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  • Livro 9: A Profecia (Poema 01/20) No princípio o nada já existia

    Livro 9: A Profecia (Poema 01/20)

    No princípio o nada já existia

    Tudo já existia em forma de caos.
    O caos era sem forma e sem sentido.
    O caos apenas existia,
    e, junto com o caos, existia a vida organizada.

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    O caos e a vida coexistiam.
    A vida se fortalecia em meio ao caos.
    O caos se intensificava na medida em que a vida existia.
    Caos e vida: um depende do outro.

    Tudo o que existe hoje vem do caos.
    Está vivendo em pleno caos
    e para o caos voltará.
    Somos a plenitude do caos.

    De cada sensação de equilíbrio,
    o caos vai se movimentando e existindo.
    O caos é a força causal da vida.
    É o poder central do que vemos e somos.

    O caos é o nosso criador.
    É quem gera a nossa energia vital.
    O caos é o elemento primordial de tudo o que existe.
    Existir é ser caos.

    É por isso que não existe a perfeição,
    apenas o aceitável.
    Tudo, neste exato momento, está fervilhando na essência do caos,
    até este poema que você lê é feito de caos.

    Carlos de Campos
  • É no impossível que se realiza o possível



    É no impossível que se realiza o possível

    Move-se em meu ser
    um ser finito,
    com limitações,
    um ser que abriga o infinito.

    Somos as mais belas das contradições.
    Somos extremamente limitados,
    ao mesmo tempo em que manifestamos o infinito
    em tua essência, em nossa vida.

    É, em nossa vida, um mistério da resistência,
    em que o não existir seja o mais coerente.
    De incoerência em incoerência,
    resistimos para existir.

    É no apogeu dessa existência finita
    que miramos, de maneira natural, para o infinito.
    E, sem saber ao certo,
    seguimos — limitados, mas seguimos.

    Perseguimos o entendimento do infinito
    que, quando chega até nós, é finito.
    É finito quando o observamos,
    e infinito quando buscamos alcançá-lo.

    É um mistério que procuramos desvendar.
    Buscamos o sentido de estarmos aqui,
    entre o possível e o impossível
    e a possibilidade de sermos quem não sabemos quem somos.

    Carlos de Campos
    Foto por GEORGE DESIPRIS em Pexels.com