Tarde de uma existência
O sol se põe diante de minha insignificância
Manifestou dia a dia sua profunda ausência
Mistério é continuar acreditando.
Carlos de Campos

Tarde de uma existência
O sol se põe diante de minha insignificância
Manifestou dia a dia sua profunda ausência
Mistério é continuar acreditando.
Carlos de Campos

Preciso de você na ausência de minha alma
No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?
Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.
O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.
Carlos de Campos

Canto da ausência presente
No abismo dos teus olhos,
me vejo só,
infeliz em tua companhia,
sozinho me encontro.
No abismo dos teus olhos,
os mesmos olhos ausentes,
sentindo frio
em um sótão.
Olhos ausentes
em um frio imensurável,
destino solitário
no abismo do sótão da indiferença.
Destino de olhar profundo
no fundo de um subsolo obscuro,
destino escondido
de um olhar extasiante.
É uma dor contida,
de desejos sem sentido,
de sol sem as estrelas,
estrelas que pulsam no subsolo.
De um olhar como o teu,
olhar de um abismo profundo,
que no silêncio grita por presença
na ausência da tua lembrança.
Carlos de Campos

Existe um toque mortal na saudade
“Bem no auge do nosso amor, você foi embora.”
Ontem, em meio à saudade,
O meu mundo desabou.
O que restou foi só a ilusão,
Sofrimento pela sua ausência.
Sua presença ainda é sentida,
É dor que só aumenta,
Aumentando ainda mais a minha solidão.
Um dia, preciso saber o porquê.
Me jogo de cabeça no trabalho,
Nas noites mal dormidas.
Recorro a tudo o que me faça esquecer de você,
E absolutamente nada é capaz de soterrar a falta que você me faz.
Hoje,
É só mais um dia,
Misturado a mais um dia ruim no trabalho,
Mais um dia da mais pura saudade.
Oh, minha alma!
Desejoso estou de viver a felicidade.
Quem idealiza uma vida em meio à dor?
O que nós fizemos de errado?
Meu amor é constantemente atacado pelo ódio,
Ódio que prevalece em mim por esperar a sua volta.
Deixado para trás é como me sinto.
Sou mais uma vítima da saudade, marcada pela morte.
Carlos de Campos

Mostre sua dor
Vivo longe de casa
Distante dos meus familiares
Vivo na esperança de um dia revê-los
E poder abraçá-los.
Mostre suas feridas
Cada vez mais doloridas
Sangrentas
Malcheirosas.
Mostre sua dor
Dor da ausência
Dos afetos não correspondidos
Dor da fragilidade.
Dor, sangue e vida
Desejo não alcançado
Tudo e nada ao mesmo tempo
Dor, desejo e sangue.
Mostre seu desejo de sangue
Sangue que corre pela vida
Vida, dor e medo.
Espero por tua ausência
Na dor escorre vida pelas veias
Na ausência do teu abraço, fica a solidão.
Carlos de Campos
