• Morrer aos poucos


    Morrer aos poucos

    Pouco a pouco, tudo se vai,
    Sem encontrar barreiras, se vai.
    Tudo é instável,
    Perdemos o chão.

    Lealdade para com o existir
    É como a brisa batendo no rosto,
    É chuvisco de uma noite de outono.
    Para além de viver, é preciso existir.

    O que precisamos focar?
    Olho para esse belo jardim,
    Suas flores estão murchas.

    Compreendo o meu lugar nessa vida,
    Distante do que sonhei.
    Hoje, existo como posso.

    Carlos de Campos
  • Nós estamos muito cansados


    Nós estamos muito cansados

    O empecilho na estrada
    Nos impede de ver,
    De sentir,
    De existir aqui.

    Tenho o que não preciso,
    A distância me irrita,
    O fôlego diminui,
    Sinto-me exausto.

    Reúno a coragem,
    Coragem para persistir,
    Insistir em continuar respirando.

    Respiro a pureza do existir,
    Da vida que nos faz teimar
    E que nos leva a prosseguir.

    Carlos de Campos