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  • À meia-noite, a carne em festa

    À meia-noite, a carne em festa

    Sou um ser letal,
    Distinto de outros animais,
    Um anjo que esconde o demônio,
    Impelido por impulsos flamejantes.

    Em noite de lua cheia, sou predador.
    Não vire as costas para mim.
    Enjaulada encontra-se uma fera,
    Contida, vive na tristeza de sua jaula.

    Os desejos desajustados
    Perseguem a sua carne,
    Desfrutam de sua energia inconsciente,
    Querem sangue para beber.

    Noite de lua cheia.
    Sai para os becos escuros,
    À procura de sangue fresco,
    Canibal em tempo de desespero.

    Carlos de Campos


  • Encanto e desencanto de um encontro

    Encanto e desencanto de um encontro

    O que não quero
    É encontrar, pela estrada da vida,
    Os dias difíceis e sem solução,
    E o que encontro, não quero a companhia.

    E o que encontro pela estrada da vida?
    Encontro a companhia de quem não quero.
    Quero o imperativo do desejo,
    Do querer estar em sua companhia.

    Quem quis o que não podia ter?
    Quem, diante do medo, não se expõe?
    Ninguém sabe o que deseja realmente;
    O que queremos, muitas vezes, é obscuro.

    Indo ao encontro da sorte,
    Dos milagres oportunos que a vida reservou
    Aos pobres desantenados,
    Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.

    Em meu teatro de oportunidades,
    Do baixo ao mais baixo da vida,
    Na difícil tarefa de amar,
    Os encontros obscuros.

    Um fiel escudeiro do amor é o que sou,
    Do amor que promove o encontro e o desencontro.
    Dentre segredos guardados a sete chaves,
    O amor é com quem não quero estar na estrada.

    Carlos de Campos

    Foto por Wendell Stoyer em Pexels.com