• Um olhar atento para dentro


    Um olhar atento para dentro

    Morte como obediência de uma vida,
    Vejo escapando de minhas mãos
    Na neblina que turva a minha vista,
    No oceano em que estou mergulhado.

    Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
    Tateando os ares,
    Perdendo-se em si mesmos
    E encontrando-se no outro.

    Nossa bela morte
    Nos beija constantemente na face,
    No amargo do meu suor,
    Compreendendo todos os meus medos.

    Medo de uma vida
    Distante do desejado,
    Doses de fracasso
    Capazes de mudar toda a minha sorte.

    O sonho me distrai,
    Me faz avançar,
    Me limita,
    Me instiga a sempre ir para frente.

    Me orienta em meu interior
    A permanecer sempre atento,
    Usufruindo do mel da sabedoria eterna
    Que pulsa no limiar da vida e da morte.

    Carlos de Campos

    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • Além do Mergulho


    Além do Mergulho

    Mergulho para além do que vejo,
    para além do que sinto.
    Mergulho para além do abismo.
    Além.

    Mergulho no ponto essencial,
    desigual,
    saturado pelo medo,
    essencialmente desigual.

    O que penso não é meu,
    vem de fora.
    Palácio carcomido de ignorância
    é quem essencialmente me atrevo a ser.

    O mergulho eu dei
    e dei de cara com o concreto,
    concreto duro e desonesto,
    sequestro da sodomia.

    Sedução.
    Sentidos presos
    observam pela fresta.

    Mergulho em tuas entranhas,
    sequestro os teus desejos.
    Além de tudo, te mato.

    Carlos de Campos
    Foto por Rastislav Durica em Pexels.com