Tag: desigualdade

  • Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação



    O poema “Sem justiça social não existe possibilidade de pacificação” é uma reflexão sobre as contradições estruturais da sociedade contemporânea.

    Sem justiça social, não existe possibilidade de pacificação

    Justiça?
    Para quem?
    Para quando?

    O que se espera da justiça?
    Dos longos e exaustivos julgamentos?
    Espera-se justiça?

    O que a sociedade compreende por justiça?
    O que se espera da justiça?
    Nas entrelinhas, o que o povo almeja de verdade?

    Ouço o grito do povo
    pedindo por vingança.
    Assusto-me quando só sinto o hálito de sangue.

    Não estou aqui para julgar.
    Cada pessoa tem o seu motivo.
    Só me permitam alertar: esse não é o melhor caminho.

    O sol se põe sobre a razão.
    É evitável que a justiça seja nossa única solução,
    e é incoerente dizermos que ninguém precise de educação.

    Queremos soluções fáceis para coisas complexas.
    Queremos justiça em um país sem educação.
    Queremos educação em um país sem justiça social.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com
  • O egoísmo nosso de cada dia

    O egoísmo nosso de cada dia

    No entardecer da vida seguiremos confiantes. Os desafios são muitos e certamente assustadores, mas é preciso continuar e confiar que nada deve ser motivo de desânimo. Sim, eu sei que é difícil pensar assim. 

    Sei também que só temos duas opções: uma é desistir. Querem nos convencer de que precisamos desistir e continuar de cabeça baixa diante de quem só nos explora e depois nos descarta. A segunda opção é resistir, insistir, mesmo que tudo e todos tentem nos impedir, porque é exatamente isso que eles querem de nós: que desistamos para que, desistindo, continuem nos humilhando.

    Vivemos em um contexto de guerra permanente, uma guerra ideológica em que um lado deseja nos alertar de que precisamos nos valorizar, buscar juntos a justiça social e fazer da vida nossa principal meta. 

    Que o trabalho seja um dos tantos instrumentos para alcançar o objetivo de ser plenamente feliz, e não um instrumento de trabalho forçado. Vamos em busca do nosso ideal, que é viver e ser feliz. Que o trabalho seja o meio pelo qual produzimos o nosso sustento, e não uma arma de opressão que nos tira tudo: o tempo, a esperança, a mão de obra mal remunerada, que nos destrói por completo para que possamos produzir e gerar a riqueza alheia.

    O mundo precisa buscar a justiça social e a solidariedade entre as pessoas. Não existirá paz mundial enquanto houver uma pessoa sem direitos, com seus direitos básicos sendo violados a todo momento. 

    Precisamos nos livrar da dinâmica vigente que nos faz explorar uns aos outros e que nos trouxe a toda essa carnificina. Tenho a triste impressão de que só pioramos, quando deveríamos estar muito melhor em todos os aspectos humanos e tecnológicos. É preciso superar as nossas diferenças e o nosso egoísmo contundente se quisermos ir a algum lugar melhor.

    Carlos de Campos

    Foto por Aman Jakhar em Pexels.com
  • Não canto mais por justiça tributária

    Não canto mais por justiça tributária


    Lá pelas bandas que me exploram,
    Sei que o que menos importa
    É que eu tenha meu bem-estar respeitado.
    Nada é tão repugnante de saber.


    Lá pelas bandas que me exploram,
    Eu vejo até o que Deus duvida.
    Eu vejo a miséria sendo lucrativa,
    Eu vejo a riqueza superfaturada.


    Nem a pior legião demoníaca é tão desonesta
    Quanto a crueldade exercida pelo capitalismo.
    Tudo o que toca vira pó,
    É espantoso saber que tem muita gente que concorda.


    Um império pessoal ou de um país, para sobreviver,
    Precisa impor suas condições, sejam quais forem.
    Doa a quem doer,
    O objetivo é sempre o lucro a qualquer custo.


    Lucro exorbitante para poucos,
    Miséria absoluta para muitos.
    O terror inflacionário é implacável,
    Consumindo vidas pelos juros.


    Lugar onde nada prospera,
    Enormes são as filas da inadimplência,
    Onde a maioria não consegue se desenvolver.
    Lugar onde se lucra com a pobreza.


    Movimento de desconstrução do capitalismo,
    Que escancara os altos juros.
    Movimento de desconstrução do capitalismo,
    Que denuncia que o pobre ainda tem trabalho forçado.


    Multidões passam fome,
    No cotidiano a pobreza é extrema.
    O trabalho é análogo à escravidão,
    As pessoas ainda vivem produzindo riquezas para terceiros.


    O silêncio dos oprimidos clama por justiça social.
    A “liberdade democrática” precariza.
    A taxação comercial é a nova pandemia,
    Mas quase ninguém se importa.


    Meu desolado canto é solitário.
    É inútil o canto que eu canto.
    Canto o canto dos injustiçados,
    Canto o lamento de minha alma empobrecida.


    Meu lamento vem de um coração miserável,
    De um corpo maltratado pela fome e pelo frio,
    E que, quando doente, encontra um sistema perdido.
    Meu canto canta por uma boa morte.

    Carlos de Campos
    Foto por Kindel Media em Pexels.com
  • Nenhuma ação é eficiente sem o amadurecimento humano

    Nenhuma ação é eficiente sem o amadurecimento humano

    Imagine um mundo cheio de possibilidades para todos. Imagine que, nesse mesmo mundo, você tenha que coabitar com parasitas.  

    Imagine ter todo o suor do seu trabalho sendo consumido dia e noite, ininterruptamente. Observe com que rapidez esses parasitas se multiplicam enquanto engordam às nossas custas.  

    Parasitas que sugam toda a nossa pobreza, a riqueza de nosso país e levam com eles toda a nossa esperança, deixando para trás o caos, a miséria e a morte instalados. Senhores donos do circo do horror.  

    Imagine um mundo livre desses parasitas. Um mundo livre dos altos juros. Um mundo humanamente mais equilibrado.  

    Um mundo desigual, onde todos nós temos nossa parcela de culpa, onde todos nós gostamos de tirar uma casquinha dos nossos colaboradores. Nós somos seres da incoerência e da hipocrisia.  

    Não consigo ver uma solução quando tudo depende da contribuição de todos, quando o todo não foi capaz de amadurecer emocionalmente.

    Carlos de Campos

    Foto por BOOM ud83dudca5 em Pexels.com
  • Desejos e sonhos roubados

    Desejos e sonhos roubados

    É impossível ter desejo de justiça quando se tem o monopólio econômico a seu favor, quando o sol nasce para todos, mas maltrata uma parcela da população mais que as outras. É sempre a mesma conversa, e me parece que continuamos no mesmo lugar: solitário e desiludido. Conversas que não mudam comportamentos e comportamentos que não querem ser mudados.

    O mundo precisa de uma sociedade consciente. Consciência, esse é o nosso grande problema: consciência livre de ideologia não existe. Nossa busca pela consciência é genuína, até que atolamos no lamaçal de conceitos viciados, conceitos que nos aprisionam e não nos permitem avançar.

    Quem sou eu diante desse mundo de ilusões? De desejos não correspondidos? Quem, do topo de sua mediocridade, é capaz de ver além do que lhe é imposto para ver? Sou quem não quero ser, sou quem me determinaram ser, sou a ilusão de dias felizes, fruto do pecado, das almas escolhidas de um deus construído. 

    Desde criança, fui ensinado a ver o mundo como os adultos o viam. Cresci e continuo vendo somente pelos olhos de outras pessoas; vejo o mundo pelos olhos de quem detém o poder político, econômico, religioso e midiático. Meus olhos e minha vida estão a serviço dos poderosos.

    É irrelevante tentar resistir. Desejos são controlados. Minha existência aqui neste planeta apenas repercute os sonhos e desejos que não são os meus; luto as lutas que não foram escolhidas por mim.

    Banido de toda a corte real, meu existir subsiste no submundo, onde luto as lutas que não foram escolhidas por mim. Essa é a realidade, pelo menos é a realidade que flagela meu corpo e mente o tempo inteiro. Realidade que devo suportar. Em uma realidade de cartas marcadas, não há muito o que fazer. 

    Meus sonhos e desejos são impossíveis de se realizar. Movimento-me para, quem sabe, algum dia, enfim, superar a lavagem cerebral à qual fui exposto. Sonho por sonhar, sonho desejando acordar.

    Quem sou eu depois de ontem? O que fui capaz de ver além da escuridão? Dos desejos e sonhos que foram roubados? Em meus dias que se passam, passa também a esperança de um dia estar livre.

    Carlos de Campos

    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com
  • Osso

    Osso

    Morte, onde se esconde?
    Baforada do destino,
    Cadeado que nos prende à razão,
    Fúnebre é a vida.

    Atropelados pelo consumismo,
    Sem limites,
    Forjados pela angústia,
    Das últimas impactadas pela miséria.

    Luxúria com o dinheiro alheio,
    Alheios a toda essa ambição,
    Ambição que promove a miséria,
    Miséria escancarada para que todos vejam.

    E observando, não façam nada.
    Nas ruas, vejo ossos se movendo,
    Sem destino,
    Levando como podem,
    O fóssil ambulante segue o seu caminho.

    Carlos de Campos

    Foto por Felipe Hueb em Pexels.com
  • Projeto

    Projeto 
    
    Destruir o muro da desigualdade 
    É compromisso de cada um de nós 
    Antes, é preciso retornar pro tempo onde éramos crianças. 
    
    Experimentarmos, novamente, essa inocência 
    E observarmos o que, para nós, era mais importante 
    Brincadeiras que nos davam esperanças de um mundo feliz. 
    
    Quero a minha inocência de volta 
    E experimentar a alegria de ser criança novamente 
    E viver só para o que é essencial na vida. 
    
    Porém, hoje, me sinto muito triste 
    Porque existe um vazio em minha vida 
    Sinto que tudo se ausentou dos meus sentidos. 
    
    Respiro 
    Cada segundo sem nada esperar 
    Daqui para frente, só vivo as incertezas de cada dia.
    
    Carlos de Campos 
    
    Fico feliz com sua presença! Se tiver alguma opinião ou sugestão, deixe um comentário abaixo. Caso queira compartilhar com seus amigos, fique à vontade! A disseminação da poesia é sempre bem-vinda. 
    
    Foto por Nothing Ahead em Pexels.com
  • Lugares desconhecidos

    Lugares desconhecidos 
    
    Nada e ninguém 
    Deve-se impor sobre o outro 
    Com sua deselegância 
    Mentiras ou contradições. 
    
    As pessoas estão inflamadas pelo ódio 
    Pela desigualdade social 
    Injustiças gratuitas 
    O mundo segue doente. 
    
    Seguem cultivando ainda mais o ódio 
    Desejando vingança 
    Tomados de incoerências. 
    
    Hoje, a sociedade segue por um caminho perigoso
    Buscando inevitavelmente sua própria instição
    Quem vive com ódio, morre pelo ódio. 
    
    Carlos de Campos 
    Foto por Paolo Margari em Pexels.com