Tag: dualidade humana

  • Livro 8: O Dado e o Divino (Poema 01/20) Mostra as câmaras secretas

    Livro 8: O Dado e o Divino (Poema 01/20)

    Mostra as câmaras secretas

    Secretamente me encontro
    No mais profundo do seu inconsciente,
    Sem luz,
    Sem água.

    Alimentando-me, dia e noite, dos seus pensamentos,
    Especialmente dos seus pensamentos mais arraigados.
    Sou um devorador de almas,
    Retiro tudo o que você é.

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    No lugar secreto e mais sombrio da sua alma,
    Eu percorro o dia inteiro.
    Esse lugar é meu,
    É o meu doce arco de safadezas.

    Sou quem pensa o mal em você,
    Sou você o tempo inteiro.
    Sou os seus pensamentos mais obscuros,
    Sou sua divina orgia.

    Sou o canto sedutor que sai da sua boca,
    Que busca se satisfazer a todo tempo.
    Sou o que você faz escondido,
    Sou a verdade jogada na sua cara.

    Sou quem você mais acusa,
    Sou a sua companheira: a hipocrisia.
    Sou o seu melhor amigo,
    Que hoje lhe recomenda: seja verdadeiro.

    Carlos de Campos


  • Deus e demônio, eu sou os dois


    Deus e demônio, eu sou os dois

    Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.

    Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.

    O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.

    Carlos de Campos
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com