Os sonhos escondidos
Foi no auge de minha lucidez,
onde os caminhos já não tinham mais volta,
os sonhos foram despedaçados.
A vida complicada ficou,
a ilusão finalmente chegou.
Carlos de Campos

Os sonhos escondidos
Foi no auge de minha lucidez,
onde os caminhos já não tinham mais volta,
os sonhos foram despedaçados.
A vida complicada ficou,
a ilusão finalmente chegou.
Carlos de Campos

Sonhos de falsas verdades
Onde está o amor?
Os sonhos de dias felizes?
Nas circunstâncias da vida,
sinto saudades de sonhar com dias mais otimistas.
Suas mãos estão sujas de sangue inocente.
Tua indiferença é tão corrompida.
São pesadelos em noites mal dormidas.
Otimista é o caralho.
Os teus olhos me cegam pela verdade.
Delinquente.
Olhos de vidro.
Desmascaram a minha face.
Iludi-me muito nessa vida.
Meus sentimentos foram atravessados.
Me enganaram.
Abusaram de minha bondade.
Mostre-me a lua sangrando.
Gritos aterrorizantes.
Desrespeito
das sórdidas madrugadas.
Os teus sonhos foram roubados.
Na verdade manipulada,
no estreito foram estuprados.
Ninguém está ligando para mais nada.
Carlos de Campos

No jogo do poder, todos perdemos
Ondas enormes recaem sobre o mundo.
Desastres terríveis se levantam.
Medo e morte,
sofrimento, desejo da humanidade.
Deitado em minha consciência,
ando tão inconsciente.
Ando sobre os meus próprios escombros,
ando na esperança de que nada vai mudar.
É nesse mundo que queremos viver?
Esse é o nosso rosto:
o rosto da desilusão,
do ódio potencializado,
da vida enfraquecida,
do amor esquecido,
da violência como ferramenta.
O nosso rosto anda desfigurado.
O mundo tem jeito
quando a humanidade tomar jeito,
porque, do jeito que está, é suicídio:
é unidos ou destruídos.
É preciso que a ética vença,
que o bom senso prevaleça,
que a humanidade humana se fortaleça.
Estamos no tudo ou nada, neste momento.
Carlos de Campos

Distante do amor e próximo da dor
Loucura e morte,
Imposição e medo,
Desvio de caráter sem receio,
Distante e tão perto ao mesmo tempo.
É o tempo da distopia,
Dos que não eram
E passaram a ser vistos desde então.
É o tempo do confronto da razão.
Ninguém sairá vitorioso dessa batalha.
Mercenários da ilusão,
De um mundo em contínua submissão,
Onde tudo se tornou um fracasso.
Iluminados de autoritarismo
Se somam aos ridicularizados.
Ninguém estará fora ou dentro
Dessa intervenção.
Isolados e com medo, é como estamos:
Distantes e próximos de nada,
Do amor que eu perdi
E, perdendo, me machuquei.
É por dores assim que me movimento.
Decepções são como baldes de água fria.
Nem todos têm a mesma cabeça para lidar com a situação.
Sofrimento: alimento para a alma dos decepcionados.
Distante é como estou.
Cada um segue o seu destino,
Distinto e, ao mesmo tempo, próximo
No sofrimento que nos une como irmãos.
Diante do absurdo,
O susto.
Meus dias passam atropelando tudo.
Eu sinto muito!
Quem é o maior egocêntrico?
O que o mundo deve esperar do homem?
Do amor que nunca vem?
Da ilusão que é a nossa realidade?
Solidão: castigo dos corações apaixonados,
Dos amores que nunca foram realizados,
Da distância que nunca foi tão próxima,
Alma que não soube amar na oportunidade que teve.
Do céu buscam o socorro.
Na Terra produzem destruição em massa,
Tudo em nome da nobre arte de amar,
Das virtudes que são violentadas.
No mundo em que o caos é o imperador,
Os soldados são os desesperançados,
Forçados ao front de batalha,
Sucumbem em êxtase de esperança.
Faz-se ver ao longe,
Caminhando entre corpos e escombros,
A esperança!
Recolhendo os corpos despedaçados.
Limpando as feridas dos sobreviventes,
Alimentando a alma dos esfomeados.
Quem és tu, bela donzela?
Como ousas salvar os meus condenados?
Deixa-os para serem alimento de minha irmã, a morte.
Quem leva a sério esses humanos tão patéticos?
Deixa que suas almas alimentem a morte.
Saia daqui!
Imersa em solidariedade,
Aquela honrada jovem continua o seu trabalho,
Doando-se em amor, tempo, esperança e cuidado.
Ao longe, ainda se pode ouvir o imperador vociferando.
Palavrões, insultos e ordens de guerra são direcionados,
Tudo em uma tentativa em vão de dissuadi-la de sua missão.
Nesse momento, nada e ninguém é capaz de movê-la de seus propósitos,
Na firmeza de seus passos descalços.
Caminhante nessa vida,
Alimenta almas e corpos com o dom sagrado,
Com os dois únicos dons capazes de salvar esta humanidade.
Cantemos ao amor! Cantemos à solidariedade!
Carlos de Campos

Luta para encontrar um relacionamento
Sem amor, caminhamos
Sem compromisso, continuamos
O que pensamos sobre isso?
Relação extinta.
Relacionamento saudável é o que buscamos
Na margem dos relacionamentos fluidos, é onde estamos
Sem nada entender, permanecemos
À sombra da ilusão, nos encontramos.
À margem do descaso
Dos que ostentam
Delírios e desesperos,
Observo que o fim está próximo.
Relação conturbada,
Compromisso esquecido,
Desolado anda o amor,
Perdido pela estrada.
Carlos de Campos

Desejos e sonhos roubados
É impossível ter desejo de justiça quando se tem o monopólio econômico a seu favor, quando o sol nasce para todos, mas maltrata uma parcela da população mais que as outras. É sempre a mesma conversa, e me parece que continuamos no mesmo lugar: solitário e desiludido. Conversas que não mudam comportamentos e comportamentos que não querem ser mudados.
O mundo precisa de uma sociedade consciente. Consciência, esse é o nosso grande problema: consciência livre de ideologia não existe. Nossa busca pela consciência é genuína, até que atolamos no lamaçal de conceitos viciados, conceitos que nos aprisionam e não nos permitem avançar.
Quem sou eu diante desse mundo de ilusões? De desejos não correspondidos? Quem, do topo de sua mediocridade, é capaz de ver além do que lhe é imposto para ver? Sou quem não quero ser, sou quem me determinaram ser, sou a ilusão de dias felizes, fruto do pecado, das almas escolhidas de um deus construído.
Desde criança, fui ensinado a ver o mundo como os adultos o viam. Cresci e continuo vendo somente pelos olhos de outras pessoas; vejo o mundo pelos olhos de quem detém o poder político, econômico, religioso e midiático. Meus olhos e minha vida estão a serviço dos poderosos.
É irrelevante tentar resistir. Desejos são controlados. Minha existência aqui neste planeta apenas repercute os sonhos e desejos que não são os meus; luto as lutas que não foram escolhidas por mim.
Banido de toda a corte real, meu existir subsiste no submundo, onde luto as lutas que não foram escolhidas por mim. Essa é a realidade, pelo menos é a realidade que flagela meu corpo e mente o tempo inteiro. Realidade que devo suportar. Em uma realidade de cartas marcadas, não há muito o que fazer.
Meus sonhos e desejos são impossíveis de se realizar. Movimento-me para, quem sabe, algum dia, enfim, superar a lavagem cerebral à qual fui exposto. Sonho por sonhar, sonho desejando acordar.
Quem sou eu depois de ontem? O que fui capaz de ver além da escuridão? Dos desejos e sonhos que foram roubados? Em meus dias que se passam, passa também a esperança de um dia estar livre.
Carlos de Campos
