É corrida às cegas, cega como nossa ilusão. Quando percebemos, tudo se foi, foi com a mesma rapidez com que chegou.
Morrer é o caminho natural da vida, de uma vida que insiste na rebeldia, na rebeldia que só reproduz caos, caos de uma vida cega pela ambição.
Não é minha responsabilidade salvar o mundo. O mundo é um ser vivo que sabe se proteger. Cada pessoa sabe sobreviver, e cada escolha tem a sua consequência.
O que aconteceu com a gente? A gente que era gente, e agora somos que tipo de gente? Agentes do caos é o que somos?
O que estamos esperando? Quando retomaremos nosso equilíbrio elementar? A nossa capacidade de nos reorganizar? De investir mais em princípios e menos no caos?
Liberdade é a sensação de leveza. Mesmo diante do caos, se permanece leve. Nas contradições da vida, se mantém em equilíbrio. Na morte, se encontra com a vida.
No terreno abandonado, ossos foram escondidos. Investigações mal feitas dão conta do que querem esconder. Ossos enterrados em um terreno abandonado. O que precisam esconder? A quem pertencem esses ossos?
Todas as manhãs perdidas, evitando ser descobertas, perdidas em pensamentos. Que pensamentos são esses que nos fazem descuidar da própria vida? Uma vida negligenciada pelo ciúme.
Os dias passam depressa, lentos quanto o meu sucesso. Os ossos escondidos nos apavoram. Tudo não passou de um sonho, sonho acordado, sem direção, sem êxtase… sem verdade… Tudo não passou de uma fantasia de um sonho escondido em um terreno baldio, instante antes de ser descoberto, de estar livre, enquanto existir um novo amanhã.