Não bebo a solidão, ela é quem me toma, me possui em tudo: sentido... tato... olfato... paladar... Nada está fora do seu alcance.
Algoz do meu mundo, que em medo me enche, o que nada desafia na fria escrita que rompe o silêncio. Tempo sombrio.
Tudo o que faz sentido está longe de ser revelado. O que faz sentido não se explica: observa, sente e observa, sente até sentido fazer.
No meu mundo é difícil sentir, porque o sentido se desfaz na ilusão do meu entendimento. Meu caro, devo lhe dizer: o Invisível é quem te guia, na escuridão ou na iluminação.
O nosso destino está no ver. No ver de quem sente, no ver de quem ouve. Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê é o mesmo sentido que ouve, que sente o sentido do olhar. Vê como eu sinto? Sente o que eu vejo com o ouvido? Sua capacidade de ver está extremamente aguçada. Seu corpo se arrepia todo. Sua mão suada me toca, toca como quem quer ver o que está ouvindo. Sua boca deixa sair os sentidos. Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver é visto nos olhos, é sentido. As minhas comoções vêm à tona, ligadas ao meu ver. Eu vejo o que vejo. Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo, passeiam pelo meu corpo. Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos
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