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  • O assombroso encontro com meu eu

    Livro 9: A Profecia (Poema 03/20)

    O assombroso encontro com meu eu

    O que esperar do amanhã?

    De um dia sombrio,

    Um tempo frio,

    Suficientemente fútil.

    O que sonhar nessas noites tranquilas?

    Uma noite fria,

    Sem esperança

    Para um novo amanhecer.

    O sonho passa a ser realidade,

    Distante realidade.

    O sonho passa a ser sonho,

    Só mais um sonho.

    O distante é espetáculo aos nossos olhos,

    Aos sonhos disfarçados de ironia,

    Um sonho distante do amanhã,

    Um sonho ferido de insônia.

    Quem, sonhando, resistirá à fantasia?

    Em sono profundo sucumbirá aos seus devaneios?

    Quem, sonhando acordado, pensou: estou acordado?

    Amanhã chegará. Que fazer?

    O que dirá para si

    Quando as travas da realidade forem retiradas?

    O que pensar se o sonho não se realizou?

    Há quem diga que tudo é só ilusão.

    Carlos de Campos

  • Preciso de você na ausência de minha alma

    Preciso de você na ausência de minha alma

    No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?

    Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.

    O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.

    Carlos de Campos

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