Reviver é o mesmo que sobreviver? É a espera em uma esperança fria? É a universalidade do finito? É a mentira posta como verdade? É o meio de um inteiro? É a alma de um corpo sem vida? É a vida em um corpo morto? O que eu devo saber? No momento certo saberei? Não existe o momento certo para as incertezas.
Soube onde iria quando nasci, quando me abraçastes pela primeira vez. Naquela noite, tudo fazia mais sentido. Sentia como se fosse um delírio, momento único para estar só, na trincheira da vida, sozinho. Longo silêncio interior. Não há mais nada para viver.
Uma centelha de esperança se acende no fundo da alma humana, na escuridão profunda da consciência, no mar tempestivo das emoções, na mais bela razão que nos faz estar vivos, na finitude da existência que nos aprisiona. Nada mais é tão simples como viver, como pena lançada ao vento, que apenas voa.
Um poema sombrio e filosófico sobre o colapso da humanidade diante do medo, da violência e da inevitável rendição interior. Reflexão poética sobre o fim e a perda da esperança.
O mundo sob rendição
É noite de escuridão. O medo toma conta da cidade. De maldade em maldade, espalha-se o terror.
Em um mundo em que a distância é fascinante e, ao mesmo tempo, ultrajante, distante das pessoas, próximo da ausência plena.
Nada é como antes, e antes é toda a base sólida, entre mundos tão iguais e completamente diferentes.
Que caminha para o caminho do sofrimento pela busca incessante da angústia, consciente de que, em seu íntimo, é desejado; é o desejo dos desejos a ser conquistado.
Impor é se destruir, é revidar contra si mesmo, é lutar com a imagem refletida pelo espelho, é ser, na essência, a essência contraditória.
Lutar é assumir ser desonesto. O desonesto sofre na essência, vê sua saúde mental diminuindo, abreviando o fim do seu próprio mundo.
Move-se em direção ao desconhecido — esse é o principal fator que leva o ser humano a olhar para além de si mesmo e de sua vida cotidiana.
Deus, quem é Ele? Onde Ele existe? Essas são duas simples questões, entre outras milhares, que de alguma forma pairam na vida de qualquer ser humano, de qualquer raça, crença ou posição social.
Pode ser que você nunca tenha duvidado da existência de Deus, mas, sem sombra de dúvida, é certo que todos nós — uns mais, outros menos — tenhamos feito algum tipo de questionamento a nós mesmos sobre a existência de Deus em algum momento de nossa vida.
Em um mundo repleto de ilusão, de carências de todas as formas e maneiras às quais estamos submetidos… Em um mundo onde o ser humano vive a maior parte de sua vida empreendendo fugas de algum tipo de injustiça…
É legítimo e natural que o ser humano busque refúgio em uma força superior, mesmo que essa força não tenha sua atuação comprovada em prol da humanidade.
O que mais incomoda o ser humano, de modo geral, é ter a percepção de que está, de fato, sozinho — e que toda a sua vida só está sendo garantida graças à sua própria força e dedicação ao trabalho.
E que, até o presente momento, nenhuma força sobrenatural tenha, de alguma forma, contribuído de maneira solidária para que sua vida tenha uma caminhada um pouco mais leve neste mundo de lágrimas, dor e injustiça, com alguns relances de alegria.
O que mais frustra o ser humano em seu íntimo é ter a certeza de que não tem a certeza de que recebeu — ou recebe — o auxílio, em sua vida, de alguma força superior.