“Preciso me dar um tempo” é um poema honesto, impactante e sensivelmente atual. Ele traduz, com lucidez e dor, o retrato de um sujeito contemporâneo esgotado pelas exigências do mundo, que encontra no próprio colapso uma chance de lucidez: cuidar-se antes que seja tarde.
Preciso me dar um tempo
Leveza de um destino entrelaçado Em uma busca sem desfecho Ironia É só o que encontro.
Os desafios são sem fim No auge, procurei desistir Sem saber que não estava no auge Só estava cansado.
Ir sempre além Mesmo estando cansado É como gostaria de pensar Só que a realidade me diz que ando esgotado.
Cansado… Estou aflito por sentimentos que não sinto Ir além… É ir de encontro com a morte.
Preciso me afastar do mundo Das pessoas que sabem de tudo É vital focar nas coisas que se passam em minha mente E parar de ser intransigente comigo.
Com urgência, preciso me cuidar Antes que seja tarde demais E eu venha a sucumbir Me desfazendo em partículas pelo asfalto.
“Memórias de Gelo” é um poema existencial sobre o colapso emocional e a efemeridade daquilo que achávamos sólido. Gelo, lágrimas, silêncio, solidão. Cada verso é um eco do que somos quando tudo derrete."
Memórias de gelo
No instante seguinte, tudo se torna poeira, entulho de silêncio, lágrimas da solidão.
No instante seguinte, o ar se torna raro efeito, lágrimas se transformam em sangue, silêncio atordoante.
Solidão, quando chega, chega desestabilizando, provocando.
Desejos e sonhos enfraquecidos, consumidos pelo desespero, lágrima fragilizada.
No instante, tudo se vai, tudo o que era seguro, tudo construído com gelo, agora escorre por entre os dedos.
Feito de memórias ilusórias, desfeito todo o sonho, lágrimas de desejos.