Tag: literatura contemporânea brasileira

  • O meu sofrimento não me permite elevação


    O meu sofrimento não me permite elevação

    Não bebo a solidão,
    ela é quem me toma,
    me possui em tudo:
    sentido...
    tato...
    olfato...
    paladar...
    Nada está fora do seu alcance.

    Algoz do meu mundo,
    que em medo me enche,
    o que nada desafia
    na fria escrita
    que rompe o silêncio.
    Tempo sombrio.

    Tudo o que faz sentido
    está longe de ser revelado.
    O que faz sentido não se explica:
    observa,
    sente e observa,
    sente até sentido fazer.

    No meu mundo é difícil sentir,
    porque o sentido se desfaz
    na ilusão do meu entendimento.
    Meu caro, devo lhe dizer:
    o Invisível é quem te guia,
    na escuridão ou na iluminação.

    Carlos de Campos
    Foto por Dorran em Pexels.com
  • O corpo e a mão veem os sentidos


    O corpo e a mão veem os sentidos

    O nosso destino está no ver.
    No ver de quem sente,
    no ver de quem ouve.
    Ver é ouvir o sentido.


    https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/enquanto-a-solidao-me-abraca/


    O sentido que vê
    é o mesmo sentido que ouve,
    que sente o sentido do olhar.
    Vê como eu sinto?
    Sente o que eu vejo com o ouvido?

    Sua capacidade de ver está extremamente aguçada.
    Seu corpo se arrepia todo.
    Sua mão suada me toca,
    toca como quem quer ver o que está ouvindo.
    Sua boca deixa sair os sentidos.
    Sua alma está plena em ver o que eu vejo.

    O estado de ver
    é visto nos olhos,
    é sentido.
    As minhas comoções vêm à tona,
    ligadas ao meu ver.
    Eu vejo o que vejo.
    Suas mãos estão frias.

    Suas mãos veem o meu corpo,
    passeiam pelo meu corpo.
    Meu corpo vê os sentidos.

    Carlos de Campos
    Foto por Paulina Bermudez Castellanos em Pexels.com