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  • Há um clima pesado na atmosfera do mundo. Ganhar e perder a vida se resume a isto.


    Este poema-reflexão mergulha fundo na sensação universal do vazio existencial, explorando o peso do sofrimento e a busca constante por sentido em um mundo marcado pela dor e pela injustiça. Com linguagem acessível e forte impacto emocional, a obra convida o leitor a uma viagem filosófica sobre a origem da consciência e o conflito entre esperança e desespero.
    Uma leitura essencial para quem busca compreender melhor o próprio lugar no mundo e os dilemas que moldam a experiência humana contemporânea.



    Há um clima pesado na atmosfera do mundo. Ganhar e perder a vida se resume a isto.


    No princípio da vida, existia um lugar onde encontrávamos conforto e segurança. Neste lugar, só eu e minha esperança coexistíamos. Mas, mesmo nesse lugar belo e confortável, eu me perguntava: Onde estou? Para onde vou?

    Dia após dia, na medida em que ia se formando a minha consciência, os meus questionamentos só aumentavam e iam se tornando cada vez mais intensos. E, com eles, os medos e as angústias me dominavam. O desejo de querer saber era terrível.

    Em dias “normais”, o desejo era mais intenso, essa minha “loucura” de querer saber qual era o sentido da minha vida. Era intrigante constatar que, desde a minha concepção até o meu nascimento, tudo o que experimentei e experimentava era só dor e sofrimento, com pequenos momentos de alívio que chamamos de felicidade.

    Em um dia mais tranquilo, eu vi o ódio, a fome, o genocídio, a injustiça — só para citar alguns — arrasarem livremente o mundo, e ninguém fazia nada para conter. Onde estava a lógica nisso tudo? Nascer, crescer, só para sofrer e ver os outros sofrerem? Quem preferiu a dor em vez do amor? A fome em vez do prazer?


    Eu sou só mais um, em meio a outras bilhões de pessoas que carregam em seu peito essa brasa flamejante, que, com persistência, nos queima a todo instante. Essa profunda marca nos interroga a todo momento sobre o que estamos fazendo aqui.

    Aconteça o que acontecer hoje de bom ao longo de seu dia, o que estamos fazendo aqui continuará ecoando dentro de você, e nada poderemos fazer sobre isso. E tudo isso, querendo ou não, influencia o nosso comportamento e decisões diariamente. O vazio existencial é assustador.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Onde há ódio existe a destruição

    Onde há ódio existe a destruição

    Não existe prazer em meio à dor,
    Mesmo que seja acompanhada de intervalos de bem-estar.
    O corpo e a mente ficam desconectados,
    E não sabemos para onde ir.

    O sol aquece o corpo ferido de morte.
    Tudo nesta vida é dor e sofrimento,
    É conflito e mais conflitos,
    É uma constante guerra sem fim.

    Um instante, um único vacilo, e tudo se vai,
    Sem aviso ou uma última refeição.
    Tudo simplesmente evapora,
    A vida, à qual somos tão apegados, vira pó.

    Desvio o olhar por um instante.
    Em meio à ilusão destruidora, posso ver a beleza.
    Oh, como a senhora Beleza é plena!
    Habita no olhar inocente de uma criança.

    Quem vive consumindo ódio é digno de ver tua beleza?
    É possível que um coração iludido se recupere?
    E como posso vencer o mal?
    Quem é que, vendo a beleza, não quer desposá-la?

    O meu corpo ainda segue doente de tanto ódio.
    A mente busca por salvação.
    Percorro, com determinação, o caminho para expurgar o ódio das entranhas da vida,
    Para que um dia, contigo, eu possa estar.

    Carlos de Campos

    Foto por Joel Alencar em Pexels.com