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  • Sonho da alma para a eternidade

    Sonho da alma para a eternidade

    No sonho que sonhei,
    estava você,
    linda e radiante,
    percorrendo todo o meu sonho.

    E ver você caminhando
    me enchia de alegria,
    uma alegria extasiante,
    intensa…

    Uma alegria que não cabia em meu peito.
    Era tão mágica
    que me fazia confundir com a realidade
    o que eu peço: ter você comigo.

    Era poder experimentar essa alegria novamente,
    sem medo…
    sem receios…
    ser eu mesmo.

    Ir até você e abraçá-la,
    e beijá-la, sabendo que seria a última vez.
    O teu cheiro está por toda a casa,
    em cada cômodo, o seu sorriso ressoa.

    Sonho, alma e esperança
    foi o que restou para mim,
    já que a alma da minha alma se foi,
    e, com ela, foi também a minha filha.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Na leveza do teu abraço me encontro

    Na leveza do teu abraço me encontro

    Em razão da vida, o fim é temido.
    É angustiante para todos nós.
    Ninguém, por mais maduro que esteja,
    Está livre desse elefante branco no meio da sala.

    Morrer é antinatural.
    A existência, com toda a sua força, resiste.
    Desde quando se passa a existir,
    A luta para se manter vivo é intensa, mesmo tendo saúde.

    Não é confortável para ninguém a dança permanente com a morte.
    Geralmente, evitamos trazer à razão,
    Mas sempre somos arrastados para o baile,
    Na dança dos inconformados.

    Morrer é demasiadamente extraordinário.
    É a passagem para sabe-se lá onde.
    É a dormição eterna da racionalidade.
    É a dramatização do nosso último julgamento.

    Leve me sinto, já que não há para onde correr.
    Inteiramente tenho vivido, já que um dia eu hei de morrer.
    Entre as multidões de corpos vivos,
    Entre esses corpos é que tenho compreendido.

    Morrer é a atitude mais bela de nossa missão.
    É o maior e único evento de nossa existência.
    É o fim do início de uma nova jornada.
    É a manifestação mais pura de nossas crenças.

    No final, cada um sabe no que acreditar:
    Deidades, vida após a morte,
    Fluidos corporais que prendem uma alma livre,
    Vida plenamente para ser vivida.

    Morrer é a mais intensa das emoções.
    É o prelúdio do que não conhecemos.
    É o que há de pior que vem à nossa mente.
    É entender que poderíamos ter vivido e amado mais.

    Finalmente, o grande dia chegou,
    E com ele, a experiência individual.
    Desejo, sonho — nada mais é tão importante
    Quanto o momento de vivenciar a própria morte.

    Íntimo de minha alma,
    Nos momentos de mais sofrimento, é a minha paz.
    É a poderosa impressão que busquei a vida toda.
    É o momentum além do amor que conhecemos.

    Sinta, em seu rosto, o toque suave:
    Desejo amoroso que desperta pela humanidade.
    Sentimentos naturais de nobreza são potencializados,
    Dando origem à sua melhor versão em plena passagem.

    O íntimo vai florescendo enquanto se faz a passagem.
    Todo o medo e a angústia dão lugar à pacificação plena da alma.
    O condutor de toda essa passagem é o amor,
    O amor semeado pelas pessoas durante sua vida.

    Carlos de Campos
    Borboletas  em voo (alma, libertação, transformação)
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com