• Arte de ser arte

    Arte de ser arte

    O tempo e a vida
    Suaves se confraternizam,
    Indo e desatando.
    Sou, como dizem, artista.

    Partindo, já não volto mais,
    Fiel à sua dor.
    Sou o que dizem: artista.

    De maneira envolvente,
    Escuto a voz que me fala ao coração.
    Dos dias tortuosos,
    Me revela as soluções.

    Desejos ocultos me dominam;
    Desde o amanhecer, me influenciam.
    Sou o que dizem por aí: artista.


    Leveza de artista,
    Filarmônica do destino,
    Ilustre desconhecido,
    Sou artista!

    E o que sinto fica pulsando em meu peito.
    Borboletas sobrevoam minha cabeça
    E, com arte,
    Revelam a minha arte.

    Carlos de Campos

    Foto por Alexander Zvir em Pexels.com
  • O teu olhar

    O teu olhar

    O teu olhar me fascina
    Desejo incompreendido,
    Instinto primitivo,
    Mergulho na alma.

    O desejo desorientado,
    Falange de vozes atordoadas,
    Impróprio para os que confiam.
    De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.

    Não existe medo em meu coração,
    Nem a mais doce imaginação.
    Na minha carcaça, não existe alma,
    Só existe sombra e lamentação.

    Ímpeto repleto de vontade,
    Possuído por reles manifestações
    Que vêm do mergulho que faço
    Na fossa do meu ser.

    Dominado por uma breve lucidez,
    Tomo um susto!
    Ao ver o mundo entregue às traças,
    Uma sociedade falida.

    O delirante modo de vida que me convida,
    Estar afogado em meus problemas
    Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores.
    Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.

    Carlos de Campos

    Foto por Paweu0142 L. em Pexels.com