Tag: homem

  • O teu olhar

    O teu olhar

    O teu olhar me fascina
    Desejo incompreendido,
    Instinto primitivo,
    Mergulho na alma.

    O desejo desorientado,
    Falange de vozes atordoadas,
    Impróprio para os que confiam.
    De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.

    Não existe medo em meu coração,
    Nem a mais doce imaginação.
    Na minha carcaça, não existe alma,
    Só existe sombra e lamentação.

    Ímpeto repleto de vontade,
    Possuído por reles manifestações
    Que vêm do mergulho que faço
    Na fossa do meu ser.

    Dominado por uma breve lucidez,
    Tomo um susto!
    Ao ver o mundo entregue às traças,
    Uma sociedade falida.

    O delirante modo de vida que me convida,
    Estar afogado em meus problemas
    Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores.
    Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.

    Carlos de Campos

    Foto por Paweu0142 L. em Pexels.com
  • O corpo quer nos falar

    O corpo quer nos falar

    O momento é de cuidado especial com o que você tem de mais precioso em sua vida, que é o seu corpo. Contemple o seu corpo, ame o seu corpo como ele é — nem mais, nem menos.

    O teu corpo é um templo de todas as suas expressões; é por ele que nós nos comunicamos a maior parte do tempo consigo e com o outro. Nosso corpo é nosso comunicador por excelência.

    O seu corpo fala com os outros e, principalmente, fala com você — fala o tempo todo. Por vezes, descomplica a sua vida, te protege de todo o mal, te leva ao amor. O nosso corpo é o nosso pedagogo, que nos pega pela mão e nos conduz com segurança.

    O problema é que pouco ou nada damos de atenção ao que o nosso corpo tem a nos dizer. É preciso ouvir atentamente e diariamente o que o nosso corpo nos fala. Ouça o que ele te diz, agora.

    Carlos de Campos

    Foto por Cliff Booth em Pexels.com
  • Emoções perturbadas

    Emoções perturbadas

    Ele vem até o meu quarto dizendo para mim que não fui sincera e que está farto de minhas omissões. Eu olhei no fundo dos seus olhos, criei toda uma expectativa, ensaiei diversas falas e, em frações de milésimos de segundo, decidi que não valia a pena falar mais nada. Retirei-me daquele quarto e, enquanto saía, acenava com a cabeça negativamente, como forma de mostrar toda a minha indignação naquele momento.

    Diferente de outras brigas, dessa vez saí diferente, saí determinada a dar um fim nesse relacionamento que se tornou insuportável. Saí decidida de que isso não aconteceria mais a partir de hoje.

    Estava à beira da loucura; pensamentos destrutivos tomavam conta de boa parte do meu tempo. O que eu mais queria, nesse momento, era ficar só, bem longe de tudo e de todos. Depois de pensar por alguns minutos, decidi ir para um hotel. Eu precisava muito de silêncio, precisava ficar longe das pessoas me dizendo a todo tempo o que fazer e como fazer. Preciso urgentemente desse momento só meu, para organizar os meus pensamentos, minha vida e decidir que rumo seguir depois.

    Mas quero decidir tudo isso com a cabeça fria, com muito cuidado. Preciso muito ter certeza da escolha que vou fazer, porque essa, para mim, será a escolha mais importante da minha vida. Essa não será só mais uma escolha de relacionamento; é uma escolha onde estou totalmente envolvida emocionalmente. Sinto que é uma escolha da qual poderei colher resultados tanto benéficos quanto maléficos para a minha vida daqui para frente. Por isso, essa escolha se faz tão mais importante quanto as outras que já fiz.

    Motivos tanto para ir quanto para ficar, eu tenho de sobra. Os motivos aqui são detalhes de uma enorme trama que o coração nos coloca. São tramas delicadas e engenhosas que, mal interpretadas, podem nos levar ao fracasso emocional por completo, trazendo-nos prejuízos imediatos — o principal e mais relevante é o nosso completo encarceramento pelo resto da vida em uma prisão emocional de profunda dor.

    Os motivos, como disse, são simples. O que não é simples é saber qual fio devo cortar para desarmar a bomba sem que, com ela, eu também venha a me explodir. Por isso busco no silêncio o melhor entendimento.

    Hoje faz uma semana que estou neste hotel. Já me sinto um pouco melhor, mas ainda posso sentir a energia de toda a briga repercutindo em meu corpo, por isso entendo que ainda não chegou o momento de me decidir.

    No dia em que for me decidir, espero que só exista um único sentimento: o sentimento de total aceitação da minha parte, que tudo esteja sendo feito em profundo acordo e consentimento entre a minha emoção e a razão.
    Em um tempo em que tudo precisa ser ágil, somos levados automaticamente a reproduzir esse hábito danoso em todas as áreas de nossas vidas — e no relacionamento não é diferente, sendo, por sua vez, a área mais atingida.

    Podemos observar in loco o quão danoso isso se tornou em nossos dias. É uma verdadeira pandemia: pessoas desfilando aparentemente felizes, mas por dentro emocionalmente destruídas. Sendo levadas, mesmo sem sua autorização, a viver das regalias que o submundo do inconsciente doentio lhes oferece, como inveja, medo, ódio e vingança. Pessoas que, no final, vivem uma vida emocional em que só sabem cultivar desejos de que sua dor emocional se estenda a todos os seus conhecidos e desconhecidos; querem que seu fracasso emocional contundente seja a tônica de toda a sociedade. O ideal de sociedade dessas pessoas emocionalmente destruídas é que todos vivam para serem profundamente infelizes.

    É exatamente por isso que busco no silêncio interior e no afastamento físico tudo o que envolve a minha decisão. O meu dever nesta busca é tentar entender qual é a origem do que culminou em toda essa briga. Eu preciso ter a clareza e a profundidade de cada elemento, e como esses elementos contribuíram e contribuem para que chegássemos onde estamos agora.

    Sei exatamente o que você está pensando. Mesmo depois de tudo o que contei até esse momento, há em nós essa ânsia de querer resolver tudo rapidamente, como se a nossa vida não fosse importante, como se os nossos sentimentos e sonhos não fossem relevantes. Não! Não é assim que toco a minha vida. Se eu puder te dar um conselho: não toque a sua vida como se ela não fosse importante.

    Faz um mês, e hoje me sinto melhor e bem distanciada dos fatos que me trouxeram até aqui. Os fatos que me foram revelados ao longo desses dias foram perturbadores. Primeiro, porque eu descobri que não sou vítima — pelo contrário, eu também sou algoz. Descobri que tanto eu quanto ele sentimos prazer em viver em uma relação tóxica, onde existem trocas de ofensas mútuas. Por isso, resolvi terminar com ele e buscar ajuda para me curar.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • À meia-noite, a carne em festa

    À meia-noite, a carne em festa

    Sou um ser letal,
    Distinto de outros animais,
    Um anjo que esconde o demônio,
    Impelido por impulsos flamejantes.

    Em noite de lua cheia, sou predador.
    Não vire as costas para mim.
    Enjaulada encontra-se uma fera,
    Contida, vive na tristeza de sua jaula.

    Os desejos desajustados
    Perseguem a sua carne,
    Desfrutam de sua energia inconsciente,
    Querem sangue para beber.

    Noite de lua cheia.
    Sai para os becos escuros,
    À procura de sangue fresco,
    Canibal em tempo de desespero.

    Carlos de Campos


  • Tudo passa, a temperança prevalece

    Tudo passa, a temperança prevalece

    Sou o fracasso resplandecente,
    Os dias indigestos de um vagabundo,
    Desejos honestos, irrealizáveis,
    Perturbações que desorientam,
    Falido até na certeza.

    Fugiria, covarde que sou,
    Com diligência encontraria um buraco.
    Sairia com a calça nas mãos,
    Sem vergonha, nu me apresentaria.
    Diante da vida, aceitaria.

    Tudo é passageiro,
    Permanece a temperança,
    O lastro contagiante da vitória.
    Extraordinários serão os seus dias —
    Que tudo fez, e hoje está aqui.

    Carlos de Campos


  • A sua volta


    📖 Enquanto a Solidão me Abraça – já disponível!
    Existem momentos em que o silêncio fala mais do que mil vozes.
    E é nesse lugar – entre a dor, a memória e o recomeço – que nascem os versos de Enquanto a Solidão me Abraça.
    Este livro é um abraço em forma de poesia para quem já amou, perdeu, esperou… e ainda assim escolheu continuar.
    Cada página é um espelho onde você pode se reconhecer, e talvez, se curar.
    🔹 Palavras que tocam.
    🔹 Sentimentos que não se explicam, mas se sentem.
    🔹 Um convite à introspecção e ao reencontro consigo mesmo.
    📚 Adquira o seu agora pelo site da Caravana Grupo Editorial
    Deixe-se abraçar por essas páginas.


    A sua volta

    Sua mão toca o meu ombro.
    Olho para ver quem é,
    e, com surpresa, vejo que é você,
    que, depois de tanto tempo, resolveu voltar.

    Distante, preferiu ficar.
    Diante das minhas ligações, escolheu silenciar.
    O que te faz ter esperança para voltar?
    O que ainda quer de mim?

    No instante em que te vi,
    o coração até reconsiderou,
    mas o meu pensamento foi mais racional,
    Fazendo-me recordar tudo o que passamos.

    Sinto-me traído
    e mais infeliz do que quando você partiu.
    O que menos me importa é saber o motivo da sua volta;
    quando decidiu ir embora, foi sem me comunicar.

    Siga a tua vida longe de mim.
    Quero me esquecer de você,
    deixar tudo para trás,
    como se você nunca tivesse existido.

    A infelicidade sempre terá a sua força.
    A minha sempre será você:
    do amor à ilusão,
    da ida, da volta, para o esquecimento.

    Carlos de Campos

    A sua volta
    A sua volta
  • Convite ao leitor

    🌿 Convite ao leitor:
    Se este poema tocou algo dentro de você, convido a explorar outros versos que também nasceram do silêncio, da ausência e do amor.
    Cada texto é um fragmento de mim, mas pode ser espelho de algo seu.

    👉 Clique aqui para descobrir mais poesias e reflexões que talvez também sejam suas

    Blog

  • O Que Permanece

    O Que Permanece

    Mistério que envolve a vida,
    Ferida que sangra e não tem cura.
    Mais além de você,
    Só você mesmo.

    Diante da vida, existe a morte.
    O desejo incontido de sobrevivência
    Nos leva ao ostracismo.
    De repente, tudo para.

    No último suspiro,
    Finalmente conseguimos a emancipação da Terra.
    Homem parado, sem questionamentos,
    Na ilusão da vida, recebemos a morte como prêmio.

    Não existe defesa contra a morte,
    Nem acordo de rescisão.
    A morte é abusiva,
    Com poder opressor.

    Com sua força, abusa do poder,
    Eliminando a todos — amigos e inimigos —,
    Atraindo para si olhares invejosos,
    Ostentando ganância em meio à miséria.

    Seu poder e fama voam pelo mundo.
    Inveja e incerteza são os seus companheiros.
    Tudo o que ofereci foi por medo.
    A cada segundo, é mais um passo para o fim.

    Carlos de Campos
    Foto por Summer Stock em Pexels.com
  • O que eu seria sem o meu trabalho?

    O que eu seria sem o meu trabalho?

    Caos no trabalho é difícil de administrar
    São horas sem saber a verdadeira razão
    Cada um administrando como pode,
    Mesmo sem o patrão saber.

    Alguém viu o lucro que poderia ter e inventou o trabalho.
    No final do dia, dá trabalho viver com o trabalho que faço.
    É uma espécie de “chora menos quem manda”,
    É a valentia de quem nunca trabalhou.

    Quem deveria acordar acha fofo o emprego que tem:
    Insalubridade, pagamento atrasado e pressão psicológica.
    Existe honra nisso?
    Ser a maior força que com mais facilidade se pode manobrar.

    Movimento a exploração da mão de obra:
    Morreu trabalhando, morreu com honra.
    Seja você o agente transformador da boa vida do seu patrão,
    Só não se esqueça de que você é facilmente descartável.

    Imagine quando você ficar doente?
    Como o seu patrão vai te tratar?
    O seu suor é totalmente desvalorizado,
    Enquanto o emprego vai desaparecendo.

    Há quem diga
    Que foi Deus quem inventou o patrão
    Para castigar a carne de Adão e Eva,
    Que fornicaram lá pelas bandas do paraíso.

    Carlos de Campos

    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Encanto e desencanto de um encontro

    Encanto e desencanto de um encontro

    O que não quero
    É encontrar, pela estrada da vida,
    Os dias difíceis e sem solução,
    E o que encontro, não quero a companhia.

    E o que encontro pela estrada da vida?
    Encontro a companhia de quem não quero.
    Quero o imperativo do desejo,
    Do querer estar em sua companhia.

    Quem quis o que não podia ter?
    Quem, diante do medo, não se expõe?
    Ninguém sabe o que deseja realmente;
    O que queremos, muitas vezes, é obscuro.

    Indo ao encontro da sorte,
    Dos milagres oportunos que a vida reservou
    Aos pobres desantenados,
    Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.

    Em meu teatro de oportunidades,
    Do baixo ao mais baixo da vida,
    Na difícil tarefa de amar,
    Os encontros obscuros.

    Um fiel escudeiro do amor é o que sou,
    Do amor que promove o encontro e o desencontro.
    Dentre segredos guardados a sete chaves,
    O amor é com quem não quero estar na estrada.

    Carlos de Campos

    Foto por Wendell Stoyer em Pexels.com