Tag: literatura reflexiva

  • O soco que rasga com crueldade

    O soco que rasga com crueldade

    Tudo era aparentemente tranquilo.
    Existia amor entre nós.
    Estávamos felizes.
    Amanhece…
    Está como estávamos antes.
    Só deixe passar…
    Que aqueles empurrões “inocentes”
    escalariam tão rápido assim.

    Carlos de Campos

    Os pequenos sinais de violência quase nunca começam como um grande desastre, mas podem crescer silenciosamente até destruir vidas; por isso, empurrões, humilhações, ameaças e agressões “inocentes” jamais devem ser normalizados. No Brasil, vítimas ou testemunhas podem denunciar violência doméstica pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), 190 em situações de emergência, ou procurar a Delegacia da Mulher, além de canais oficiais como a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
  • Um olhar atento para dentro


    Um olhar atento para dentro

    Morte como obediência de uma vida,
    Vejo escapando de minhas mãos
    Na neblina que turva a minha vista,
    No oceano em que estou mergulhado.

    Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
    Tateando os ares,
    Perdendo-se em si mesmos
    E encontrando-se no outro.

    Nossa bela morte
    Nos beija constantemente na face,
    No amargo do meu suor,
    Compreendendo todos os meus medos.

    Medo de uma vida
    Distante do desejado,
    Doses de fracasso
    Capazes de mudar toda a minha sorte.

    O sonho me distrai,
    Me faz avançar,
    Me limita,
    Me instiga a sempre ir para frente.

    Me orienta em meu interior
    A permanecer sempre atento,
    Usufruindo do mel da sabedoria eterna
    Que pulsa no limiar da vida e da morte.

    Carlos de Campos

    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • Deus e demônio, eu sou os dois


    Deus e demônio, eu sou os dois

    Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.

    Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.

    O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.

    Carlos de Campos
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com
  • A lenda que ainda vive


    A lenda que ainda vive

    Um dia bem vivido
    Vale mais que mil anos vividos no sofrimento.
    Vivo o que preciso viver hoje,
    Intensamente, como deve ser.


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    Os teus dias passam,
    A morte nos espreita.
    Viver e morrer sem tesão
    É uma escolha a se fazer.

    Viver e morrer com alegria
    É se tornar uma lenda.
    É uma lenda quem soube aproveitar o que tinha.
    Seja você mesmo: é o que basta.

    Sê lenda em nossos dias,
    A lenda da alegria,
    Que sabe dosar esse tempero em toda a vida.
    Sê lenda: é o teu destino.

    Viver na alegria
    É saber exatamente o momento de ser alegria.
    É preciso confiar em seus instintos
    E se soltar.

    A morte é o ato da infelicidade,
    A desesperança em nosso ser.
    O antídoto para tudo isso
    É viver a potencialidade de um dia feliz.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Quando surge a iluminação


    Quando surge a iluminação

    Os dias estavam tranquilos.
    Nenhuma anomalia acontecia.
    Era um pouco estranho,
    mas tudo percorria naturalmente.

    O medo cessou de repente.
    Tudo se fazia organizar.
    Naquele momento,
    não fazia mais sentido se esconder.

    Sim, tudo aconteceu de uma hora para outra.
    No momento, estou buscando entender
    tudo o que se passou comigo,
    porque nada mais faz sentido.

    Meu cão, onde ele está?
    Tenho um cão?
    Apesar da normalidade aparente,
    os meus pensamentos parecem perdidos.

    Estive pensando sobre esses pensamentos
    distantes, que não parecem ser meus.
    São pensamentos fragmentados,
    fora de contexto.

    Quem sou eu para mim mesmo?
    Quem foi quem penso ser?
    O que importa agora
    é que o dia precisa ser experimentado.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com