Tag: Crítica Social

  • O futuro do Brasil — Poema: Mordaça à Democracia #1


    O futuro do Brasil — Poema: Mordaça à Democracia #1

    O futuro do Brasil é uma coletânea de poemas em que tento pensar, a partir do presente, o futuro do Brasil.



    Mordaça à Democracia

    Vê-se uma democracia fragilizada,
    Uma conivência brutal,
    Imaturidade política,
    Medo que paralisa.

    O poder corrompido em suas entranhas
    Prejudica o interesse pela política,
    Anestesiando mentes e corações.
    Tudo se encontra estagnado.

    Um tempo de escuridão se aproxima,
    Estado de consciência colapsado,
    Neutralidade viciante,
    Perdição do Estado democrático.

    Vê-se que nada mais podemos fazer,
    Tudo está carcomido por dentro,
    As estruturas estão prestes a ruir,
    Um gemido se revela em meio aos escombros.

    Tarde demais compreendemos
    O que não queríamos admitir.
    O medo venceu,
    O atraso avançou.

    Uma lágrima escorre dos olhos,
    Um coração tomado pelo ódio avança,
    Fomos imobilizados,
    Estamos sendo subjugados pelo desprezo.

    Carlos de Campos

    Foto por Jonathan Borba em Pexels.com
  • Sonhos de falsas verdades


    Sonhos de falsas verdades

    Onde está o amor?
    Os sonhos de dias felizes?
    Nas circunstâncias da vida,
    sinto saudades de sonhar com dias mais otimistas.

    Suas mãos estão sujas de sangue inocente.
    Tua indiferença é tão corrompida.
    São pesadelos em noites mal dormidas.
    Otimista é o caralho.

    Os teus olhos me cegam pela verdade.
    Delinquente.
    Olhos de vidro.
    Desmascaram a minha face.

    Iludi-me muito nessa vida.
    Meus sentimentos foram atravessados.
    Me enganaram.
    Abusaram de minha bondade.

    Mostre-me a lua sangrando.
    Gritos aterrorizantes.
    Desrespeito
    das sórdidas madrugadas.

    Os teus sonhos foram roubados.
    Na verdade manipulada,
    no estreito foram estuprados.
    Ninguém está ligando para mais nada.

    Carlos de Campos
    Foto por Brett Sayles em Pexels.com
  • Um mar de lamentação


    Um mar de lamentação

    Solidão.
    Estado em que se encontra a minha alma.
    Alma ferida.
    Coração esvaziado.

    Solidão.
    Estado consciente da nossa sociedade.
    Coração ferido.
    Alma vazia.

    Em que estado estamos?
    Estamos em um estado deplorável,
    de constante insatisfação.

    Um mar de pessoas
    que cultiva esse estado,
    estado do mais completo abandono.

    Carlos de Campos
    Foto por armau011fan bau015faran em Pexels.com
  • A contradição contra-ataca



    A contradição contra-ataca

    Ainda que o desejo seja só mais um desejo. Tudo o que temos no final são só desejos. Sonhamos com um mundo mais justo, e o que encontramos são só injustiças que projetamos.

    Os nossos sonhos anulam os nossos desejos. Somos feitos da poeira da injustiça, da rivalidade estratégica, da dominação do mais forte. Tudo o que temos em termos de direitos e garantias é ilusão.

    Somos seres viventes à base de ilusão. Somos desejos e sonhos não realizados. Somos os dominados e os dominadores, somos a naturalização dessas relações. Somos e queremos ser assim.

    Se algum dia estivermos dispostos a enfrentar as nossas causas interiores, nos rebelarmos contra as nossas incoerências, quando tivermos a coragem de dialogar com a nossa essência, é possível que o mundo melhore.

    No paradoxo da nossa existência sempre nos encontraremos; cada um de nós carrega essa profunda contradição, contradições em cima de contradições; essencialmente, tudo em nós é contraditório.

    Um dia encontraremos o caminho onde a doce ilusão será subjugada pela dura realidade; neste momento, é preciso entender que não sobrará contradição sobre contradição.

    Carlos de Campos
    Foto por Paul Blenkhorn @SensoryArtHouse em Pexels.com
  • Existe um mundo que não foi feito para nós


    Existe um mundo que não foi feito para nós

    Deitado,
    longe de tudo,
    existe uma decisão
    dura, que perdura
    na nossa triste condição.

    Quem sou eu?

    Eu, a solidão em pessoa,
    o peso da eterna injustiça,
    o diamante bruto rejeitado,
    a decisão mais indecisa,
    o desejo de pensar grande,
    mais longe do que meus olhos possam tocar.

    Eu sou o mar de rosas,
    as rosas putrefatas,
    o delírio de um mundo em declínio.

    Este é o sonhador que acordou.
    Sinto muito.

    O elemento central da vida.
    Homem de futuro duvidoso,
    integrado às decisões
    falsas e ridículas.

    Quem sou eu?

    A humanidade esquecida.
    O que ouve, vê e sente.
    O que nada pode fazer
    além de saber
    que não existe mais futuro,
    que o futuro se esvaiu
    pelas decisões mal decididas.

    Por existir um ecossistema
    corrupto,
    excludente,
    promotor de desvios públicos.

    E onde eu estou nesse ecossistema?

    Diariamente,
    estou sendo calado,
    desestimulado,
    fadado a concluir
    que eu sou o problema.
    Dia por dia,
    caímos e levantamos.
    E esse é o problema.

    O problema é se levantar.
    É resistir.
    O problema é continuar.

    Para nós, não existe espaço.
    Não existe futuro.
    O que queremos não existe para nós.

    Em nome da decisão,
    existir é resistir às injustiças.
    É adentrar no submundo da exclusão
    e, daí, arrancar o poder à força,
    forçando nas ruas as ilusões,
    o desespero escondido
    na forma de vícios.

    Quem sou eu?

    O pilantra inconsequente.
    Os horrores de um dia chuvoso.
    Sua eterna amada
    que, de joelhos,
    suplica por sua benevolência.

    Covarde.
    Homicida.

    Olho e vejo.
    Vejo a eternidade
    ferida por seus crimes,
    infidelidades contraídas.
    Vejo olhares sangrentos
    que, de quatro, são subjugados,
    maltratados,
    esculachados.

    Eterna é essa glória
    que desonra toda a nossa história.

    Deitado, me encontro.
    Sob a minha cabeça,
    existem lembranças.
    Escondidas estão essas tristes lembranças
    que me fazem esquecer
    que amanhã é outro dia
    do mesmo modelo corrupto de subsistência
    que existe somente para nos frustrar.

    É mais um dia.
    Um dia perdido.
    Promíscuo.
    Que temos de enfrentar.

    Carlos de Campos
    Foto por Tara Winstead em Pexels.com
  • Um marginal é só mais um marginal


    Um marginal é só mais um marginal

    Os delírios de grandeza
    Ecoam em minha alma
    Eclodem em mim
    A minha essência marginalizada.

    Essa é a minha verdade
    É a verdade que compõe a minha história
    Essa é a minha alma
    A alma de um marginal.

    Sou o que não nasci para ser
    Sou o fruto da violência familiar
    Sou o descaso das políticas públicas
    Sou o que me instigaram a ser.

    É ilusão, e está errado,
    Atribuir à minha alma marginalizada
    Como único culpado.
    Todos nós somos responsáveis.

    Estou sendo julgado por sua omissão
    Por meus delírios de grandeza
    Pela corporativização do sistema
    Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.

    Grande será o dia
    Em que justo será o julgamento
    Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados.
    Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.

    Carlos de Campos
    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com
  • Era uma vez a verdade


    Era uma vez a verdade

    Vem a manhã sombria,
    os verdes campos pisoteados.
    Vem a força do ódio,
    exilados em nossos medos.

    Os dias se vão,
    consumidos pela desesperança,
    pela farsa que nos acorrenta
    aos pés da nossa cama.

    Levanta-se a escuridão,
    um apocalipse sem revelação,
    um estrago sem reparos,
    um coração desprotegido.

    O que podemos fazer?
    Nada!
    Além de assistirmos à nossa própria desgraça,
    além de ruminarmos o que poderíamos ter feito.

    Além da tortura,
    do sangue que sangra sem nos matar,
    porque morrer é nosso maior privilégio:
    é vida desacreditada.

    Vê-se chegar o grande momento.
    De ilusão a ilusão,
    de mente à mente,
    a mentira tornou-se verdade.

    Carlos de Campos
    Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com
  • O silencioso medo da vida


    O silencioso medo da vida

    Fim de uma geração
    Entregue à loucura,
    No desespero desmedido.
    Fim de uma geração.

    Está pesado o clima,
    Intenso.
    Loucos pelas ruas,
    Exercendo a sua covardia.

    Pulsos rasgados,
    O coração sangra ódio.
    Peito aberto,
    Olhos cegos.

    Incêndio consumindo o corpo,
    Corpo jogado no lixo,
    Na existência de um circo
    Tímido e violento.

    Onde estamos indo?
    No lugar que cultua a morte,
    No deslumbre de uma fatalidade
    Quase pressentida.

    Violentos se levantam contra nações,
    Escondem-se nos escombros da morte.
    Sem olhar, assisto.
    Prevejo a cura do mal.

    Carlos de Campos
    Foto por Tara Winstead em Pexels.com
  • Chegada é a hora da verdade: 3I/ATLAS

    Chegada é a hora da verdade: 3I/ATLAS

    Onde andas por esse universo?
    Para quem imaginou o que você é?
    É resquício de uma nova oportunidade?
    O tempo é a nossa melhor resposta.

    Cometa?
    Nave?
    Ou só a natureza seguindo o seu percurso?
    Na fertilidade de nossas mentes, tudo pode.

    Sabemos que pouco sabemos
    além da obviedade.
    Sabemos que é um cometa
    e sabemos que nossa salvação não vem de fora.

    Pare e pense.
    Pare, pense e considere.
    Pare, pense, considere e reconsidere.
    Só não leve tudo o que te oferecem.

    Que nossas consciências se voltem à razão;
    que o amor também seja convidado,
    porque um sem o outro é trágico.
    É disso que depende a preservação do ser humano.

    Ao cometa, desejo uma boa passagem.
    Aos cientistas, fidelidade à razão.
    A nós, muito cuidado com o que se lê:
    que a informação ética prevaleça acima dos cliques.

    Carlos de Campos
    O Hubble capturou esta imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS em 21 de julho de 2025, quando o cometa estava a 446 milhões de quilômetros da Terra. O Hubble mostra que o cometa possui um casulo de poeira em forma de lágrima se desprendendo de seu núcleo sólido e gelado.
    Cometa 3I/ATLAS

    O Hubble capturou esta imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS em 21 de julho de 2025, quando o cometa estava a 446 milhões de quilômetros da Terra. O Hubble mostra que o cometa possui um casulo de poeira em forma de lágrima se desprendendo de seu núcleo sólido e gelado.

    Crédito da imagem: Imagem: NASA, ESA, David Jewitt (UCLA); Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)
  • Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação



    O poema “Sem justiça social não existe possibilidade de pacificação” é uma reflexão sobre as contradições estruturais da sociedade contemporânea.

    Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação

    Justiça?
    Para quem?
    Para quando?

    O que se espera da justiça?
    Dos longos e exaustivos julgamentos?
    Espera-se justiça?

    O que a sociedade compreende por justiça?
    O que se espera da justiça?
    Nas entrelinhas, o que o povo almeja de verdade?

    Ouço o grito do povo
    pedindo por vingança.
    Assusto-me quando só sinto o hálito de sangue.

    Não estou aqui para julgar.
    Cada pessoa tem o seu motivo.
    Só me permitam alertar: esse não é o melhor caminho.

    O sol se põe sobre a razão.
    É evitável que a justiça seja nossa única solução,
    e é incoerente dizermos que ninguém precise de educação.

    Queremos soluções fáceis para coisas complexas.
    Queremos justiça em um país sem educação.
    Queremos educação em um país sem justiça social.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com