“Não é mais uma mulher, é a regra do machismo” é um poema que transcende a estética para se tornar denúncia. Aqui, cada verso é um passo em direção ao colapso — não só do corpo da personagem, mas de uma estrutura social adoecida. Um texto que precisa ser lido com o coração aberto e a consciência alerta.
Não é mais uma mulher, é a regra do machismo
Impaciente… Dirige-se ao balcão do caixa. Está com pressa, E a fila é enorme.
Impaciente, fila enorme, Começa a passar mal. Seu corpo pálido e fraco Desaba na fila daquele supermercado.
A ambulância chega. A mulher, ali mesmo, recebe os primeiros socorros. É preciso levá-la com urgência para o hospital: É mais grave do que parece.
É vida ou morte! É sangramento interno. Os paramédicos correm contra o tempo. É vida ou morte!
O silêncio do centro cirúrgico É interrompido pelo “piiiiiii” do monitor cardíaco, Um som específico que revela Que a vida se esvaiu.
Os médicos nada mais podiam fazer. Um tiro nas costas perfurou seu pulmão. Foi alvejada na fila do supermercado Pelo próprio filho.
Ser mulher
Uma a cada seis horas
A violência só cresce
Mulheres são encurraladas
Mulheres são mortas.
Não prestam atenção
Falam isso e aquilo
Tudo continua na mesma situação
Uma mulher a cada seis horas é morta.
É preciso se levantar Mulheres são mortas
É preciso dar um basta
Uma mulher a cada seis horas é morta.
As mortes continuam
Mulheres são perseguidas
Assediadas constantemente
E mortas.
Carlos de Campos