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  • Não é mais uma mulher, é a regra do machismo





    “Não é mais uma mulher, é a regra do machismo” é um poema que transcende a estética para se tornar denúncia. Aqui, cada verso é um passo em direção ao colapso — não só do corpo da personagem, mas de uma estrutura social adoecida. Um texto que precisa ser lido com o coração aberto e a consciência alerta.



    Não é mais uma mulher, é a regra do machismo

    Impaciente…
    Dirige-se ao balcão do caixa.
    Está com pressa,
    E a fila é enorme.

    Impaciente, fila enorme,
    Começa a passar mal.
    Seu corpo pálido e fraco
    Desaba na fila daquele supermercado.

    A ambulância chega.
    A mulher, ali mesmo, recebe os primeiros socorros.
    É preciso levá-la com urgência para o hospital:
    É mais grave do que parece.

    É vida ou morte!
    É sangramento interno.
    Os paramédicos correm contra o tempo.
    É vida ou morte!

    O silêncio do centro cirúrgico
    É interrompido pelo “piiiiiii” do monitor cardíaco,
    Um som específico que revela
    Que a vida se esvaiu.

    Os médicos nada mais podiam fazer.
    Um tiro nas costas perfurou seu pulmão.
    Foi alvejada na fila do supermercado
    Pelo próprio filho.

    Carlos de Campos
    Foto por Charlie Rock-driguez em Pexels.com
  • Ser mulher

    Ser mulher
    
    Uma a cada seis horas 
    A violência só cresce 
    Mulheres são encurraladas
    Mulheres são mortas. 
    
    Não prestam atenção 
    Falam isso e aquilo 
    Tudo continua na mesma situação 
    Uma mulher a cada seis horas é morta. 
    
    É preciso se levantar 
    Mulheres são mortas
    É preciso dar um basta 
    Uma mulher a cada seis horas é morta.
    
    
    As mortes continuam 
    Mulheres são perseguidas
    Assediadas constantemente
    E mortas.
    
    Carlos de Campos 
    
    Foto por Astrid Sosa em Pexels.com