Tag: Brasil

  • Emoções perturbadas

    Emoções perturbadas

    Ele vem até o meu quarto dizendo para mim que não fui sincera e que está farto de minhas omissões. Eu olhei no fundo dos seus olhos, criei toda uma expectativa, ensaiei diversas falas e, em frações de milésimos de segundo, decidi que não valia a pena falar mais nada. Retirei-me daquele quarto e, enquanto saía, acenava com a cabeça negativamente, como forma de mostrar toda a minha indignação naquele momento.

    Diferente de outras brigas, dessa vez saí diferente, saí determinada a dar um fim nesse relacionamento que se tornou insuportável. Saí decidida de que isso não aconteceria mais a partir de hoje.

    Estava à beira da loucura; pensamentos destrutivos tomavam conta de boa parte do meu tempo. O que eu mais queria, nesse momento, era ficar só, bem longe de tudo e de todos. Depois de pensar por alguns minutos, decidi ir para um hotel. Eu precisava muito de silêncio, precisava ficar longe das pessoas me dizendo a todo tempo o que fazer e como fazer. Preciso urgentemente desse momento só meu, para organizar os meus pensamentos, minha vida e decidir que rumo seguir depois.

    Mas quero decidir tudo isso com a cabeça fria, com muito cuidado. Preciso muito ter certeza da escolha que vou fazer, porque essa, para mim, será a escolha mais importante da minha vida. Essa não será só mais uma escolha de relacionamento; é uma escolha onde estou totalmente envolvida emocionalmente. Sinto que é uma escolha da qual poderei colher resultados tanto benéficos quanto maléficos para a minha vida daqui para frente. Por isso, essa escolha se faz tão mais importante quanto as outras que já fiz.

    Motivos tanto para ir quanto para ficar, eu tenho de sobra. Os motivos aqui são detalhes de uma enorme trama que o coração nos coloca. São tramas delicadas e engenhosas que, mal interpretadas, podem nos levar ao fracasso emocional por completo, trazendo-nos prejuízos imediatos — o principal e mais relevante é o nosso completo encarceramento pelo resto da vida em uma prisão emocional de profunda dor.

    Os motivos, como disse, são simples. O que não é simples é saber qual fio devo cortar para desarmar a bomba sem que, com ela, eu também venha a me explodir. Por isso busco no silêncio o melhor entendimento.

    Hoje faz uma semana que estou neste hotel. Já me sinto um pouco melhor, mas ainda posso sentir a energia de toda a briga repercutindo em meu corpo, por isso entendo que ainda não chegou o momento de me decidir.

    No dia em que for me decidir, espero que só exista um único sentimento: o sentimento de total aceitação da minha parte, que tudo esteja sendo feito em profundo acordo e consentimento entre a minha emoção e a razão.
    Em um tempo em que tudo precisa ser ágil, somos levados automaticamente a reproduzir esse hábito danoso em todas as áreas de nossas vidas — e no relacionamento não é diferente, sendo, por sua vez, a área mais atingida.

    Podemos observar in loco o quão danoso isso se tornou em nossos dias. É uma verdadeira pandemia: pessoas desfilando aparentemente felizes, mas por dentro emocionalmente destruídas. Sendo levadas, mesmo sem sua autorização, a viver das regalias que o submundo do inconsciente doentio lhes oferece, como inveja, medo, ódio e vingança. Pessoas que, no final, vivem uma vida emocional em que só sabem cultivar desejos de que sua dor emocional se estenda a todos os seus conhecidos e desconhecidos; querem que seu fracasso emocional contundente seja a tônica de toda a sociedade. O ideal de sociedade dessas pessoas emocionalmente destruídas é que todos vivam para serem profundamente infelizes.

    É exatamente por isso que busco no silêncio interior e no afastamento físico tudo o que envolve a minha decisão. O meu dever nesta busca é tentar entender qual é a origem do que culminou em toda essa briga. Eu preciso ter a clareza e a profundidade de cada elemento, e como esses elementos contribuíram e contribuem para que chegássemos onde estamos agora.

    Sei exatamente o que você está pensando. Mesmo depois de tudo o que contei até esse momento, há em nós essa ânsia de querer resolver tudo rapidamente, como se a nossa vida não fosse importante, como se os nossos sentimentos e sonhos não fossem relevantes. Não! Não é assim que toco a minha vida. Se eu puder te dar um conselho: não toque a sua vida como se ela não fosse importante.

    Faz um mês, e hoje me sinto melhor e bem distanciada dos fatos que me trouxeram até aqui. Os fatos que me foram revelados ao longo desses dias foram perturbadores. Primeiro, porque eu descobri que não sou vítima — pelo contrário, eu também sou algoz. Descobri que tanto eu quanto ele sentimos prazer em viver em uma relação tóxica, onde existem trocas de ofensas mútuas. Por isso, resolvi terminar com ele e buscar ajuda para me curar.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Sonho lúcido de uma vida de fantasia

    Sonho lúcido de uma vida de fantasia

    Os sonhos se realizam,
    Desejos se manifestam,
    Impulsionando sua vida —
    Vida vivida com prazer.

    Nos desejos escondidos,
    As conexões vão acontecendo;
    Os delírios dão espaço às certezas,
    Certezas de que tudo se encontrará.

    Ouço o movimento,
    O universo do caos
    Encontrando o seu equilíbrio —
    Em silêncio caminha.

    Movimento em movimento,
    A energia é concentrada,
    Os impulsos direcionados,
    O milagre acontecendo.

    Água em seu corpo,
    Fluidos universais
    Dialogam com o amor —
    A densidade é pacificada.

    O silêncio da mente é essencial:
    Ouvir, no silêncio, os movimentos,
    Que a certeza não nos desapontará
    Tudo, com amor, acontecerá.

    Carlos de Campos


  • A sua volta


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    Existem momentos em que o silêncio fala mais do que mil vozes.
    E é nesse lugar – entre a dor, a memória e o recomeço – que nascem os versos de Enquanto a Solidão me Abraça.
    Este livro é um abraço em forma de poesia para quem já amou, perdeu, esperou… e ainda assim escolheu continuar.
    Cada página é um espelho onde você pode se reconhecer, e talvez, se curar.
    🔹 Palavras que tocam.
    🔹 Sentimentos que não se explicam, mas se sentem.
    🔹 Um convite à introspecção e ao reencontro consigo mesmo.
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    A sua volta

    Sua mão toca o meu ombro.
    Olho para ver quem é,
    e, com surpresa, vejo que é você,
    que, depois de tanto tempo, resolveu voltar.

    Distante, preferiu ficar.
    Diante das minhas ligações, escolheu silenciar.
    O que te faz ter esperança para voltar?
    O que ainda quer de mim?

    No instante em que te vi,
    o coração até reconsiderou,
    mas o meu pensamento foi mais racional,
    Fazendo-me recordar tudo o que passamos.

    Sinto-me traído
    e mais infeliz do que quando você partiu.
    O que menos me importa é saber o motivo da sua volta;
    quando decidiu ir embora, foi sem me comunicar.

    Siga a tua vida longe de mim.
    Quero me esquecer de você,
    deixar tudo para trás,
    como se você nunca tivesse existido.

    A infelicidade sempre terá a sua força.
    A minha sempre será você:
    do amor à ilusão,
    da ida, da volta, para o esquecimento.

    Carlos de Campos

    A sua volta
    A sua volta
  • O Que Permanece

    O Que Permanece

    Mistério que envolve a vida,
    Ferida que sangra e não tem cura.
    Mais além de você,
    Só você mesmo.

    Diante da vida, existe a morte.
    O desejo incontido de sobrevivência
    Nos leva ao ostracismo.
    De repente, tudo para.

    No último suspiro,
    Finalmente conseguimos a emancipação da Terra.
    Homem parado, sem questionamentos,
    Na ilusão da vida, recebemos a morte como prêmio.

    Não existe defesa contra a morte,
    Nem acordo de rescisão.
    A morte é abusiva,
    Com poder opressor.

    Com sua força, abusa do poder,
    Eliminando a todos — amigos e inimigos —,
    Atraindo para si olhares invejosos,
    Ostentando ganância em meio à miséria.

    Seu poder e fama voam pelo mundo.
    Inveja e incerteza são os seus companheiros.
    Tudo o que ofereci foi por medo.
    A cada segundo, é mais um passo para o fim.

    Carlos de Campos
    Foto por Summer Stock em Pexels.com
  • O que eu seria sem o meu trabalho?

    O que eu seria sem o meu trabalho?

    Caos no trabalho é difícil de administrar
    São horas sem saber a verdadeira razão
    Cada um administrando como pode,
    Mesmo sem o patrão saber.

    Alguém viu o lucro que poderia ter e inventou o trabalho.
    No final do dia, dá trabalho viver com o trabalho que faço.
    É uma espécie de “chora menos quem manda”,
    É a valentia de quem nunca trabalhou.

    Quem deveria acordar acha fofo o emprego que tem:
    Insalubridade, pagamento atrasado e pressão psicológica.
    Existe honra nisso?
    Ser a maior força que com mais facilidade se pode manobrar.

    Movimento a exploração da mão de obra:
    Morreu trabalhando, morreu com honra.
    Seja você o agente transformador da boa vida do seu patrão,
    Só não se esqueça de que você é facilmente descartável.

    Imagine quando você ficar doente?
    Como o seu patrão vai te tratar?
    O seu suor é totalmente desvalorizado,
    Enquanto o emprego vai desaparecendo.

    Há quem diga
    Que foi Deus quem inventou o patrão
    Para castigar a carne de Adão e Eva,
    Que fornicaram lá pelas bandas do paraíso.

    Carlos de Campos

    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Encanto e desencanto de um encontro

    Encanto e desencanto de um encontro

    O que não quero
    É encontrar, pela estrada da vida,
    Os dias difíceis e sem solução,
    E o que encontro, não quero a companhia.

    E o que encontro pela estrada da vida?
    Encontro a companhia de quem não quero.
    Quero o imperativo do desejo,
    Do querer estar em sua companhia.

    Quem quis o que não podia ter?
    Quem, diante do medo, não se expõe?
    Ninguém sabe o que deseja realmente;
    O que queremos, muitas vezes, é obscuro.

    Indo ao encontro da sorte,
    Dos milagres oportunos que a vida reservou
    Aos pobres desantenados,
    Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.

    Em meu teatro de oportunidades,
    Do baixo ao mais baixo da vida,
    Na difícil tarefa de amar,
    Os encontros obscuros.

    Um fiel escudeiro do amor é o que sou,
    Do amor que promove o encontro e o desencontro.
    Dentre segredos guardados a sete chaves,
    O amor é com quem não quero estar na estrada.

    Carlos de Campos

    Foto por Wendell Stoyer em Pexels.com
  • No mundo em que vivemos, é possível ser feliz?

    No mundo em que vivemos, é possível ser feliz?

    Há opressão na maneira como as pessoas se impõem umas sobre as outras, e isso é o que mais impacta nossa saúde mental. Estar sempre pronto e disposto a ser feliz a todo instante é uma das expressões... Não sei se esse é o melhor caminho.

    O que buscamos é, de modo geral, impossível. Nem todas as pessoas têm essa mesma disposição. É um jeito de ser impositivo que mais oprime do que liberta a pessoa — até mesmo porque, segundo nossa concepção, a liberdade está justamente em ser quem se quer ser neste momento.

    O que se pode esperar de uma pessoa forçada a ser quem ela não é? Que sente a emoção em outra frequência? Deus? Quem é esse ser tão distante da nossa realidade? Não seria Deus o capataz da moralidade falida?

    O que mais me entristece é saber que tudo está como era antes, e que o que simplesmente mudou foi o acréscimo de maquiagem. Não tenhamos a ilusão de que, um dia, tudo isso possa mudar. A energia mental que prevalece sobre o mundo — e sobre as nossas cabeças — é uma energia profundamente opressora.

    O mundo é um ambiente hostil para nós, meros seres humanos. É um lugar que provoca nossa mentalidade selvagem. O que podemos esperar de pessoas sob o domínio do que há de mais animalesco em si? Temos escolhas?

    Me pego pensando: a felicidade existe? Será que não convencionamos certas atitudes como sendo aquelas mais próximas de uma demonstração de felicidade? A felicidade que dizemos sentir é uma felicidade genuína? Quem é feliz, de fato? É preciso ser ou ter algum tipo de poder que valide a felicidade que ocasionalmente sentimos?

    Carlos de Campos

    Convido você a ler, refletir comigo e compartilhar sua visão.
    Vamos juntos transformar a dúvida em consciência.

    Foto por Deklanu015fu00f6r 67 em Pexels.com
  • Escondendo o segredo mais valioso

    
    
    
    
    

    Escondendo o segredo mais valioso

    A nossa fidelidade busca compromisso,
    Impossível para os dias de hoje,
    Insustentável, para dizer o mínimo.
    A nossa fidelidade é vacilante.

    Imagine o fluxo do desejo,
    O preocupante demônio,
    As fábulas inventadas para te seduzir,
    Percorrendo, dia a dia, o seu corpo.

    Em cada corpo existe um segredo
    Que anseia ser descoberto,
    Que precisa ser manipulado com as mãos.
    Não beijo o lábio que guarda este segredo.

    Na verdade, o segredo busca ser revelado.
    É trabalhoso, essa busca.
    O que nos aguarda é muito prazeroso.
    A postura valente de quem busca sempre é recompensada.

    Mova o lacre!
    E perceba o destino sendo traçado,
    As leis naturais se organizando.
    Ali embaixo existe sempre um mistério a ser descoberto.

    Negar é trair o outro,
    É ser infiel aos desígnios naturais.
    Dose apurada do mais puro desejo —
    Sórdido é ter que continuar a guardar esse segredo.

    Carlos de Campos

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    Foto por Moein Moradi em Pexels.com
  • Onde há ódio existe a destruição

    Onde há ódio existe a destruição

    Não existe prazer em meio à dor,
    Mesmo que seja acompanhada de intervalos de bem-estar.
    O corpo e a mente ficam desconectados,
    E não sabemos para onde ir.

    O sol aquece o corpo ferido de morte.
    Tudo nesta vida é dor e sofrimento,
    É conflito e mais conflitos,
    É uma constante guerra sem fim.

    Um instante, um único vacilo, e tudo se vai,
    Sem aviso ou uma última refeição.
    Tudo simplesmente evapora,
    A vida, à qual somos tão apegados, vira pó.

    Desvio o olhar por um instante.
    Em meio à ilusão destruidora, posso ver a beleza.
    Oh, como a senhora Beleza é plena!
    Habita no olhar inocente de uma criança.

    Quem vive consumindo ódio é digno de ver tua beleza?
    É possível que um coração iludido se recupere?
    E como posso vencer o mal?
    Quem é que, vendo a beleza, não quer desposá-la?

    O meu corpo ainda segue doente de tanto ódio.
    A mente busca por salvação.
    Percorro, com determinação, o caminho para expurgar o ódio das entranhas da vida,
    Para que um dia, contigo, eu possa estar.

    Carlos de Campos

    Foto por Joel Alencar em Pexels.com
  • Existe um toque mortal na saudade


    Existe um toque mortal na saudade

    “Bem no auge do nosso amor, você foi embora.”

    Ontem, em meio à saudade,
    O meu mundo desabou.
    O que restou foi só a ilusão,
    Sofrimento pela sua ausência.

    Sua presença ainda é sentida,
    É dor que só aumenta,
    Aumentando ainda mais a minha solidão.
    Um dia, preciso saber o porquê.

    Me jogo de cabeça no trabalho,
    Nas noites mal dormidas.
    Recorro a tudo o que me faça esquecer de você,
    E absolutamente nada é capaz de soterrar a falta que você me faz.

    Hoje,
    É só mais um dia,
    Misturado a mais um dia ruim no trabalho,
    Mais um dia da mais pura saudade.

    Oh, minha alma!
    Desejoso estou de viver a felicidade.
    Quem idealiza uma vida em meio à dor?
    O que nós fizemos de errado?

    Meu amor é constantemente atacado pelo ódio,
    Ódio que prevalece em mim por esperar a sua volta.
    Deixado para trás é como me sinto.
    Sou mais uma vítima da saudade, marcada pela morte.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com