Eu vejo o passado me assombrando
Uma sombra recai sobre mim
Quem sou eu nessa batalha terrível?
Sou nada além de um abismo.
Carlos de Campos

Eu vejo o passado me assombrando
Uma sombra recai sobre mim
Quem sou eu nessa batalha terrível?
Sou nada além de um abismo.
Carlos de Campos


O medo que vai e vem
Que medo é esse que vai e vem?
Que me projeta para baixo,
Me espreme de todos os lados,
Com rigor tático de crueldade.
Esse medo que me sufoca,
Me afoga,
Me tortura,
Abusa do meu corpo sem nenhuma vergonha.
Morte!
É o grito que meu espírito solta.
É o medo que nos leva para a beira da morte,
Que nos tortura de toda sorte.
Não existe medo que me faça sentir tanto medo.
É o medo que, do nada, me encoxou por trás.
É o medo que sussurra ao meu ouvido.
É o medo que me põe medo todos os dias.
Suave é como me encontro,
Tanta tormenta passou,
Que do meu corpo nada roubou,
No cansaço dessa luta.
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Todo esse medo me motivou,
Me inspirou.
Não existe derrota para quem lutou.
Na vida, cada luta, vencida ou perdida, é vida renovada.
Carlos de Campos
A loucura de uma verdade
Os loucos andam entre nós.
Nos machucam.
Diferente de nós,
são iluminados com a verdade.
A verdade sempre dói.
Ah, os loucos!
Tidos como incapazes,
observam o que a nossa mente sóbria não percebe.
Sóbria?
A verdade sempre dói.
Me diga a verdade.
Somos incapazes por estarmos chapados de tanta sobriedade.
Somos a história de nossas meias verdades.
Ah, os loucos!
A verdade sempre dói na carne.
Na verdade, não sabemos lidar com a nossa contrariedade,
com a promiscuidade latente em nossa mente.
Mentimos para nos escondermos da nossa realidade.
Mentimos para nos protegermos da dor que dói o dia inteiro.
Essa é a verdade que vai doendo até mais tarde.
Vem e veja essa dor.
É a dor feita de verdades,
verdades que tentamos esconder.
Ah, os loucos!
Não temem a verdade que dói o dia inteiro.
Carlos de Campos

O soco que rasga com crueldade
Tudo era aparentemente tranquilo.
Existia amor entre nós.
Estávamos felizes.
Amanhece…
Está como estávamos antes.
Só deixe passar…
Que aqueles empurrões “inocentes”
escalariam tão rápido assim.
Carlos de Campos
Os pequenos sinais de violência quase nunca começam como um grande desastre, mas podem crescer silenciosamente até destruir vidas; por isso, empurrões, humilhações, ameaças e agressões “inocentes” jamais devem ser normalizados. No Brasil, vítimas ou testemunhas podem denunciar violência doméstica pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 em situações de emergência, ou procurar a Delegacia da Mulher, além de canais oficiais como a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.

No dia seguinte, eu chorei
O maior erro observado,
solidão de um peso que não é seu,
gera a angústia mortal.
Carlos de Campos

Os sonhos escondidos
Foi no auge de minha lucidez,
onde os caminhos já não tinham mais volta,
os sonhos foram despedaçados.
A vida complicada ficou,
a ilusão finalmente chegou.
Carlos de Campos

Ruminar no santuário do coração
Os deleites da alma
transbordam em emoção.
São décadas enclausuradas,
cultivando o amor sagrado
que, sangrando, se faz sozinho.
Carlos de Campos

Nosso amor se acabou
Instante.
Momento passageiro.
Uma história de amor.
Estes são tempos sombrios.
Momento de um instante ferido,
ferida aberta de um amor.
Tudo o que deixo são instantes feridos,
instantes de um amor.
O medo aparece à minha porta,
descuidado no andar.
Tudo o que passou
passou sem vida.
Nada faz você desistir,
no instante, de repente.
Repenso em estar com você
na noite ferida.
Tudo acabou.
Acabou o nosso amor,
a nossa ilusão.
Acabou tudo o que eu sentia por você.
Esse instante é um desses momentos feridos,
cheio de tristeza,
de um amor que se acabou.
Esses dias, encontrei você na rua.
Carlos de Campos

Meus olhos escondem essa mágoa
Sou casada,
apesar de ser respeitada pelo meu marido.
Eu me sinto infeliz.
Casei-me porque estava grávida.
Casei-me por medo.
Hoje olho para o passado,
me encontro perdida.
Sangro em minha solidão.
Fidelidade a um ex-marido.
Dói tanto me sentir assim.
Sinto-me sozinha.
Vivo de aparências.
Minha vontade é fugir
e recomeçar.
Aí, caio na realidade.
Meu ser está vagando.
Minha alma procura conforto,
procura a alegria.
Quando foi a última vez que tive alegria?
Tento dar sentido às coisas.
Carlos de Campos
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