Mão em apuro
A mão desocupada para que serve?
Para sair da operação sigilosa?
Para resgatar a própria integridade?
A mão que nunca fala para que serve?
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Livro 8: O dado e o divino (Poema 02/20)
Mão em apuro
A mão desocupada para que serve?
Para sair da operação sigilosa?
Para resgatar a própria integridade?
A mão que nunca fala para que serve?
Detritos amontoados em lago
Saudoso era o tempo sem a tecnologia
Em que a mão operava sem questionamentos
A mão que é proibido invocar.
O vento do sul nos traz a esperança
orquestrada pela mão forte e invisível
Que no estalar dos seus dedos nos coloca de joelhos
E nos julga por seu tato decadente.
Olhe para essa mão pesada
Que extermina essas pobres formiguinhas
Que não poupa nem as plantinhas
Por puro ódio de sua própria existência.
O que esperamos ainda de suas mãos?
Dessas mãos que manipulam os resultados?
Que ainda puxa arma para extorquir?
O que essa mão tem de tão especial além de sujeira?
A mão que abençoa
É a mesma mão que violenta
A mão que dá carinho
É a mesma que silencia-se diante dos seus crimes.
Carlos de Campos


