Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.
Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.
O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.
Há opressão na maneira como as pessoas se impõem umas sobre as outras, e isso é o que mais impacta nossa saúde mental. Estar sempre pronto e disposto a ser feliz a todo instante é uma das expressões... Não sei se esse é o melhor caminho.
O que buscamos é, de modo geral, impossível. Nem todas as pessoas têm essa mesma disposição. É um jeito de ser impositivo que mais oprime do que liberta a pessoa — até mesmo porque, segundo nossa concepção, a liberdade está justamente em ser quem se quer ser neste momento.
O que se pode esperar de uma pessoa forçada a ser quem ela não é? Que sente a emoção em outra frequência? Deus? Quem é esse ser tão distante da nossa realidade? Não seria Deus o capataz da moralidade falida?
O que mais me entristece é saber que tudo está como era antes, e que o que simplesmente mudou foi o acréscimo de maquiagem. Não tenhamos a ilusão de que, um dia, tudo isso possa mudar. A energia mental que prevalece sobre o mundo — e sobre as nossas cabeças — é uma energia profundamente opressora.
O mundo é um ambiente hostil para nós, meros seres humanos. É um lugar que provoca nossa mentalidade selvagem. O que podemos esperar de pessoas sob o domínio do que há de mais animalesco em si? Temos escolhas?
Me pego pensando: a felicidade existe? Será que não convencionamos certas atitudes como sendo aquelas mais próximas de uma demonstração de felicidade? A felicidade que dizemos sentir é uma felicidade genuína? Quem é feliz, de fato? É preciso ser ou ter algum tipo de poder que valide a felicidade que ocasionalmente sentimos?
Carlos de Campos
Convido você a ler, refletir comigo e compartilhar sua visão. Vamos juntos transformar a dúvida em consciência.