Tag: autoconhecimento

  • Convite

    Convite 

    Rede em uma sombra,
    O que mais posso querer?
    Sombra e água fresca,
    Agora, só me falta um amor.

    Aqueço o coração com novos versos,
    Além do destino,
    No mar revolto da vida,
    Além de toda a tristeza.

    Vê, existe um poema
    Que fala diretamente ao teu coração,
    Revelando as maravilhas aos nossos olhos.

    Pode até parecer uma obviedade,
    Na correria, nem o óbvio enxergamos,
    O ordinário, tantas vezes, torna-se extraordinário.

    Carlos de Campos

    Convite Rede em uma sombra,
    Convite Rede em uma sombra,


  • O trem do fim

    O trem do fim 

    Sua mão cansada dá sinais do seu último suspiro. É chegada a hora, a hora tão esperada. Sim, quantas noites sem dormir, dias sem viver, só ruminando como seria esse dia, me debruçando sobre o que já era muito óbvio: que esse dia chegaria.
    Nesse momento, em que nada mais importa, sou tomado por uma paz entre a falta de ar e os apitos estridentes das máquinas que me mantêm minimamente vivo. Sou abruptamente convencido pela existência a agradecer pelo dom de minha vida.
    Quem é que teve uma vida longa e plena? Há vidas e vidas, e nenhuma é igual à outra.

    Seu rosto pálido é absorvido por uma profunda meditação. Se contorcendo por causa das dores pelo corpo e da agonia, entre delírios, vai se aproximando do fundo do poço existencial. Caminhando rumo ao desconhecido, aspecto que muito me atormentava, caminho tão esperado e pouco desejado, rumo certo para todos e ignorado por muitos.
    No entardecer daquele dia, pude sentir o trem do fim se aproximando, pude ouvir, quase com uma nitidez surpreendente, o tilintar do apito, que soava como se estivesse sendo tocada a Nona Sinfonia de Beethoven. Esse é o único momento em que não existe medo, por já estar no colo confortável onde fomos colocados. Só resta, agora, a certeza de que esse é um momento único que precisamos vivenciar, vivenciar para que a vida possa ser prolongada. Não, viver porque essa é nossa última oportunidade, doce ilusão.
    Observo que já não existe medo em mim, nem qualquer confusão, desejo de fuga. Sinto que estou em uma grande harmonia. Agora, tudo o que tenho é essa paz que me toma pelas mãos, o amor que me aquece em um equilíbrio fino de todo o processo em que estou envolvido, não por minha vontade, mas agora estou sem ter como voltar, simplesmente vivendo esse momento. Emergido em uma maravilhosa compreensão, nem mais me importo com as possíveis consequências para onde tudo isso vai me levar, só vou sendo levado e experimentando cada segundo.

    Urge, o tempo se aproxima e tudo foi preparado com muita delicadeza. O momento chegou e é hora de se despedir deste mundo, os últimos segundos, os últimos suspiros, olhos pesados, uma brisa leve a tocar meu rosto. O silêncio se acomoda ao meu lado. Pronto, tenho que ir embora. Silêncio.

    Seu corpo frio vai sendo conduzido, onde toda a matéria orgânica será reduzida a pó.
    Pensar sobre isso é um tanto incômodo, perceber que todos os esforços de lutas, promoções no trabalho, estudos em universidade, fama, dinheiro, simplesmente se acabam em um lugar comum a todos: a morte.
    Seu funeral me leva a uma reflexão: ‘O que é a vida quando não lhe damos um sentido comunitário? O que é a vida se não a extrapolamos, além do nosso próprio umbigo?
    O mais triste de uma vida é ter morrido sem ter deixado uma marca positiva na história.
    O despertador toca. Apesar da preguiça, preciso me levantar e ir trabalhar. Sem deixar cair no esquecimento esse sonho que me faz reconsiderar a minha simples existência.

    Carlos de Campos
    O trem do fim
    O trem do fim
  • Procuro e não encontro

    Procuro e não encontro

    Encontrar o quê?
    Procurar o quê?
    Já me esqueci.

    Carlos de Campos
  • O que se espera?



    O que se espera?

    São os mesmos
    Vivem na interminável via crucis
    Repetimos o gesto de Pôncio Pilatos.

    Carlos de Campos
  • Amor que não se cansa de amar

    Amor que não se cansa de amar

    Te amo, meu amor,
    Diante de minha fraqueza,
    Tua benevolência é ainda maior,
    Meu mundo fica bem melhor.

    Te amo, meu amor,
    Por teu encanto,
    Com teu sorriso,
    Me rendo à tua beleza.

    Ninguém irá amá-la como deveria,
    Do íntimo de minha alma,
    Não sei como fazer,
    Não sei amar como você me ama.

    Tua boca me beija com amor,
    Teu coração pulsa para me amar,
    Teu corpo e tua alma me acolhem.

    Meu dia é mais feliz,
    Por saber de tua existência,
    E por receber todo o teu amor e carinho.

    Carlos de Campos
    Amor que não se cansa de amar
    Amor que não se cansa de amar
  • Justiça social é a solução



    Sem ditadura!
    Quero a democracia!
    Quero a proteção da vida!
    Quero o amor.

    Quero viver em um país justo,
    Com responsabilidade ambiental,
    Sem a crueldade da atual pandemia,
    A extinção da situação de pobreza.

    Comunidades fortalecidas por comércios fortes,
    Conscientes de que precisam proteger o bem comum,
    Onde a segurança pública é para todos.

    Onde todos tenham acesso a tudo,
    Sociedade justa, criminalidade zero,
    Com uma população mais comprometida com a razão.

    Carlos de Campos
    Justiça social é a solução

Sem ditadura!
Quero a democracia!
Quero a proteção da vida!
Quero o amor.
    Justiça social é a solução
  • Inundaram nossa vida com ódio



    Bom senso não existe;
    Liberdade é confundida com libertinagem;
    As emoções estão descontroladas;
    Isso já não tem mais fim.

    Crônica está a maldade humana;
    Em um constante desejo de vingança
    Paira por sobre a terra,
    Impedindo que o amor possa entrar.

    Morte e vida em um alucinante combate;
    Sinto que a vida anda cansada,
    Vai se equilibrando no ombro da boa esperança.

    Vejo homens, mulheres e crianças
    Falando e vivendo abertamente sob o poder do ódio;
    Os horrores da morte viraram rotina.

    Carlos de Campos
  • Enquanto existir uma só pessoa a ser educada


    Queda iminente,
    Fruto da ilusão,
    Tormenta de toda a vida,
    Negação a todo custo.

    Falta de juízo,
    Escória desumana,
    Pivô de tantas intrigas,
    Humanidade perdida.

    Transformação da mentalidade,
    Princípio básico do que nos falta,
    O ódio ainda é a palavra-chave.

    Trabalhar pela educação
    Ainda é o melhor caminho,
    Porque existe muito mar turbulento a ser pescado.

    Carlos de Campos
  • O domador de mentes

    Na incompreensão do fato, a mente continua dormindo, observando o aumento do medo que bagunça são os meus sentimentos. Prefiro deixar as inconsistências de lado, de maneira a não ficar pensando nelas a toda hora. Não existe movimento; os movimentos cessaram, assim como os movimentos da mente que ia de um lado para o outro sem dar um tempo para o descanso.

    Observo tudo o que a minha mente me propõe, mesmo sem entender; observo. Hoje é só mais um dia para tentar entender essa mente fria, corpo e mente procurando uma melhor compreensão de como ser em harmonia.

    — Existe perigo para a mente quando não se percebe que lhe falta encontrar um certo equilíbrio? Na vida, o que procuramos constantemente é ter o mínimo de equilíbrio entre o que fazemos e pensamos, para que justamente possamos domar a nossa mente, para que o corpo possa seguir com mais tranquilidade por esta vida. Lidamos sempre com os extremos — da emoção para a razão em um estalar de dedos, e vice-versa.

    Carlos de Campos

  • Os fatos dentro do contexto


    Os fatos dentro do contexto

    É armadilha insistir que Deus existe,
    Também é verdadeiro negar sua existência.
    Quem melhor para nos dizer sobre esse fato,
    Além dos fatos que, de fato, nos rodeiam?

    Neste vasto laboratório a céu aberto,
    Existe um contexto,
    Existe um fato,
    Fatos da vida.

    É preciso ter coragem,
    Pausar e olhar a realidade,
    Confrontar a realidade dos fatos dentro do contexto,
    E discernir: quem é Deus em minha vida, de fato?

    Coragem
    Para confrontar a realidade de nossa vida
    Com os "ensinamentos" ditos sagrados,
    Por um momento, ruminar.

    Deus permitiria isso em minha vida?
    Quem está ganhando com a situação em que me encontro?
    Sou o reflexo mais próximo do Deus que adoro?
    A quem são destinadas as iguarias divinas?

    Um Deus tão poderoso em misericórdia,
    E que, ao mesmo tempo, é incapaz
    De levar em conta o contexto em que vive sua criatura,
    Não me parece nem um pouco confiável.

    Deus é irrelevante
    Se o milagre da justiça social
    Não acontece de maneira concreta
    Na realidade social.

    Cada um tem o direito de acreditar no que desejar,
    E tem o dever de aceitar os que pensam diferente.

    Que os ensinamentos do Deus de sua adoração
    O ajudem firmemente a ser sua própria imagem e semelhança,
    No amor que vai além das meras palavras,
    Em um amor traduzido para o concreto da realidade.

    Pelo menos é o que realmente se espera
    Dos que querem ser chamados de filhos e filhas de Deus,
    Que muitas vezes são os mesmos
    Que vivem em um contexto interminável de via crucis,
    Onde nós continuamos a repetir o mesmo gesto de Pôncio Pilatos.


    Carlos de Campos