Tag: enquanto a solidão me abraça

  • Um acordo um tanto inusitado

    No inusitado instante perdido
    Me vejo na contramão
    Na mão de um beijo perfeito
    O beijo roubado.

    Estou vendo tua cara lavada
    Cara que interroga
    No abismo de uma verdade
    Crua do destino.

    O que sonho além do sonho?
    De uma sombra sobre quem sou
    Capaz de ver além dos sentidos
    Que sonha sob a sombra ferida.

    Não é passado do presente
    Muito menos o presente do futuro
    É simplesmente o instante
    Capturado pela sombra do sonho do momento.

    O que instaurou em minha lógica?
    Na lógica que dispersou em fragmentos
    Que me faz sonhar, sonhos tão distantes
    Resta-me entender quem sou eu.

    O que sonhar de agora em diante
    Que desfaz toda a sombra que há por trás
    Sombra de um dia ensolarado
    O que é e como é.

    Carlos de Campos

  • Mendigar é poder e sabedoria

    Livro: A mente e o dinheiro — Poema 01/80

    O pedinte anda pelas ruas
    O seu caminho é seguir andando
    O seu caminhar denúncia
    A vida é triste para quem só acumula.

    O seu olhar não enxerga
    Que o pouso para descansar não existe
    O que existe é o fardo de quem só acumula
    Sem saber se vai conseguir gastar.

    E, no caminho, o andarilho continua
    Denunciando a nossa suprema resistência
    Que é preciso perceber
    Que acumulamos tanto para não sermos realizados.

    Uma vida que vive para o acúmulo
    É uma vida que já morreu
    Se afasta do verdadeiro segredo da vida
    Que a vida é para se viver genuinamente.

    Uma vida carcomida pelo acúmulo
    É um ideal de vida jogado no lixo
    É prejuízo para a própria saúde
    Que, ao repousar, se encontrou com a própria morte.

    Que busca desenfreada foi essa?
    Em que, no seu silêncio, você não conseguiu ouvir?
    Renegou a sua própria história de felicidade
    E, agora, morto está diante do reconhecimento.

    Carlos de Campos