• Diário de uma mente esquecida

    Diário de uma mente esquecida

    Meus sonhos me distanciavam da realidade, me levavam a envolver-me com a magia e com uma guerra que eu tanto temia. Em sonho, eu me agarrava a um único plano para permanecer vivo. Tudo era sinistro, diferente do mundo que eu conhecia. Os passos que eu ousava dar eram passos angustiantes, cheios de incertezas. Tudo era muito instável, mas era preciso prosseguir.

    Ondas gigantes se levantaram contra mim, fazendo-me correr ainda mais, sem direção. Correr, correr. Estou cansado, quero voltar à realidade, quero estar acordado e constatar que tudo não passou de um sonho. Um sonho baseado em fatos reais, em fatos ideais, em ideias que não nos fazem avançar e que nos fazem permanecer presos em lodos inconscientes. Diante de tudo isso, eu me desespero.

    Estou me afogando, já não sei mais dizer o que é sonho ou realidade, o que parece acaba e continua. É uma guerra repleta de magia e ilusão. São heranças malditas cristalizadas em nossas vidas. É um tempo distante. Procuro entender, interagir com o meu dilema, com o meu pesadelo que mais se apresenta sendo a realidade — uma realidade promíscua que ando vivendo todos os dias.

    Carlos de Campos

    Foto por Mariana Montrazi em Pexels.com
  • Destemido e fulminado pelo medo


    Destemido e fulminado pelo medo

    O medo vem e toma posse dos nossos corações.
    Vem na escuridão da madrugada,
    no descanso de nossa alma.
    Vem e se aloja em nossa história.

    Neste momento, somos levados por essa influência.
    Por esse destino sombrio somos conduzidos.
    Sem nenhuma chance, nem resistimos,
    estamos à mercê desse inimigo invisível.

    Infiltrado em nossa mente,
    está sob seu domínio a nossa vontade,
    a nossa profunda decisão.
    Não temos mais acesso.

    Esse é um vírus maldito,
    o vírus do medo,
    que nos leva às conclusões erradas,
    deixando-nos com essa marca.

    O medo nos fala ao coração,
    fala com um certo rancor,
    fala em morte...
    em desespero...

    Fala com a autoridade de quem nos domina,
    o medo que pulsa em nossa lembrança,
    esperando o momento certo para nos atacar
    e assim nos exterminar.

    Carlos de Campos
    Foto por Nothing Ahead em Pexels.com