Não bebo a solidão, ela é quem me toma, me possui em tudo: sentido... tato... olfato... paladar... Nada está fora do seu alcance.
Algoz do meu mundo, que em medo me enche, o que nada desafia na fria escrita que rompe o silêncio. Tempo sombrio.
Tudo o que faz sentido está longe de ser revelado. O que faz sentido não se explica: observa, sente e observa, sente até sentido fazer.
No meu mundo é difícil sentir, porque o sentido se desfaz na ilusão do meu entendimento. Meu caro, devo lhe dizer: o Invisível é quem te guia, na escuridão ou na iluminação.
Quem sou eu diante do absurdo do meu reflexo? Feliz no instante egoísta da própria limitação. O medo é encorajado pelo instante duvidoso. Sou a decepção dos triunfos não alcançados de um dia a mais, fadigado. Sou a beleza da plena lamúria que um dia ousou se rebelar dos instantes perfeitos; só me restou a imperfeição. Cada dia é um dia a mais de morte e ressurreição.
Existe em mim amor, ainda que turvado por meu egoísmo? Por minha grandeza sustentada pela areia? Existe um lugar pouco conhecido, quase esquecido por mim; é aí que a força poderosa do amor vive, em um cômodo de um metro quadrado, sem luz, sem água, sem dignidade, esquecido por você para que morra de frio na mais pura e intensa solidão.
Em artesanato, esbocei a minha perigosa relação de queda, como um anjo perdido, cheio de ambição e certo de que irei falhar. Existe um medo da grandeza; é como se fosse querer me engolir. Nada mais faz sentido quando o que sinto não faz parte da minha realidade. É como se eu fosse o eu de ontem, o eu de um passado distante, que só observa e não faz mais nada.
✨ Lectio Poética: leitura contemplativa da poesia A poesia pode ser mais do que palavras — pode ser caminho, silêncio, respiração e encontro consigo mesmo. Neste quadro, cada poema é lido como quem toca o invisível: com pausa, escuta e presença. Inspirado na tradição da leitura orante (lectio divina), o Lectio Poética transforma o poema em experiência interior. Aqui, não explicamos a poesia — habitamos ela. Em cada episódio: ✅ Leitura contemplativa do poema ✅ Silêncio guiado e respiração poética ✅ Perguntas que despertam consciência e transformação ✅ Espaço para sentir, não apenas compreender A proposta é simples e profunda: Deixe o poema falar onde a voz termina. Se você busca poesia como cura, reflexão, espiritualidade, arte ou autoconhecimento, este projeto é para você. 🍃 Inscreva-se, respire com as palavras e deixe-se atravessar pela linguagem.
Só em mais um dia, essa solidão que insiste em ficar fica, a todo instante, a me recordar que este é mais um dia em que estou só.
Somente eu e a minha solidão, solidão só, com sua presença — presença fria, distante de nós.
Minha cara solidão, então vem, me abrace a noite inteira, me faça senti-la até os sentidos sentirem o que já não existe mais.
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A solidão é noite passageira dos nossos sonhos tardios... O sonho de uma noite de solidão.
É mais uma noite, e estamos sós: somente eu e a minha solidão, eu — e toda essa multidão.
No anoitecer, você chega, chega em silêncio... em um silêncio eloquente. Você se aproxima e me abraça a noite inteira.
Carlos de campos
Deixe sua visão sincera sobre o poema — ela vale ouro! Gostou? Não gostou? Sentiu algo? Ficou indiferente? Toda opinião aqui é bem-vinda. Sua leitura, mesmo em poucas palavras, ajuda a poesia a respirar fora da minha solidão e a encontrar novos sentidos. Comente com o coração. Seja qual for sua visão, ela importa.
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