Ódio visceral
Nuvens sobrecarregadas
Transformando o dia numa noite fria
Cordialidade violentada.
Identificado com o mau
Gaba-se de atos violentos
A todo tempo desdenha da justiça.
O fracasso em sua vida é o seu alimento
É o que dá sentido às suas perseguições
Buscando intimidar apenas os mais vulneráveis.
“Poder”, é o que acreditam ter
Deixam suas fraquezas expostas
São consumidos por seu ódio doentio.
Carlos de Campos
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Covardia
Onde o medo fala mais alto
Perdido entre os escombros
O covarde trabalha nas sombras.
A mordaça machuca a boca
Cano da arma na cabeça
Sangue escorre na calçada.
Baleado no peito
O socorro dá preferência ao CPF
Sangue nutrindo a violência.
Quando tudo isso acabar
O medo for vencido
E o terror superado.
Sangue, posso sentir o seu cheiro
Na vala comum onde me encontro
Cravejado de balas está o peito da pobreza.
Carlos de Campos
Opa
Morar no Brasil
Um misto de contradições
Perturbações
Uma vida de solidão.
Sonho que não se realizará
Desenvolvimento, não acontecerá
Pela mentalidade pequena
Por tudo girar entorno do próprio umbigo.
Quem sabe, um dia
Seremos tomados pela grandeza
E erradicaremos toda pobreza ?
A fome será uma distante recordação desagradável
E a justiça social é quem prevalecerá
Um sonho que preciso continuar sonhando.
Carlos de Campos
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Vilão brasileiro
Maracutaia
Escondem sem vergonha
A manifestação de gafanhotos
Quer destruir a democracia.
Querem emergir do submundo
Para usurpar o bom senso
Tomar o Brasil dos brasileiros
Honrando a torturadores.
Trabalham nos esgotos
Entre escombros
Cooptam mentes com mentiras
Almejando o caos e o regresso.
Nação !
Desperte desta sonolência
Ditadores e torturadores ainda conspiram.
Carlos de Campos
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Mão de obra
O amanhecer chega
E, com ele, um novo dia
Um dia de trabalho
Para os que ainda têm.
Um dia para garantir a subsistência
Para, quem sabe, ter o que comer no fim do dia
Um dia para se trabalhar com dignidade
E não para se tolerar abusos no trabalho.
O trabalho precisa sustentar a vida
Dignidade e alegria
É só o que pedimos.
Mão de obra
É do que depende o desenvolvimento social
Respeito ao trabalhador acima de tudo.
Carlos de Campos
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Sol em sangue
Movimento perturbador
Em que o sol sangra
Levando o dia a tornar-se noite
Abastecendo o necrotério.
Calados estão os vivos
Sofrendo em permanecerem vivos
Vidas customizadas
Verdades esquecidas.
Levaram o sol pela manhã
Para sempre o fizeram
Fizeram sem ao menos pensar.
Jogaram o jogo da injustiça
Jogaram sem o meu consentimento
Jogaram com brutalidade.
Carlos de Campos
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Recomeços
Mas, deixem o sol brilhar
Dando visibilidade as estrelas
Impossível é não se admirar
Dessa beleza única e verdadeira.
Deixem o sol brilhar
Em um espetáculo raro
Nutrindo com sua poderosa presença
Magnifico é o sol, pelos quatro cantos do planeta.
Pleno está o sol nesse dia
Sem descanso, nos aquece
Produzindo vida com sua energia
É vida fluindo em abundância.
Impossível é não perceber
Sua importantíssima missão
Se consumir dia e noite
Para que seres sigam vivendo.
Mudanças acontecendo
Corpos celestiais se aproximando
Dançam na presença do sol.
Dançam a dança da vida
Dos fluidos que vão sendo estimulados
Despertando mais um novo recomeço.
Carlos de Campos
Impiedosa é a vida
Ímpeto.
Capaz de dominar a mente
Destruir a paz
Banalizar a maldade.
Destruir o amor
Desligar-se da realidade
Debater-se em delírios
Dominado pela impiedade.
Perdido em pensamentos
Interiormente atormentado
Cada dia marca um novo passo
Longe do bom senso.
Em tempos atordoados
Corridos e frustrados
Em pleno declínio
Acabado no egoísmo.
Impiedoso e delirante
Levado pela onda
Trava-se mais uma luta
Uma luta interna e decisiva.
Procuro na escuridão
Uma simples fagulha
Para, quem sabe, aquecer
O que a vida fez questão de esquecer.
Carlos de Campos