A nossa teimosia em duvidar é a nossa maior fraqueza
São suas escolhas, Escolhas de uma vida, Escolhas escondidas, São suas escolhas.
Quem somos nós, Detentores desse poder, A tentar, de alguma forma, Usurpar a força, o poder?
Em meio à tormenta, Ouço vozes que ainda desafiam A costurar uma trama golpista. Ouça comigo essas vozes que desafiam a democracia.
São cínicos travestidos de democratas, Querem tomar a nossa pátria, Querem provocar o caos. É preciso domesticar, na força da lei, esses abutres.
Em meio ao caos, As ervas daninhas revigoram suas forças. Os anseios desconectados da realidade São um perigo para a nossa sociedade.
Infelizmente, ainda duvidamos da ação das forças das trevas E de sua capacidade de se organizar. Pensar dessa maneira É entregar, em uma bandeja, a nossa democracia.
Carlos de Campos
Foto por Gleive Marcio Rodrigues de Souza em Pexels.com
Tarde de domingo. A família brasileira, como de costume, estava reunida. Tudo seguia em aparente normalidade. Sem esperar nada preocupante, seguíamos nossas vidas.
O que começava a aparecer Não nos dava a real dimensão De que algo mais profundo estava por vir. Marchavam com orgulho estampado no rosto.
Gritando palavras de ordem, Cantavam com profunda comoção o Hino Nacional. Tudo parecia tranquilo, Até que a comoção virou ódio.
Um ódio que vinha das entranhas tomou conta do ambiente. Ninguém mais estava munido de sua razão. Tudo o que estivesse à sua frente era destruído. Todos eram considerados comunistas, inimigos.
O sangue estava fervendo. Todo o ódio internalizado era colocado para fora. Diante do que consideravam ser seus principais inimigos, Seguiam destruindo tudo, sem serem impedidos.
Todos ali foram vítimas, Vítimas que devem arcar com as consequências de suas atitudes. Mas foram vítimas de uma internet sem regras e sem lei, Onde encontraram pessoas manipuladoras Que os convenceram a viver esse delírio.
Você é manipulado. Tuas intenções estão todas contaminadas, E você nem sabe por que embarcou nessa. É heroico ter a coragem de voltar atrás.
Tua conduta é deturpada E te carrega para o precipício. Teus desejos não são os teus desejos: Tua alma foi vendida.
Filhos da pátria, Do solo gentil, É preciso estar vigilante Para salvaguardar a democracia.
Oh, filhas e filhos do Brasil, Esses momentos são dolorosos E essenciais para o vosso amadurecimento. Fortalecei-vos no campo durante essa batalha.
Ao teu coração deixo esta mensagem: Nada e ninguém será capaz de tirar a sua alegria. Nascestes em um solo em que corre leite e mel; Só deixe o seu coração escancarado.
No entardecer da vida seguiremos confiantes. Os desafios são muitos e certamente assustadores, mas é preciso continuar e confiar que nada deve ser motivo de desânimo. Sim, eu sei que é difícil pensar assim.
Sei também que só temos duas opções: uma é desistir. Querem nos convencer de que precisamos desistir e continuar de cabeça baixa diante de quem só nos explora e depois nos descarta. A segunda opção é resistir, insistir, mesmo que tudo e todos tentem nos impedir, porque é exatamente isso que eles querem de nós: que desistamos para que, desistindo, continuem nos humilhando.
Vivemos em um contexto de guerra permanente, uma guerra ideológica em que um lado deseja nos alertar de que precisamos nos valorizar, buscar juntos a justiça social e fazer da vida nossa principal meta.
Que o trabalho seja um dos tantos instrumentos para alcançar o objetivo de ser plenamente feliz, e não um instrumento de trabalho forçado. Vamos em busca do nosso ideal, que é viver e ser feliz. Que o trabalho seja o meio pelo qual produzimos o nosso sustento, e não uma arma de opressão que nos tira tudo: o tempo, a esperança, a mão de obra mal remunerada, que nos destrói por completo para que possamos produzir e gerar a riqueza alheia.
O mundo precisa buscar a justiça social e a solidariedade entre as pessoas. Não existirá paz mundial enquanto houver uma pessoa sem direitos, com seus direitos básicos sendo violados a todo momento.
Precisamos nos livrar da dinâmica vigente que nos faz explorar uns aos outros e que nos trouxe a toda essa carnificina. Tenho a triste impressão de que só pioramos, quando deveríamos estar muito melhor em todos os aspectos humanos e tecnológicos. É preciso superar as nossas diferenças e o nosso egoísmo contundente se quisermos ir a algum lugar melhor.
A importância de se importar com o que é importante. E o que é importante? O mais importante é a vida? Se for a vida, estamos falando sobre a vida de quem? Qual classe social deve ter a vida preservada acima de tudo?
É importante pensarmos sobre esse tema? É importante para quem? Quem deveria estar interessado nisso? O que se pode fazer para melhorar? O que realmente queremos para a nossa vida?
Tudo gira, e meus pés estão flutuando. Me sinto extasiado. O que está acontecendo comigo? Anestesiado é como me sinto dentro desse mundinho. Tudo roda muito rápido. E, na roda da vida, vou tomando voltas.
O que estou dizendo? Amônia: cheiro de vingança. Delírio, importante para não dizerem que tudo são flores. Tudo é o que é, o que era, o que será. O que me importa são as flores que choram embaixo dos escombros.
É importante falar das flores? Flores cheirando a amônia? Flores cheirando a corrupção?
O destino é o que importa. Destino de uma vida cheirando mal. O mal pelo qual não nos importamos por ser no cu dos outros. Outros que, no final das contas, somos nós. Nós não nos importamos com as rosas. São flores ou são rosas? O que importa saber? Saber sobre o quê? Sobre o que estamos falando?
O caos na sociedade é fundamental para fomentar o ódio e produzir instabilidade política e econômica. Normalmente, nessas situações, a população é usada como “massa de manobra”.
O que ninguém diz é que existe uma pequena parcela privilegiada da sociedade que lucra com uma sociedade em constante convulsão.
“Massa de manobra” é um termo que se usa para dizer, de maneira pejorativa, que alguns indivíduos que compõem a sociedade não são capazes de tomar suas próprias decisões e acabam sendo instrumentalizados por grupos políticos, ideológicos ou midiáticos.
O que precisamos entender é que existe, dentro de uma sociedade, diferentes grupos. E que esses grupos são compostos por pessoas — pessoas que carregam dentro de si uma ideologia, uma paixão, um desejo; alguns nobres, outros um tanto obscuros.
O que quero dizer aqui é que as pessoas são essencialmente feitas de escolhas. Escolhas que constantemente estão se confrontando. Em uma sociedade plural, em que se respeita a liberdade de se expressar, de ir e vir e de ser quem você deseja ser, isso é totalmente aceitável.
O que falta à sociedade brasileira para que essas escolhas de ideias divergentes se mantenham no ambiente do respeito? Como indivíduos, o que podemos fazer em nossa realidade cotidiana para que essa mentalidade bélica, em um diálogo saudável, encontre pontos comuns?
Não existe uma receita pronta. Não existem maneiras de conciliar tudo e todos ao mesmo tempo. Não existe uma sociedade que possibilite essa tal paz constante e permanente. Não somos santos nem demônios; somos apenas pessoas tentando um lugar ao sol.
O que, então, é fundamental e eficaz para que, pelo menos, tenhamos uma sociedade com indivíduos emocionalmente maduros e que sejam capazes de debater ideias e se manter no campo das ideias e do respeito mútuo?
Educar — mas não educar somente com informações e formações. Conteúdos que, muitas vezes, entram por um ouvido e saem pelo outro, que não encontram ressonância no coração das pessoas por não terem ressonância com a realidade.
O que é essencial em toda educação de excelência é o educar a partir do próprio exemplo. As pessoas, de modo geral, têm dificuldade de se colocar como exemplo; não se sentem confortáveis com esse método por não acreditarem que sua vida pode acrescentar à vida do outro ou que a educação de qualidade está atrelada somente a comportamentos impecáveis.
Educar com a própria vida é usar tudo o que você tem e é como matéria-prima. Educar com a mentalidade ecológica, sabendo que tudo em nossa vida está em um constante processo de reciclagem e que sempre estamos em movimento.
Ninguém nunca estará pronto, acabado e perfeito para ser capaz de educar o outro. E, se formos esperar essa tal perfeição, nunca seremos, de fato, um verdadeiro agente de transformação social, por meio da educação — esteja onde você estiver. Educar o outro é também uma autoeducação.
O que a sociedade precisa hoje é de pessoas que se sintam educadoras, que, com seu exemplo, iluminem os caminhos das massas para que essa massa rígida passe a ser leve e macia. Educar é acrescentar à sociedade o fermento da sobriedade, da leveza e da paz.
No fundo, no fundo, todos nós buscamos a paz em nossos corações, em nossas vidas e em nossa sociedade; buscamos ser e experimentar a reconciliação conosco e com o outro. Que hoje, em sua vida, seja o tempo de reconciliação e pacificação.
Janela aberta para novas perspectivas e de fôlego renovado para continuarmos o que sempre será necessário e fundamental: educar com a própria vida — em nossa casa e em nossos convívios sociais. Educar com a própria vida para que vidas sejam melhoradas e transformadas em sua essência.