Tag: caminho da vida

  • Você sou eu

    Você sou eu

    Morrer é necessário para que a vida tenha força,

    para que o tempo não te congele na história.

    Percebe que ficar parado não te movimenta?

    Que os movimentos são calculados?

    Que a insistência é o remédio para a vida?

    O mar é feito de movimento,

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    Enquanto a solidão me abraça

    de sonhos que estão nas profundezas do seu interior,

    no mais profundo do profundo que você possa alcançar.

    Toca a alma, a tua alma.

    Teu toque que toca o teu tocar,

    no movimento do teu andar,

    andar no estado mais puro da minha alma.

    Morrer para tudo o que te faz mal.

    Morrer para o que não te eleva.

    Precisamente, a mente entende

    que a saída é sair todo dia

    e deixar-se tocar pelos raios da vida,

    pelo simples caminho que caminho.

    O que vejo é visto por todos.

    O que sinto é sentido só por mim.

    No caminho que caminho, eu caminho só,

    solitário por entre as paredes

    que barram os raios do sol.

    Um dia a mais de desejos,

    de vontade de estar com você.

    Você sou eu.

    Nossos caminhos se cruzam o dia inteiro.

    No caminho, desejo estar contigo.

    No barco da vida, estou afundando,

    gemendo sem ser ouvido.

    E, quando ouvido, somos simplesmente ignorados.

    No barco da vida, quem sou eu, afinal?

    No barco da minha vida, sou eu,

    impulsionado pela paralisia,

    comprimido por minhas escolhas.

    No barco da vida, eu sou a escolha?

    No barco que afunda,

    quem sou eu nesse barco?

    O barco da solidão.

    O barco do amor não correspondido.

    Na triste escolha que fazemos pelo caminho,

    caminho que vamos descobrindo,

    que vamos observando tudo ao nosso redor.

    Oh, destino destilado de incoerência,

    de irracionalidades racionais,

    de sexo sem cumplicidade,

    de êxtase sem percorrer o caminho,

    da vida eterna sem a morte,

    da mudança sem o transtorno da transformação.

    A vida é um fragmento,

    um pedacinho de uma pedra preciosa.

    A vida somos nós buscando, dia e noite,

    por esse pedacinho de pedra preciosa.

    De ilusão em ilusão,

    chegamos ao equilíbrio primordial,

    onde nós somos tudo

    e, ao mesmo tempo, somos nada.

    Porque, no final,

    é o caminho quem nos ensina.

    Carlos de Campos

  • O desejo nos cega

    O desejo nos cega

    Indo para bem longe de mim
    Longe…
    Sem olhar para trás
    Seguirei indo para bem longe.

    O meu ser é terra devastada
    Isso é algo que muito me incomoda
    É algo sutil, mas persistente
    Quero distância de tudo.

    O teu gesto é suave
    Transmite delicadeza
    É o que procuro
    E persigo com persistência.

    No andar da vida
    A vida segue ferida
    Preciso continuar
    Do jeito como está.

    O que esperar do nosso encontro?
    Encontro de almas marcadas
    Predestinadas um ao outro
    Almas apaixonadas.

    Não sigo destino
    Sigo a minha razão
    Que me diz para ir bem longe
    Fiel à minha razão, eu sigo.

    No íntimo, quando eu reflito
    Buscando teses e teorias para desqualificá-lo
    O que só encontro é o meu coração apaixonado
    Essa é a verdade quando eu penso em você.

    Tento em vão te esquecer
    Penso que sumir de sua vida me fará bem
    E sei como tudo isso é em vão
    Todo o amor e carinho só aumentam.

    Me dê a sua mão
    Quero senti-la
    Quero mergulhar nesse amor
    Me permita te amar de agora em diante.

    Me entrego de corpo e alma
    Sem reserva alguma, me dou por inteira
    Meus sentidos…
    Desejos meus…


    Quero você, meu amor
    Sinto os teus lábios
    Ousando, ousados
    Molhados…

    Somos duas almas incompletas
    E incompletas permaneceremos
    Tudo o que vivemos
    São sentimentos que já passaram.

    Carlos de Campos
    Foto por Mick Haupt em Pexels.com
  • Encanto e desencanto de um encontro

    Encanto e desencanto de um encontro

    O que não quero
    É encontrar, pela estrada da vida,
    Os dias difíceis e sem solução,
    E o que encontro, não quero a companhia.

    E o que encontro pela estrada da vida?
    Encontro a companhia de quem não quero.
    Quero o imperativo do desejo,
    Do querer estar em sua companhia.

    Quem quis o que não podia ter?
    Quem, diante do medo, não se expõe?
    Ninguém sabe o que deseja realmente;
    O que queremos, muitas vezes, é obscuro.

    Indo ao encontro da sorte,
    Dos milagres oportunos que a vida reservou
    Aos pobres desantenados,
    Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.

    Em meu teatro de oportunidades,
    Do baixo ao mais baixo da vida,
    Na difícil tarefa de amar,
    Os encontros obscuros.

    Um fiel escudeiro do amor é o que sou,
    Do amor que promove o encontro e o desencontro.
    Dentre segredos guardados a sete chaves,
    O amor é com quem não quero estar na estrada.

    Carlos de Campos

    Foto por Wendell Stoyer em Pexels.com