Categoria: Poesia Geral

  • Devo ficar em silêncio

    Devo ficar em silêncio 
    
    Intimidação 
    O desespero pode ser visto 
    Calado no rosto 
    Torturado. 
    
    Em nada se compara 
    Devo ficar em silêncio 
    Para ter um minuto de paz
    Paz, exageradamente armada. 
    
    Devo ficar em silêncio 
    O silêncio dos justos e inocentes 
    Mortos e torturados em todo o tempo
    Um minutinho de serenidade. 
    
    Paz, conceito opressor 
    Devo ficar em silêncio 
    Escondido nos escombros do submundo
    Quero paz, ainda em vida. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Mariana Montrazi em Pexels.com
  • Intimo da alma

    Intimo da alma 
    
    Intimo de nossa alma 
    Beleza irradiante no ser 
    Ateando o fogo do amor. 
    
    Deleito-me 
    No banquete fraternal 
    Em que somos todos iguais. 
    
    Deus é o movimento primeiro 
    É quem nos dá a própria vida
    É quem nos diz: Você é Deus. 
    
    Deus dos vários nomes 
    Mistério para nós 
    Que se desvê-la em nós. 
    
    Amor 
    Manifestado em nossos escombros 
    Por nós amado e desprezado. 
    
    Deixem o amor conduzir 
    Ouça sua voz a sussurrar em seu peito 
    Te chamando o tempo inteiro. 
    
    Intimo de nossas almas 
    Amigo fiel 
    Presença que acolhe. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Eric Sanman em Pexels.com
  • Tempos incertos

    Tempos incertos 
    
    Descomunal 
    É o reflexo do medo 
    De um futuro incerto. 
    
    Incerto 
    Como é a vida 
    É como é. 
    
    Deixado para trás 
    A vida como é 
    Vida desgastada. 
    
    Geradora de medo 
    Balanço da angústia 
    Inconveniente. 
    
    Pensamento tóxico 
    Utilitarista da vida passageira 
    Desequilibrada. 
    
    Sigo com medo 
    Como é viver 
    Até logo mais. 
    
    Incerto 
    É as incertezas desse nosso existir 
    Seja do hoje ou do amanhã. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Liza Summer em Pexels.com
  • Falta sentido

    Falta sentido 
    
    O bom senso se esvaí 
    Levando embora a civilidade 
    Induzindo a barbárie 
    Tudo que conhecemos se vai. 
    
    Esvaindo 
    Se vai toda a lógica 
    Fazendo que nada faça sentido 
    Deixando-nos sem sentindo. 
    
    Jogo com a própria vida 
    Vida vazia 
    Deprimida. 
    
    Tudo vai se esvaindo 
    Na medida que não sinto mais nada 
    Só o cinismo. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por SHVETS production em Pexels.com
  • Lento que o próprio tempo

    Lento que o próprio tempo 
    
    Lento 
    Como descrever?
    Desculpa 
    Estou lento. 
    
    … L… e… n… t… o…………..
    Minha lentidão 
    Paradoxo em que vivo
    Tudo rápido, eu, lento. 
    
    Diferente dos outros 
    Me sinto lento 
    Absurdamente 
    Lento. 
    
    Os dias passam
    Me sinto ainda mais lento 
    Lentidão que me absorve
    Sem saber como sair. 
    
    Difícil 
    Mais tenho que deixar 
    A lenta e mortal 
    Silenciosa lentidão.
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Stas Knop em Pexels.com
  • Nem o amor salva

    Nem o amor salva 
    
    Ofegante 
    Cada dia 
    Fica mais difícil de respirar 
    Me sinto sufocado. 
    
    Hoje 
    Consegui respirar melhor 
    Impaciente me encontro 
    Diante de tantos desencontros. 
    
    Falta-me paciência 
    Após tantos talvez 
    Batendo em mim o desespero
    Preciso tentar me acalmar. 
    
    Longe 
    E caído 
    Me sinto distraído 
    Perdido, enfim. 
    
    Na janela existe um vidro quebrado 
    Em meu peito bate a solidão 
    Ficando mais difícil de respirar 
    Sem poder sentir o teu abraço. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Alina Skazka em Pexels.com
  • Nossa maneira de pensar a vida

    Nossa maneira de pensar a vida 
    
    São mil as maneiras de pensar sobre a vida 
    Em que a minha maneira é uma dentre muitas 
    Existe a nano-compreensão 
    Diante do macro-organismo que é um existir. 
    
    São mil as maneiras de pensar sobre a vida 
    Uns certos 
    Outros errados 
    Uns quem sabe um tanto equivocado. 
    
    São mil as maneiras de pensar sobre a vida 
    Houve, quem matou para impor uma opinião 
    E quem liderou para garantir a libertação. 
    
    São mil as maneiras de pensar sobre a vida 
    São mil as maneiras de respeitar o outro 
    E uma única maneira de ser um ser humano digno. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Tomas Anunziata em Pexels.com
  • Um coração que sofre

    Um coração que sofre 
    
    No desejo absoluto 
    Entrego o coração 
    Na mais triste desilusão 
    Mergulhar de cabeça nunca é bom. 
    
    Nem tudo são flores 
    Existem desamores 
    Nem tudo é como gostaríamos que fosse 
    O ideal é estar fora dessa fossa. 
    
    Flores despedaçadas no jardim 
    É como anda o coração 
    Frio e quase sem vida 
    Na mais sórdida solidão. 
    
    Quando o coração se entristece 
    Pede para que todo sofrimento cesse 
    Vai deixando pedaços pela vida 
    Cheio de agonia. 
    
    Ao coração me dirijo 
    No mais profundo do ser 
    Quem um dia amou 
    Hoje, somente sofre. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Gu Bra em Pexels.com
  • Prevalece a verdade

    Prevalece a verdade 
    
    Ligações deterioradas 
    Revelam mais quem somos 
    O que queremos 
    E tudo a cada dia fica mais estranho. 
    
    Migalhas vamos colhendo pelo caminho 
    Eco é só o que encontramos 
    Distorções nas informações 
    Vão sendo deixadas para trás. 
    
    No cabide do quarto tem um casaco 
    Se consegue ver 
    Um envelope de cor azul 
    Quais devem ser as reais intenções?
    
    Nega ser o dono 
    Do casaco pendurado no cabide do quarto 
    De portar um envelope azul 
    De ser quem dizemos que é. 
    
    Pare com as mentiras 
    Querendo ou não, a verdade prevalecerá 
    Confia no tempo 
    No final confessará. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Karolina Grabowska em Pexels.com
  • Lugares desconhecidos

    Lugares desconhecidos 
    
    Nada e ninguém 
    Deve-se impor sobre o outro 
    Com sua deselegância 
    Mentiras ou contradições. 
    
    As pessoas estão inflamadas pelo ódio 
    Pela desigualdade social 
    Injustiças gratuitas 
    O mundo segue doente. 
    
    Seguem cultivando ainda mais o ódio 
    Desejando vingança 
    Tomados de incoerências. 
    
    Hoje, a sociedade segue por um caminho perigoso
    Buscando inevitavelmente sua própria instição
    Quem vive com ódio, morre pelo ódio. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Paolo Margari em Pexels.com