Dom precioso
Existência
Existência decadente
Estamos longe de dias melhores
Sem data para tranquilidade.
Frágil
Odiamos constatar essa nossa condição
Essa nossa infeliz realidade
Somos tão frágeis e não queremos nem saber.
Acolher essa verdade
É o melhor que podemos fazer
Peso a menos para carregarmos
Conflito dentro de conflito para nos preocuparmos.
A morte é, quem sabe, o nosso único descanso
É o momento de ser esquecido
É o encontro com o silêncio absurdo
É o silêncio que abraça todo mundo.
Ninguém sabe o que é melhor para si
Nem qual o melhor caminho a se tomar
Só vai deixando o tempo passar
Mesmo sabendo que sabe que não quer saber.
Carlos de Campos
Viver como se quer morrer
Tudo próximo
Bem próximo
Tudo próximo demais.
A vida é tão próxima da morte
A amizade é próxima da intriga
Basta um único mal-entendido.
Uma palavra distorcida
Um olhar atravessado
Um suspiro fora de hora
E tudo vai ficando próximo da morte.
Há quem goste de viver no fio da navalha
E sua alegria é desafiar a morte
Viver como quem quer morrer
E morrer como quem viveu, até o próximo desafio.
Carlos de Campos