Tag: dualidade do ser

  • Deito-me sobre a soleira da vida



    Deito-me sobre a soleira da vida

    Um dos sonhos mais terríveis
    É saber que deseja saber.
    Deixar que esse pensamento nos pegue
    Pode nos destruir.

    Saber quem somos
    É um movimento antigo da alma humana.
    É o grito silencioso da existência.
    Podem nos destruir tais pensamentos.

    Lá no interior de nossa alma
    Existe uma essência
    Que todos os dias vem à tona,
    Chamando-nos para dançar.

    Essência de uma vida destruída,
    Machucada pela vida,
    Que nem viver quer mais,
    Uma vida perdida.

    Quem somos nós?
    A duplicidade em um?
    Um ser afastado de sua essência?
    Sou quem quero ser?

    Um desvio na natureza humana?
    O que sou, realmente?
    Além de um corpo
    Crivado de profundas contradições?

    Carlos de Campos
    Foto por ROMAN ODINTSOV em Pexels.com
  • Os caminhos são incertos



    Os caminhos são incertos

    Existe desejo que não é só desejo:
    virtude apática.
    Existe poder que é só desrespeito,
    força com violência.

    Existimos em meio a tudo isso,
    em meio à distopia.
    Sofremos violência
    e também a cometemos.

    Instinto.
    Desejo proibido.
    Sem solução.
    Estranho em emersão.

    No teu entendimento,
    só acabamos com o outro.
    Longe de um equilíbrio,
    o certo é a incerteza.

    O ser humano é uma incógnita,
    mesmo para si.
    É um desafio a ser decifrado,
    um labirinto escuro a ser explorado.

    Não existe um caminho certo,
    nem indicação de direção.
    Só existe a velha e certa incerteza
    e dúvidas das incertezas certas.

    Carlos de Campos
    Foto por Brady Knoll em Pexels.com
  • Além dos sentidos

    Além dos sentidos

    Não vem.
    O que é normal
    é assustador, mas é normal.
    Imita ser, mas não é.
    Quem você pensa que é?

    É ilusão desejar o que você deseja,
    sentir o que você sente.
    É inegável.
    Você sente e vê.
    E o que você sente e vê?
    E o que você sente?
    Vê o que sente?
    O que os outros captam,
    mesmo estando com você?
    Lógica do ilógico.
    O que sinto e vejo
    são coisas absolutamente distintas.

    Vê!
    Existe a realidade,
    só que não é como acreditamos.
    Diferente?
    Como explicar algo que estamos experimentando
    e que, mesmo explicando, não acreditamos?
    O que vemos e sentimos está em nós
    e, ao mesmo tempo, está além.
    O que está além, nós enxergamos e sentimos,
    só não compreendemos.

    Carlos de Campos
    Foto por Suzy Hazelwood em Pexels.com