Morrer longe de casa
Ignorados
Deixados para morrer
Seus algozes não contavam
Com sua força de vontade para viver
Morrer não estava nos planos.
Hoje
Não morre ninguém
Esperança renovada
A luta continua
Por um mundo acolhedor.
Continuaremos sendo perseguidos pelo medo
Mas, nenhum medo será capaz de nos parar
Nem ameaças de qualquer gênero
Estamos decididos a seguir.
Obsceno
Inocentes mortos
Deixados para trás
Soterrados pela ignorância
No descaso generalizado.
Escassez de alimentos
Fome, medo, guerra, morte como consolo
Poder obsceno que oprime o povo
Mata aos poucos, continuamente vai matando.
Refletir é o que nos resta
Não existe política que nos salve
Estamos por nossa conta e risco.
Instaurado está o medo nos corações
Para enlouquecer os que ainda estão saudáveis
Um mundo odioso se avizinha.
Vida
No balanço da vida
A vida existe por um fio
Por um fio na estrada
Na estrada marginal.
Vivida sem consequências
Cheia de ilusões
Devaneios
Do tudo ou nada.
Vida de responsabilidades
Dimensão a ser respeitada
Vida, como poder de continuar vivo.
Vida, das escolhas particulares
Das escolhas que respeitam a comunidade
Tudo, no final, tem consequências.
Noite fria
Noite fria
Cansado de olhar pra paredes
Vários dias sem dormir
Dias sem viver.
Noite fria
Congelada está a alma
Alma que perdeu a alegria de viver
Viver sem dormir.
Noite fria
Vidas sem alma
Futuro sombrio.
Noite fria
Sem mística
Noite sem esperança.
Leproso do sistema
Quem sou eu?
Soma de instabilidades
Padrão mal-humorado
Poço de insatisfações?
Inconsistência
Percorre todo o meu corpo
Sou pobre, sem saúde
Sou leproso do sistema.
Sou o voto que oprime
Sou suicida em potencial
Sou mais um otário, acreditando ter uma chance.
Morte
Sonho com esse dia
Quando estarei urinando em seu sarcófago.
Último suspiro
Seu olhar cintilante
Se destaca entre as estrelas
Olhar que cativa.
Nuvens carregadas
Vão deixando a vida mais pesada
Olhar ofuscado por trovoadas.
Tempos ruins pedem por mudanças
Determinação e muita confiança
Seja lá o que isso signifique nas práxis da vida.
Represado está o ódio em meu peito
Desta vida fodida
Das experiências mal resolvidas.
Inúmeras insatisfações me atormentam
Rastros de melancolia pela casa inteira
Disperso ando pela minha vida.
Vou em direção a janela do quarto
Abro a janela
E sou tomado, mortalmente, pelos bons ares.
Ao dominar os meus instintos, me senti livre
Ninguém mais é capaz de me dominar
Ou me dizer o que tenho que fazer
Vê o quão bom é a liberdade?
Nos faz pensar na porra da sociedade, comunidade e família
Mesmo sabendo que nunca seremos livres plenamente.
Tudo o que aconteceu até agora
Aconteceu para que entendêssemos
Que na vida estamos em constantes batalhas
Algumas vitórias e outras derrotas
Mas, que é preciso sempre lutarmos
Até o último suspiro
Sem nos agarrarmos a muitas esperanças.