,
    Tudo vai passar.

    Carlos de Campos

    Mover-se
    Mover-se
  • Convite

    Convite 

    Rede em uma sombra,
    O que mais posso querer?
    Sombra e água fresca,
    Agora, só me falta um amor.

    Aqueço o coração com novos versos,
    Além do destino,
    No mar revolto da vida,
    Além de toda a tristeza.

    Vê, existe um poema
    Que fala diretamente ao teu coração,
    Revelando as maravilhas aos nossos olhos.

    Pode até parecer uma obviedade,
    Na correria, nem o óbvio enxergamos,
    O ordinário, tantas vezes, torna-se extraordinário.

    Carlos de Campos

    Convite Rede em uma sombra,
    Convite Rede em uma sombra,


  • O trem do fim

    O trem do fim 

    Sua mão cansada dá sinais do seu último suspiro. É chegada a hora, a hora tão esperada. Sim, quantas noites sem dormir, dias sem viver, só ruminando como seria esse dia, me debruçando sobre o que já era muito óbvio: que esse dia chegaria.
    Nesse momento, em que nada mais importa, sou tomado por uma paz entre a falta de ar e os apitos estridentes das máquinas que me mantêm minimamente vivo. Sou abruptamente convencido pela existência a agradecer pelo dom de minha vida.
    Quem é que teve uma vida longa e plena? Há vidas e vidas, e nenhuma é igual à outra.

    Seu rosto pálido é absorvido por uma profunda meditação. Se contorcendo por causa das dores pelo corpo e da agonia, entre delírios, vai se aproximando do fundo do poço existencial. Caminhando rumo ao desconhecido, aspecto que muito me atormentava, caminho tão esperado e pouco desejado, rumo certo para todos e ignorado por muitos.
    No entardecer daquele dia, pude sentir o trem do fim se aproximando, pude ouvir, quase com uma nitidez surpreendente, o tilintar do apito, que soava como se estivesse sendo tocada a Nona Sinfonia de Beethoven. Esse é o único momento em que não existe medo, por já estar no colo confortável onde fomos colocados. Só resta, agora, a certeza de que esse é um momento único que precisamos vivenciar, vivenciar para que a vida possa ser prolongada. Não, viver porque essa é nossa última oportunidade, doce ilusão.
    Observo que já não existe medo em mim, nem qualquer confusão, desejo de fuga. Sinto que estou em uma grande harmonia. Agora, tudo o que tenho é essa paz que me toma pelas mãos, o amor que me aquece em um equilíbrio fino de todo o processo em que estou envolvido, não por minha vontade, mas agora estou sem ter como voltar, simplesmente vivendo esse momento. Emergido em uma maravilhosa compreensão, nem mais me importo com as possíveis consequências para onde tudo isso vai me levar, só vou sendo levado e experimentando cada segundo.

    Urge, o tempo se aproxima e tudo foi preparado com muita delicadeza. O momento chegou e é hora de se despedir deste mundo, os últimos segundos, os últimos suspiros, olhos pesados, uma brisa leve a tocar meu rosto. O silêncio se acomoda ao meu lado. Pronto, tenho que ir embora. Silêncio.

    Seu corpo frio vai sendo conduzido, onde toda a matéria orgânica será reduzida a pó.
    Pensar sobre isso é um tanto incômodo, perceber que todos os esforços de lutas, promoções no trabalho, estudos em universidade, fama, dinheiro, simplesmente se acabam em um lugar comum a todos: a morte.
    Seu funeral me leva a uma reflexão: ‘O que é a vida quando não lhe damos um sentido comunitário? O que é a vida se não a extrapolamos, além do nosso próprio umbigo?
    O mais triste de uma vida é ter morrido sem ter deixado uma marca positiva na história.
    O despertador toca. Apesar da preguiça, preciso me levantar e ir trabalhar. Sem deixar cair no esquecimento esse sonho que me faz reconsiderar a minha simples existência.

    Carlos de Campos
    O trem do fim
    O trem do fim
  • Procuro e não encontro

    Procuro e não encontro

    Encontrar o quê?
    Procurar o quê?
    Já me esqueci.

    Carlos de Campos
  • O que se espera?



    O que se espera?

    São os mesmos
    Vivem na interminável via crucis
    Repetimos o gesto de Pôncio Pilatos.

    Carlos de Campos