Tag: Espiritualidade

  • Sorte é florescer no jardim da própria morte

    Sorte é florescer no jardim da própria morte

    O sol
    pôs-se diante dos meus olhos,
    dos mesmos olhos que viram a saudade
    sem saber das cores
    de uma vida sem flores,
    que floresceu na morte —
    morte que desabrocha a nossa sorte,
    sorte de não se ter o amanhã.
    É importante o dia da morte,
    que floresceu em um dia de sorte.

    Em dia de sorte,
    provamos da própria morte,
    da sorte que gera a ilusão
    de sermos eternos —
    eternos até florescer a nossa própria sorte.
    Caímos na própria teimosia:
    eternos até o grande dia,
    dias de paz,
    de um silêncio sepulcral.

    Flores que florescem a todo tempo,
    flores da morte,
    da sorte,
    da insensibilidade com a vida —
    vida temida.
    A morte deu sorte:
    sorte de florescer na própria morte.

    Carlos de Campos
    Foto por u6d6a u90ed em Pexels.com
  • Incertezas

    Incertezas

    Perdão, oh, meu pai,
    difícil é a vida;
    joguei meu futuro no presente incerto.

    Meu Deus, quanta incerteza!
    Destemido é o que sinto;
    sua coragem é surpreendente.

    Instinto distinto,
    enigma do coração,
    desejos que vão.

    Meu filho!
    Sua busca é justa e inevitável;
    são nossos os prazeres do mundo.

    Fingir amor, se tudo é ódio,
    desejos extravagantes,
    almas enclausuradas.

    Cada um tem o seu preço,
    consumidores diuturnamente,
    destino sem futuro.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com