Era de madrugada, ouço passos Pressinto a chegada de um estranho Ofegante… Bate na porta com violência.
Me levanto, olho pela fresta da janela Um homem nu, caído. Noto que seu corpo está todo perfurado Me dirijo até a porta, enquanto aciono a polícia.
A polícia chega, e sua única preocupação É me olhar com olhares de quem já me condenou. Em meio àquele falatório e acusações sem provas, Me concentro em meus pensamentos.
E em cada detalhe do corpo à minha frente, O que mais me intriga É a tatuagem em seu peito Com os dizeres em latim: "Advocata mea pro me loquitur."
Depois de alguns dias mergulhado nessa história, As ideias e provas foram sendo construídas, Me levando a uma única dedução: Em meio ao caos — identidade, vingança.
O morto veio de uma cidade distante daqui, Encontrou-se com o bispo local. Localizei sua advogada por meio da tatuagem. Bispo e advogada estavam abraçados — e mortos.
Tua grandeza é assustadora Teus princípios são reveladores Já és quem, em tua busca, se propôs ser.
II
Interiormente evoluído Dom supremo Inigualável O mundo não te conhece Ou melhor: O mundo ainda não te conhece. Dá ao tempo o tempo de maturação. Os frutos já sobrecarregam os vinhedos. O tempo da colheita já se anuncia. É tempo de colher prosperidade. E que os próximos anos sejam abundantes. Lá no vinhedo, é possível ver Com que força vai se irrompendo O amadurecimento dessas belas uvas. Mesmo ainda no processo de maturação, É possível sentir, a quilômetros de distância, Nitidamente, O doce suave desses frutos. Incontável será essa colheita. Mostra, com orgulho, essa tua produção Logo as uvas amadurecem, Mas já era possível constatar Com que força e beleza vêm sendo os seus versos. Com que força podemos constatar? Chegou onde chegou E como chegou: Só quem o caminho fez a cada dia Tem em si a plenitude da certeza De que o tempo da colheita chegou. E com ele chegaram também A prosperidade, o reconhecimento e a abundância. Nos pés de cada saborosa uva Surgem também Preciosos e delicados poemas, Como flores que nascem em um jardim Para embelezar a nossa visão. Dê uma última olhada Para o seu passado sombrio E tenha a certeza De que para lá você nunca mais vai voltar. Olhos fixos agora para o horizonte, Para o mais belo horizonte de sua vida.
III
Célebre em sua alma Esse dia que é para ser recordado Individualmente e coletivamente. Teus são os esforços. Cultivou a terra dura Com disciplina e harmonia. Cultivou… Dias, meses, anos. Cultivou… Sem perspectiva alguma. Continuou… Cultivando a terra dura. E agora, nada é mais justo Do que a vitória seja celebrada Com poemas Que emergem da alma, Da alma que, mesmo ferida, Continuou o cultivo da vinha.
Jogos de emoções são a liberdade sendo pervertida, que, ao eclodirem, se desnudam em falanges de egocentrismo. O que são esses demônios induzindo à miséria? Na verdade, são crenças limitantes de uma pessoa gestando desejos inconscientes. Fidelidade promíscua com o submundo. Demônios entoam em minha alma: abuso de poder! Eis que vem o abuso de poder…
O silêncio canta junto da alma: desejos sombrios, venham todos à luz…
Indo para bem longe de mim Longe… Sem olhar para trás Seguirei indo para bem longe.
O meu ser é terra devastada Isso é algo que muito me incomoda É algo sutil, mas persistente Quero distância de tudo.
O teu gesto é suave Transmite delicadeza É o que procuro E persigo com persistência.
No andar da vida A vida segue ferida Preciso continuar Do jeito como está.
O que esperar do nosso encontro? Encontro de almas marcadas Predestinadas um ao outro Almas apaixonadas.
Não sigo destino Sigo a minha razão Que me diz para ir bem longe Fiel à minha razão, eu sigo.
No íntimo, quando eu reflito Buscando teses e teorias para desqualificá-lo O que só encontro é o meu coração apaixonado Essa é a verdade quando eu penso em você.
Tento em vão te esquecer Penso que sumir de sua vida me fará bem E sei como tudo isso é em vão Todo o amor e carinho só aumentam.
Me dê a sua mão Quero senti-la Quero mergulhar nesse amor Me permita te amar de agora em diante.
Me entrego de corpo e alma Sem reserva alguma, me dou por inteira Meus sentidos… Desejos meus…
Ilusões de um coração solitário A imagem que passa não é verdadeira É a imagem de um coração angustiado, Uma vida despedaçada.
O sucesso é incontestável, E, mesmo simpática, é sincera. A verdade é que a fama te isola, E, isolado, você não existe mais.
Com o sucesso vem a ilusão. A vida emocional é afetada. Desejos e medos se contradizem, O caminho é duro.
E não... Não, não existe nada tão cruel: Dúvidas, incertezas, ansiedade a todo instante, E ninguém te compreende.
E, quando menos se espera, Deixo a tristeza feliz. É exatamente quando ela me supera, Me fazendo sua refém.
Infelizmente, a tristeza tem vencido com frequência. Vejo os dias, meses, anos passando... Só não vejo essa tristeza passar. Dizem que a fama cobra o seu preço.