Tenho muito medo de dar o próximo passo As certezas me fazem ver um futuro sem esperança Porque, hoje, são as lamentações que me alcançam Minha vida segue improvisada no romântico malabarismo.
Tenho medo de que o malabarismo que pratico não dê certo Que a construção do meu futuro não tenha vista no presente Que os fundamentos do alicerce estejam em uma vida sem equilíbrio É difícil, chega a ser intolerável.
É na busca destemida Mesmo quando as mãos já não sustentam E o frio que sinto seja por causa da ausência da emoção ferida Deito-me, adormeço tentando esquecer.
Na falta de vontade Dos insucessos alcançados O sumiço do ânimo é real O que resta é a grade fria dessa cela.
No caminho diário se faz presente A não-presença da resistência o fortalece Destruindo tudo o que encontra Asfixiando até a morte.
O medo do próximo passo A ilusão do falso progresso De uma intimidade corrompida Pelos lapsos dos dias que passam.
Quero acreditar que minha vida tenha jeito Que seja possível o meu encontro com a liberdade Ser quem sabe um dia o que sonho Um passo de cada vez para que o sonho se realize.
Um passo certo e com segurança Elevando o meu pensamento para o foco principal No sonho que vai sendo lapidado E da própria vida, você se torna escultor.
Pode existir fracasso que persista? Se você não se deixa abalar pelas contradições da vida? O melhor da vida não é a busca que fazemos todos os dias? Não são as buscas que nos movimentam e nos fazem experimentar novos ares de esperança?