Categoria: prosa poética filosófica

  • Procura-se por um amor

    Procura-se por um amor

    Saio pelas ruas na esperança de me encontrar com você. Caminho observando atentamente; quem sabe não possa ser você que mexa com esse meu coração de pedra, um coração resistente que, incrédulo, vive em busca de um sentimento do qual nem acredita e que, mesmo sem acreditar, se põe no caminho.

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    Enquanto a solidão me abraça
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    O que me faz resistir ao amor? Além dos frequentes fracassos? Quem nunca fracassou quando precisou amar ou ser amado? O amor é aparentemente simples e complexo ao mesmo tempo. O amor é um belo jardim repleto de inúmeros bonsais, pequenos, belos, sensíveis e exigentes bonsais.

    Uma pessoa, quando decide experienciar o amor, precisa ter duas coisas muito importantes em mente. Ela precisa buscar o entendimento de que está “mortamente” ferida, em um contínuo processo de mutilação por suas próprias dores existenciais. E saber que essa carga emocional, quando você menos esperar, sempre virá à tona. É aqui que mora o enorme perigo, é nesse ponto em que os mais belos bonsais que foram cultivados por anos se vão de uma hora para outra. É onde tantos nobres amores morreram. Quando permitimos que os nossos medos subterrâneos falem mais alto.

    Por enquanto, esse é o meu primeiro passo: me encontrar com você. Você que compartilha do mesmo antídoto de cura, para que assim possamos nos curar mutuamente. Por enquanto, prossigo por essas ruas, expurgando de minha alma essa dolorosa realidade, para que, nesse dia, o amor possa sobreviver em nós. Antes de qualquer coisa, eu preciso me encontrar e me curar interiormente.

    Carlos de Campos

  • Noites sombrias

    Noites sombrias

    Viva a ditadura militar brasileira.
    Viva a resistência popular do Brasil.
    É sangue de inocente que alavanca a nossa democracia.

    Carlos de Campos
  • Vi Deus face a face

    Vi Deus face a face

    Estava observando a rua vazia.
    Vi o meu vizinho chato pra caralho
    e reconheci nele meu divino redentor.

    Carlos de Campos
  • Números

    Números 

    No zero me desfaço
    O ser existe
    Zero no caminho.

    Carlos de Campos
  • Livro 15: O Menino do Caos (Prosa 01/60) O destino está lançado

    Livro 15: O Menino do Caos (Prosa 01/60)
    O destino está lançado

    O destino do homem está lançado. Não há mais nada que se possa fazer. Tudo entrou em erupção. Entramos em turbulência com apenas um motor funcionando.
    O que não devemos fazer neste momento? Não devemos tratar o aquecimento global com desprezo. A cada omissão, a cada mentira que continuarmos a reproduzir, com mais força sofreremos o castigo.

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    Em noites de solidão, estarei aqui

    Insistir em não reconhecer o problema é obstaculizar nossa única chance de fazer com que os prejuízos fiquem apenas no âmbito material e não avancem para uma tragédia ainda maior, comprometendo a vida das pessoas.
    Durante todos esses longos anos, procuramos não olhar para o problema e até fingimos que tudo não passava de um blefe científico. Chegou a hora de pagar à natureza a conta de nossos desmandos e maus-tratos. Não temos mais como adiar esse encontro terrível, em que, de um lado, está a fragilidade humana, aprisionada em um ego inchado, e, do outro, uma natureza que, por séculos, foi amigável, mas que agora está fora de controle. Com força total, teremos de experimentar o seu poder.

    O que fizemos com a natureza? Será que valeu a pena, diante de tudo o que nos espera? O que, de fato, dependia de nós? Quem é, de fato, o culpado por o clima estar assim?
    O que podemos fazer agora para, pelo menos, amenizar os danos colaterais? Precisamos, acima de tudo, unir-nos em torno da causa ambiental, mais do que nunca.

    Carlos de Campos