Tag: dor existencial

  • O frio dói e beija na escuridão


    O frio dói e beija na escuridão

    No inverno, esconde-se a dor.
    A tristeza pede para permanecer.
    A dor é sua moradia,
    é o instante de todo o meu sofrimento.

    Instante febril,
    bagagem que me sufoca,
    que desmorona sobre mim,
    sobre o instante já perdido.

    O inverno é frio.
    Para além do frio, é escuro,
    é solitário,
    é vazio de qualquer sentido.

    O que fazer?
    Como sentir novamente?
    Além da escuridão e do frio,
    como não estar solitário?

    Carlos de Campos
    Foto por molochkomolochko em Pexels.com
  • Deus e demônio, eu sou os dois


    Deus e demônio, eu sou os dois

    Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.

    Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.

    O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.

    Carlos de Campos
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com
  • Vem no anoitecer da esperança



    Vem no anoitecer da esperança

    Escolhas coerentes,
    Desejos infames,
    Distanciamento da percepção
    Das nossas emoções.

    Limites a serem ultrapassados,
    Um de cada vez;
    Construímos a nossa história,
    A história de uma vida indigesta.

    Vem a solução
    Por detrás das aparências,
    Dos movimentos sombrios
    Em emoções compulsivas.

    Vem o grito por liberdade,
    Oxigenando a mente atrofiada,
    Distópica da vida
    Diante do meu existir.

    Na madrugada, rompe-se o silêncio.
    Instintos extintos vêm à tona,
    Me rodeiam.

    Instintos extintos
    Me subjugam,
    Torturam-me pela noite afora.

    Carlos de Campos
    Foto por Kindel Media em Pexels.com