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  • O desejo me desafia a desejá-lo

    O desejo me desafia a desejá-lo

    O meu universo vai além das cores e formas,
    Além de tudo o que está além,
    Divagando…
    O que ninguém pode falar.

    Fala-se o que carrega peso
    Do tempo que ainda nem é tempo.
    Fala-se sobre o impronunciável,
    Divagando…

    O impronunciável detesta ser observado.
    De olhar atento, permanece como sentinela,
    Diluído e fragmentado,
    Esquecida está a sua fala.

    O impessoal precisa ser levado em conta,
    Desponta na escuridão,
    Doando-se.
    Déjà-vu…

    Encontro com o inesquecível,
    Perdido no vazio.
    Solidão…
    De rara e inesquecível beleza.

    Inesquecível beleza,
    Beleza rara,
    Destemida,
    Incompreendida.

    Ao destino, falo o que sinto,
    Falo o que omito.
    Desisto de falar porque me envergonho.
    Diante da realidade, apenas me comovo.

    São falas como essas que me aprisionam.
    Me sinto deslocado.
    Enfurecido estou, agora
    Perdido no tempo.

    Divago…
    Nos tumultos existentes, me desaguou.
    Na interminável exploração, eu reflito.
    Desisto, enquanto sinto.

    O impronunciável volta a se pronunciar
    No andar leve,
    No olhar sedutor.
    Fala-se o que não se pode falar.

    Beleza irradiante.
    Comovido, escorrem lágrimas.
    São lágrimas que não podem ser faladas,
    Falas que não podem ser sentidas.

    Discurso ofegante.
    Divago no presente ausente,
    Nas lutas perdidas,
    Dor dos abraços não correspondidos.

    Loucura…
    Mortandade…
    Funeral dos sentimentos.
    Loucura sentida.

    Sentimentos reprimidos
    Do que não pode ser falado.
    Dor…
    Deslocado estou no desejo.

    Imperfeito,
    Do mundo interior me escondo.
    Me abstenho dos desejos,
    Desejos imperfeitos.

    Impronunciáveis são os meus desejos,
    Distorcidos e incompreendidos,
    Desejos retidos,
    Encarcerados pelo sentido.

    Me encontro divagando em meus pensamentos.
    Desejo…
    Do falar impronunciável,
    Carcereiro dos meus atos.

    No auge do amor, me entrego.
    Destino traçado.
    Imparável!
    No demais, deixem o amor falar, se expressar.

    Carlos de Campos
    Foto por Alexander Grey em Pexels.com
  • Mago do Posicionamento Orgânico

    Mago do Posicionamento Orgânico

    Hoje, minha vida recebeu um presente:
    Um dom que estava escondido, e eu o encontrei.
    Convenci o algoritmo de que tenho muito a dizer.
    O algoritmo, com sua "personalidade" fria, me acolheu.

    Tudo parecia que seria mais fácil depois de ser abraçado.
    Nos meus sonhos mais otimistas, eu sempre dizia:
    Se eu superasse o algoritmo de maneira orgânica, tudo fluiria.
    E chegaria com mais facilidade aos corações humanos.

    Na teoria e na prática, convencer o algoritmo sempre foi o passo mais difícil.
    É um universo pré-determinado, sabe-se lá para quê e para quem.
    É uma "relação" com uma máquina fria,
    E transpor esse obstáculo era o ponto primordial.

    Algoritmo superado de maneira orgânica,
    Daqui para frente tudo seria mais fácil.
    Foi o que pensei a princípio.
    O ser humano, querendo ou não, age mais pela emoção.

    O que escrevo não ressoou entre pessoas,
    E me pergunto: por que isso aconteceu?
    Sou uma máquina para entender as máquinas?
    Ou sou só mais um anônimo querendo atenção?

    Sou o mago do melhor posicionamento orgânico,
    Mas sou invisível aos corações humanos.
    Não é para se frustrar,
    Quando são as dúvidas que pairam sobre o meu falar.

    Carlos de Campos
    Foto por Ron Lach em Pexels.com