O precioso valor da vida, vida que é constantemente ferida por nossa existência vazia, que insiste em resistir ao frio.
O frio da indiferença, que nos condena, nos massacra — frio da ignorância.
A vida é preciosa. A vida de quem? A vida que vive de restos de dignidade? A vida que não se permite ser feliz?
O que é a vida? É a vida encontrada na latrina? É a vida que vocês querem que eu viva? Ah! O que eu sei é que a minha vida não é preciosa.
Não existe dignidade onde há tanto desprezo, onde ser indiferente faz toda a diferença — e é sempre o melhor jeito. A vida é preciosa, sim! Só que é a vida dos 1%.
O nosso silêncio nos trouxe até aqui, onde mais de 90% prefere a indiferença. É a nossa marca registrada: ser uma nação submissa, que só vive reclamando, mas prefere levar a vida na mais pura omissão.
Só em mais um dia, essa solidão que insiste em ficar fica, a todo instante, a me recordar que este é mais um dia em que estou só.
Somente eu e a minha solidão, solidão só, com sua presença — presença fria, distante de nós.
Minha cara solidão, então vem, me abrace a noite inteira, me faça senti-la até os sentidos sentirem o que já não existe mais.
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A solidão é noite passageira dos nossos sonhos tardios... O sonho de uma noite de solidão.
É mais uma noite, e estamos sós: somente eu e a minha solidão, eu — e toda essa multidão.
No anoitecer, você chega, chega em silêncio... em um silêncio eloquente. Você se aproxima e me abraça a noite inteira.
Carlos de campos
Deixe sua visão sincera sobre o poema — ela vale ouro! Gostou? Não gostou? Sentiu algo? Ficou indiferente? Toda opinião aqui é bem-vinda. Sua leitura, mesmo em poucas palavras, ajuda a poesia a respirar fora da minha solidão e a encontrar novos sentidos. Comente com o coração. Seja qual for sua visão, ela importa.
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