• Coletivo em estado desfragmentado




    Coletivo em estado desfragmentado

    Modo “desisto”:
    é como estamos.
    É fluido em sensações —
    as próprias sensações.

    É fluido em sentimentos —
    nos próprios sentimentos.
    É a incerteza sendo incerta
    no instante em que estou certo.

    Instantes instáveis
    da verdade que nunca foi verdade,
    dos desejos sem desejos,
    em que tudo está instável.

    Dos que se acham donos do mundo,
    do mundo perdido entre destroços —
    destroços de uma vida infeliz,
    feliz pelo fracasso.

    Instável!
    Certo de que tudo segue o seu destino:
    instinto faminto,
    instável formidável.

    Certo de que o mundo está fracassado,
    ferido de morte
    pela nossa dúvida.
    Coletivo fluido —
    é o que nós somos.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Um mundo de instantes fracassados



    Um mundo de instantes fracassados

    O mundo me fere a todo instante.
    É ferida profunda,
    É dor que dói o dia inteiro,
    São mutilações ordenadas.

    Ordinárias.
    O mundo me fere o dia inteiro,
    Me vicia,
    Me assedia.

    No mundo, existe o meu mundo:
    Desinteressante.
    Um mundo constantemente afrontado,
    Ridicularizado.

    Um mundo em que não tenho privacidade.
    Privacidade?
    Foda-se o meu mundo —
    O mundo das fornicações virtuais.

    Desinteressante é o nosso mundo:
    O mundo da instabilidade mundial,
    O mundo doente de fracasso,
    Ferido por lembranças.

    Ferido de egoísmo.
    O mundo me fere a todo instante.
    Desinteressante é o mundo.
    Cabe a nós mudarmos esse mundo — a todo instante.

    Carlos de Campos
    Foto por Khaled Ashgr em Pexels.com