Tag: literatura filosófica

  • Reviver o amor, no amor, pelo amor


    Reviver o amor, no amor, pelo amor

    Reviver é o mesmo que sobreviver?
    É a espera em uma esperança fria?
    É a universalidade do finito?
    É a mentira posta como verdade?
    É o meio de um inteiro?
    É a alma de um corpo sem vida?
    É a vida em um corpo morto?
    O que eu devo saber?
    No momento certo saberei?
    Não existe o momento certo para as incertezas.

    Soube onde iria quando nasci,
    quando me abraçastes pela primeira vez.
    Naquela noite,
    tudo fazia mais sentido.
    Sentia como se fosse um delírio,
    momento único para estar só,
    na trincheira da vida, sozinho.
    Longo silêncio interior.
    Não há mais nada para viver.

    Uma centelha de esperança se acende
    no fundo da alma humana,
    na escuridão profunda da consciência,
    no mar tempestivo das emoções,
    na mais bela razão que nos faz estar vivos,
    na finitude da existência que nos aprisiona.
    Nada mais é tão simples como viver,
    como pena lançada ao vento, que apenas voa.

    Carlos de Campos
  • O mundo sob rendição


    Um poema sombrio e filosófico sobre o colapso da humanidade diante do medo, da violência e da inevitável rendição interior. Reflexão poética sobre o fim e a perda da esperança.


    O mundo sob rendição

    É noite de escuridão.
    O medo toma conta da cidade.
    De maldade em maldade,
    espalha-se o terror.

    Não são as nossas almas que vamos perder,
    mas as nossas memórias dos dias felizes.
    É a vingança sendo exercida,
    é o absurdo se multiplicando.

    Seres implacáveis invadem a nossa mente,
    parasitando a nossa vontade,
    paralisando os nossos desejos.
    É o nosso fim.

    Não temos nenhuma chance de vencer.
    Nessa guerra, já entramos derrotados.
    Diluídos até o âmago,
    a rendição se faz necessária.

    Carlos de Campos

    Foto por Victor Moragriega em Pexels.com
  • Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    O meu mundo é o mesmo que o seu,
    são contraditórios e unificados,
    distante e mais distante ainda,
    porque é um mundo em busca de solidão.

    Em um mundo em que a distância é fascinante
    e, ao mesmo tempo, ultrajante,
    distante das pessoas,
    próximo da ausência plena.

    Nada é como antes,
    e antes é toda a base sólida,
    entre mundos tão iguais
    e completamente diferentes.

    Que caminha para o caminho do sofrimento
    pela busca incessante da angústia,
    consciente de que, em seu íntimo, é desejado;
    é o desejo dos desejos a ser conquistado.

    Impor é se destruir,
    é revidar contra si mesmo,
    é lutar com a imagem refletida pelo espelho,
    é ser, na essência, a essência contraditória.

    Lutar é assumir ser desonesto.
    O desonesto sofre na essência,
    vê sua saúde mental diminuindo,
    abreviando o fim do seu próprio mundo.

    Carlos de Campos
    Foto por Valdans Media em Pexels.com
  • Apresente uma ideia

    Apresente uma ideia

    No fim do começo,
    Distante de um começo,
    O pensamento se desfaz
    Diante dos meus olhos.

    Início do fim,
    Os meus pensamentos não existem mais.
    O que foi que aconteceu aqui?
    Desencadeou o que não se queria.

    Leia o que não se escreve,
    Escreva o que não se pode ler.
    O fim é só mais um começo,
    E nada começou de um fim.

    Início e meio,
    Tudo reunido em um fim.
    Histórias em histórias,
    Tudo percorrendo o mesmo fim.

    Mas nem tudo é sobre você,
    Sobre o seu destino,
    Equivocado e incompreensível.
    Tudo é sobre a existência de um fim.

    Tudo e nada nos afeta,
    Nem o começo do fim,
    O fim de tudo que teve um começo.
    Tudo e nada não são o que aparentam ser.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Deus e nossas incongruências 

    Deus e nossas incongruências 

    Move-se em direção ao desconhecido — esse é o principal fator que leva o ser humano a olhar para além de si mesmo e de sua vida cotidiana. 

    Deus, quem é Ele? Onde Ele existe? Essas são duas simples questões, entre outras milhares, que de alguma forma pairam na vida de qualquer ser humano, de qualquer raça, crença ou posição social.

    Pode ser que você nunca tenha duvidado da existência de Deus, mas, sem sombra de dúvida, é certo que todos nós — uns mais, outros menos — tenhamos feito algum tipo de questionamento a nós mesmos sobre a existência de Deus em algum momento de nossa vida.

    Em um mundo repleto de ilusão, de carências de todas as formas e maneiras às quais estamos submetidos… Em um mundo onde o ser humano vive a maior parte de sua vida empreendendo fugas de algum tipo de injustiça…

    É legítimo e natural que o ser humano busque refúgio em uma força superior, mesmo que essa força não tenha sua atuação comprovada em prol da humanidade.

    O que mais incomoda o ser humano, de modo geral, é ter a percepção de que está, de fato, sozinho — e que toda a sua vida só está sendo garantida graças à sua própria força e dedicação ao trabalho. 

    E que, até o presente momento, nenhuma força sobrenatural tenha, de alguma forma, contribuído de maneira solidária para que sua vida tenha uma caminhada um pouco mais leve neste mundo de lágrimas, dor e injustiça, com alguns relances de alegria.

    O que mais frustra o ser humano em seu íntimo é ter a certeza de que não tem a certeza de que recebeu — ou recebe — o auxílio, em sua vida, de alguma força superior.

    Carlos de Campos

    Foto por Vikash Singh em Pexels.com