• O declínio de um mundo doente


    O declínio de um mundo doente

    Orquestra de um mundo desafinado,
    jubilosos e inconsequentes.
    Vê: nada mais se pode fazer.
    É o declínio pré-organizado.

    O anoitecer da verdade chegou.
    Em sono profundo repousa,
    em parada respiratória se encontra.
    Vê o declínio diante dos teus olhos.

    O dia está suspenso.
    É o momento de refugiar-se.
    Nada se pode fazer.

    O declínio levou pessoas a se tornarem zumbis.
    Diante do terror,
    existe a eterna agonia.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Um marginal é só mais um marginal


    Um marginal é só mais um marginal

    Os delírios de grandeza
    Ecoam em minha alma
    Eclodem em mim
    A minha essência marginalizada.

    Essa é a minha verdade
    É a verdade que compõe a minha história
    Essa é a minha alma
    A alma de um marginal.

    Sou o que não nasci para ser
    Sou o fruto da violência familiar
    Sou o descaso das políticas públicas
    Sou o que me instigaram a ser.

    É ilusão, e está errado,
    Atribuir à minha alma marginalizada
    Como único culpado.
    Todos nós somos responsáveis.

    Estou sendo julgado por sua omissão
    Por meus delírios de grandeza
    Pela corporativização do sistema
    Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.

    Grande será o dia
    Em que justo será o julgamento
    Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados.
    Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.

    Carlos de Campos
    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com